quarta-feira, setembro 26, 2007

Avenida Atlântica

Foi o Prefeito Pereira Passos que decidiu construir ao longo da praia uma rua de serviço. O nome Avenida Atlântica foi sugerido pelo próprio Pereira Passos. Os planos foram aprovados pelo Decreto Municipal nº561, de 4 de novembro de 1905, sendo as obras iniciadas sob a direção do engenheiro José Américo de Souza Rangel, autor do projeto. A avenida tinha apenas quatro metros de largura. (É de se notar que existiam apenas 150 automóveis na cidade.) As obras se prolongaram até 1908, sendo inaugrada pelo Prefeito Souza Aguiar.

Em 1910, dado o aumento da quantidade de automóveis e a crescente popularização da prática do banho de mar, a avenida mostrou-se muito acanhada, sendo alargada para 19 metros pelo Prefeito Bento Ribeiro. A obra só foi concluída em 1918, já sob a administração de Paulo de Frontin. Em 1920, a avenida já possuia 116 edificações, sendo 32 térreos. Nessa época, uma ressaca destruiu o calçamento, que foi refeito no período 1921/1922. Outra ressaca obrigou a se refazer a orla. Decidiu-se, então, reforçar a mureta com um respeitável alicerce de concreto, sendo concluída em 1924, ocasião em que se resolveu dotar a praia de postos de salvamento. Os guarda-vidas ficavam no alto de postes de concreto.

Em 1934, parte do morro do Inhangá que ainda chegava à Av. Atlântica foi cortado para aconstrução da piscina do Copacabana Palace. Em 1951, o que havia restado dessa pedra junto ao Hotel foi retirado para a construção do grupo de edifícios Chopin, Balada e Prelúdio.

De 1969 a 1971, grande obra foi realizada pelo Governador Negrão de Lima, por sugestão de Lúcio Costa e projeto do engenheiro Raimundo de Paula Soares. Sobre a areia foram construídas duas pistas de rolamento com um calçadão central sob o qual instalou-se o Interceptor Oceânico da Zona Sul, a maior obra de esgotamento sanitário até então feita na cidade. Todo o espaço até então usado pela antiga avenida e suas duas calçadas transformou-se em largo calçadão junto aos prédios; o atual estacionamento fica sobre o que era a areia da praia. Esta teve sua largura ampliada, com areia retirada do fundo do mar por dragas. Os mosaicos dos calçadões foram desenhados por Roberto Burle Marx, utilizando pedras de três cores, representando os povos que formaram a população brasileira. O calçadão junto à areia manteve o antigo desenho, oriundo de Portugal, uniformizando a orientação e ampliando o tamanho das ondas, fazendo-as condizentes com a largura da nova calçada.

Em 1975, foram construídos novos postos de salvamento, projetados pelo arquiteto Sérgio Bernardes. Na administração do Prefeito Saturnino Braga (1986-1988) foram plantados grupos de coqueiros na areia e, na de Marcelo Alencar (1983-1986), construídos quiosques fixos e uma ciclovia.

A via que começou em 1905 como simples rua de serviço, transformou-se em monumental avenida, que projeta o nome do Rio de Janeiro pelo mundo.

Nas fotos pode-se ver a Pedra do Inhangá ao lado do Copacabana Palace, antes da construção da piscina, e, na vista aérea, a retirada final para a construção do grupo de edifícios Chopin, Balada e Prelúdio. Abaixo, as fotos que mostram a Avenida nos anos 1950 e, depois do alargamento, nos anos 1970.



quarta-feira, setembro 19, 2007

Rua Siqueira Campos


Aberta em terras doadas por José Martins Barroso, dava saída ao túnel aberto em 1893 para a passagem do bonde, tornando-se via de acesso à Copacabana. Reconhecida em 1894, pela Municipalidade, recebeu o nome de Rua Barroso.

Esse logradouro foi o primeiro, no bairro, a receber uma linha de bonde. A estação foi construída na esquina da Av. Copacabana, em frente à Praça Serzedelo Correa, onde hoje está o Centro Comercial de Copacabana. A foto de Malta, de 1921, mostra essa esquina.

Pelo recenseamento de 1920, havia na rua 150 construções, sendo 54 térreas, 73 sobrados e 23 de três pavimentos. Até 1930, as construções ficavam nas quadras próximas à praia. Com a valorização do bairro, as construções expandiram-se.

Em 1931 teve seu nome mudado em homenagem ao 1ºTenente Antonio de Siqueira Campos, um dos lideres da revolta de 5 de julho de 1922. É que o grupo conhecido como «os dezoito do Forte», liderados por Siqueira Campos, depois de abandonar o Forte de Copacabana, caminhou pela Av Atlântica até a esquina da Rua Barroso onde estavam as tropas enviadas para abafar a revolta. A foto de jornal documenta a caminhada em que não aparece Siqueira Campos, adiantado do grupo. Da areia, entricheirados no paredão, ofereceram combate, sendo quase todos mortos, restando vivos apenas Siqueira Campos e Eduardo Gomes. Siqueira Campos viria a falecer em acidente aéreo quando retornava ao Brasil para participar da Revolução de 1930. Eduardo Gomes, iniciador do Correio Aéreo Nacional, chegou ao posto de Brigadeiro da Força Aérea Brasileira.


quarta-feira, setembro 12, 2007

Rua e Igreja de São Pedro


A rua de São Pedro foi aberta antes de 1620. Chamou-se Rua Antonio Vaz Viçoso e, depois, Rua do Carneiro (devido ao cirurgião Antonio Carneiro que nela residiu).

Desde a construção da Igreja (1732-1740), na esquina da Rua Miguel Couto, ela passou a ser conhecida como Rua de São Pedro. Em 1817, passou a ser, oficialmente, Rua Desembargador Antonio Cardoso, nome que não pegou, permancendo a designação de São Pedro.

Em 1943, a construção da Av.Pres. Vargas transformou a Rua de São Pedro em sua pista lateral direita (lado par), e a Rua Gen. Câmara, em pista lateral esquerda (lado ímpar); os quarteirões entre elas foram demolidos para formar a pista central. Chegaram a pensar em mover a igreja, usando rodízios, mas o custo elevado tornou proibitivo o salvamento, e ela foi demolida em nome do progresso.

A igreja de São Pedro, Igreja de São Pedro dos Clérigos, ou Igreja do Príncipe dos Apóstolos fora edificada pelo bispo D. Antonio Guadalupe para sediar a irmandade dos clérigos em casa própria. Tinha uma arquitetura bastante original, como se pode depreender da foto de Marc Ferrez, de 1898.

quarta-feira, setembro 05, 2007

Praça Serzedelo Correia


Construída, em 1893, pela Cia Ferro Carril Jardim Botânico, quando da inauguração da estação de bondes de Copacabana. Levou, inicialmente, o nome de Malvino Reis, então diretor da companhia. Era bastante simples: resumia-se a um areal com vegetação rasteira. Sofreu melhoramentos em 1910, na gestão do Prefeito Serzedelo Correia, recebendo, no ano seguinte, o chafarz das Saracuras, que até então estava no patio interno do Convento da Ajuda e que seria, em 1917, transferido para a Praça Gen Osório.

Designada Serzedelo Correia por decreto de 1917, em homenagem a Inocêncio Serzedelo Correia, prefeito da cidade (1909-1910).

Em 1918, foi inaugurada a nova Matriz de NªSª de Copacabana, na esquina da Rua Hilário de Gouveia, um prédio neo-gótico, projeto de Gastão da Cunha Bahiana, demolida em 1973 sendo substituída por um edifício. No térreo deste prédio funciona, atualmente, a igreja.

E Estação de Bondes (esquina de Siqueira Campos) foi demolida nos anos 1950 sendo substituída pelo primeiro shopping center da cidade, denominado, apropriadamente, de Centro Comercial de Copacabana.

A Praça veio a sofrer muitas alterações nas décadas de 1940 e 1950. Em 1992 foi reurbanizada e gradeada. É também conhecida como Praça dos Paraíbas por ser frequentada por operários da construção civil, em sua maioria nordestinos, em seus momentos de folga.

As fotos mostram: uma, a praça no final da década de 1950, à esquerda, a Rua Hilário de Gouveia; e outra, a antiga Matriz de Copacabana, em frente à praça.

quarta-feira, agosto 29, 2007

Vila Isabel

João Batista Viana Drumond (1825-1897), o abolicionista Barão de Drumond, resolveu levantar, em 1872, um bairro nas terras da Fazenda dos Macacos que havia recém-adquirido. Encantado com Paris, o barão entregou o traçado do bairro ao arquiteto e engenheiro Francisco Bitencourt da Silva (fundador do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro). O bairro foi projetado com toques franceses, e batizado de Vila Isabel, em homenagem à filha de D.Pedro II, tendo ruas com nomes de abolicionistas.

A principal avenida recebeu o nome de Boulevard 28 de Setembro, em comemoração à data da assinatura da Lei do Ventre Livre. A praça do bairro foi nomeada Sete de Março, em homenagem ao dia da constituição do Gabinete do Primeiro Ministro Visconde de Rio Branco, que promoveu a famosa Lei de 1871, que determinava a libertação dos nascidos de mães escravas. A segunda rua em importância recebeu o nome de Teodoro da Silva, que havia assinado a Lei com a Princesa. Após a morte de Drumond, a praça passou a chamar-se Barão de Drumond.

Em 1873, o Barão havia criado a Companhia Ferro Carril de Vila Isabel, para a ligação do centro da cidade com o bairro.

Além de ter sido o primeiro bairro planejado da cidade, Vila Isabel abrigou o primeiro jardim zoológico do Rio de Janeiro. Como pretexto para incentivar a visita, o ingresso possuia um número representando um animal; no final do dia era efetuado um sorteio com prêmios em dinheiro. Esta a origem do jogo do bicho.

A foto é um cartão postal que mostra o boulevard. O canteiro central fora construído para facilitar o acesso do público ao bonde.

quarta-feira, agosto 22, 2007

Pequeno Jornaleiro

Obra do caricaturista Fritz, pseudônimo de Anísio Oscar Mota (1895-1969), homenageando os garotos que vendiam jornais pelas ruas do Rio. Iniciativa do vespertino A Noite, foi inaugurada em 1º de junho de 1933, num pequeno largo existente na confluência das ruas Ouvidor e Miguel Couto junto à Av.Rio Branco.

Consta que a estátua representa o menino José Bento de Carvalho, que aos dez anos, percorria as ruas vendendo jornais. Cantava o dia inteiro, e era famoso pela celeridade com que subia nos bondes e atravessava as ruas da cidade, a apregoar, aos gritos, as manchetes do dia.

Hoje, o monumento está na Rua Sete de Setembro, entre a Av. Rio Branco e a Rua Gonçalves Dias.

quarta-feira, agosto 15, 2007

Bairro da Urca















O morro da Urca mergulhava diretamente no mar até que, por ideia do engenheiro português Oscar d'Almeida Gama, foi feito um aterro, na década de 1920, utilizando parte do material retirado do Morro do Castelo.

O bairro teria o nome de Lavolina, o mesmo da fábrica de xampú de Oscar Gama; mas esse nome não pegou, prevalescendo o de Urca, o nome do rochedo, assim denominado, desde os tempos da fundação da cidade, pela semelhança com o casco de uma embarcação holandesa comum à epoca.

Constava do contrato com a Sociedade Anônima Empresa da Urca, empresa constituída para a execução da obra, a construção de um hotel balneário em frente à praia. Em 1933, o hotel foi transformado no Cassino da Urca que ficou famoso pela apresentação de artistas de fama internacional. Com a proibição do jogo, em 1946, o cassino foi fechado. No período compreendido entre 1950 e 1980 serviu como sede dos estúdios da TV Tupy, que tinha suas antenas no alto do Pão de Açucar.

A ponte que liga o bairro à Av. Pasteur havia sido construída, em 1908, para a atracação das barcas da Cantareira que traziam visitantes para a exposição internacional que ocorreu na Praia Vermelha, em comemoração do centenário da abertura dos portos.

Vemos nas fotos: a Enseada de Botafogo em 1893, foto de Gutierrez; a ponte, com uma barca atracada, em 1908; o andamento das obras, em 1927; e a praia com o cassino, em 1935.



quarta-feira, agosto 08, 2007

Igreja da Lapa


Em 1751, na região hoje conhecida como Lapa, foi iniciada a construção de uma igreja e seminário dedicados à Nª Sª do Carmo da Lapa do Desterro. A região vinha sendo valorizada desde a construção (1712-1726) e ampliação (1738-1744) do aqueduto.

A igreja, com projeto atribuído ao Brigadeiro Alpoim, tem uma nave única, simples, com a sacristia atrás do altar-mor. A fachada apresenta um frontão reto, clássico, onde foi acrescentado um relevo com o símbolo da Ordem do Carmo. Apenas uma torre foi construída. Os frades desalojados de seu convento no Largo do Paço em 1808, converteram, dois anos depois, a igreja em capela conventual, reformando-a internamente. No altar-mor, esculpido por Mestre Valentim, está a padroeira NªSª do Carmo, e, em quatro altares colaterais, NªSª das Dores, NªSª da Lapa, um dos Passos da Paixão, e a Sagrada Família. As pinturas de teto e a barra de azulejos foram executadas na segunda metáde do séc XIX.

Ao lado da igreja instalou-se, ainda no séc. XIX, a capela do Divino Espírito Santo que, desde o século anterior ficava em frente, no local hoje ocupado pela Sala Cecília Meirelles.

O antigo seminário da Lapa, transformado em convento carmelita, pegou fogo em 1959 quando preciosas obras em talha e pintura foram perdidas. No local, existe hoje um prédio, sem valor artístico, ocupado por empresas.

Na foto (P&B) de Marc Ferrez vê-se o edifício do Grande Hotel onde hoje funciona a Sala Cecília Meirelles.





quarta-feira, agosto 01, 2007

Rua Sete de Setembro


Surgiu do caminho aberto para a passagem de um cano de pedra que dava vasão às águas da Lagoa de Santo Antonio, um banhado que existia onde hoje é o Largo da Carioca. Ficou, por isso, sendo a Rua do Cano até 1856, quando foi nomeada Sete de Setembro.

A rua era limitada pelo muro de uma capela construída entre o Convento do Carmo e a Capela Imperial. Essa capela fora vendida, em 1635, pelos frades, a D. Maria Barreto, e posteriormente transferida à Irmandade do Senhor dos Passos. Apenas em 1857 foi a capela demolida para que a rua pudesse alcançar o Largo do Paço (hoje, Praça XV). Em seu lugar ficou uma passarela com janelas, por dentro da qual passava a familia real para ir à Capela, sem necessitar pisar o chão do Largo, livres do assédio do povo. É de se lembrar que já existia um passadiço do Palácio para o Convento, desde que este se tornara residência da Rainha D. Maria, a Louca.

O passadiço sobre a rua seria demolido no início da república, mas ela só seria alargada no início do século XX. E, em 1975, transformada, como algumas outras no centro da cidade, em via apenas para pedestres.

A foto, de Malta, mostra a passarela sobre a Sete de Setembro a que nos referimos.

quarta-feira, julho 25, 2007

Casa França-Brasil



O edifício onde está instalada a Casa França-Brasil foi mandado erguer por D.João VI, em 1819, para servir de Praça do Comércio. Projetado pelo arquiteto Grandjean de Montigny, o prédio é o primeiro registro do estilo neoclássico no Rio de Janeiro. Foi inaugurado em 13 de maio de 1820, e tornou-se logo importante centro de comércio da cidade.

Quando de seu regresso a Portugal, quis o rei deixar leis que lhe garantissem o controle da colônia. Às vésperas da partida, em 1821, o povo rebelou-se e, na Praça do Comércio, passou a exigir, entre outras coisas, uma constituição liberal. O movimento foi violentamente reprimido pelas tropas do rei, que invadiram o prédio e dissolveram a manifestação. Em protesto, os comerciantes abandonaram o prédio que acabou fechado.

Com a independência, D.Pedro I destinou-o ao uso da Alfândega. Para isso, o prédio sofreu algumas modificações levadas a cabo por André Rebouças. O Rio era o mais importante porto do nosso comércio internacional, e assim continuaria até que a inauguração do porto de Santos, no segundo reinado, viesse diminuir sua importância econômica. A Alfândega funcionou alí até 1944, quando foi transferida para a Av. Rodrigues Alves.

Embora tombado pelo Patrimônio Histórico desde 1938, o prédio vinha sofrendo com a falta de conservação, arriscado até a desabar. Depois de algum tempo sem função, passou a abrigar o II Tribunal do Juri, que o ocupou de 1956 a 1978, período em que recebeu alguma assistência.

Após a mudança do Tribunal, quase foi demolido. A construção do viaduto da perimetral havia provocado rachaduras, e o tráfego pesado abalado sua estrutura, causando infiltrações e outros comprometimentos. Obras de escoramento, concluídas em 1979, salvaram o prédio. No início da década de 1980, o IPHAN realizou grandes obras, necessárias à recuperação do prédio, e surgiram idéias de aproveitamento cultural.

Em 1984, Darcy Ribeiro, então Secretário de Cultura do Estado, iniciou conversações com o governo francês para a implantação de um centro destinado ao intercâmbio cultural entre Brasil e França. Trabalhos de restauração fizeram com que o prédio retornasse ao aspecto original, como havia sido projetado por Montigny.

Finalmente, em 29 de março de 1990, foi a Casa França-Brasil inaugurada.

A foto P&B mostra o prédio na década de 1940.

quarta-feira, julho 18, 2007

Igreja de Nª Sª de Bonsucesso













Pouco tempo depois de o padre Anchieta ter fundado, em 1582, a Santa Casa da Misericórdia, foi construída uma capela dedicada a NªSª da Misericórdia, padroeira da casa. No séc XVII a Irmandade resolveu trocar a invocação para NªSª de Bonsucesso. A pedra fundamental de uma nova capela-mor foi lançada em 1724, mas a falta de verbas impediu o aumento da nave principal. Finalmente, as obras projetadas pelo Brigadeiro Alpoim foram concluídas em 1780. A fachada, um frontispício jesuítico, bastante simples, apresenta duas janelas no côro.

O altar-mor, de 1822, é uma doação de D. Pedro I. Quando do desmonte do morro do Castelo, a igreja recebeu três altares da Capela do Colégio dos Jesuítas que existia no morro. Esses altares, esculpidos em 1620, no estilo maneirista, são os mais antigos existentes na cidade. Na sacristia há, ainda, um belo lavabo barroco português em pedra, do início do século XVIII.

Na foto do início do séc.XX, vê-se, ainda, o início da subida da Ladeira da Misericórdia e, no alto do Morro do Castelo, o colégio dos jesuítas e a torre da igreja de Santo Inácio de Lyola. Hoje, da Ladeira resta um pequeno trecho conservado como testemunho daqueles tempos. Na foto mais recente pode-se admirar a singeleza da fachada.

quarta-feira, julho 11, 2007

Igreja da Santa Cruz dos Militares


Nas ruínas do forte de Santa Cruz, construído à beira-mar, na Rua Direita (hoje Primeiro de Março) em 1585, foi instalada uma capela pela Irmandade de Sta Cruz, em 1623. A Irmandade fora criada pelos militares do Rio de Janeiro em 1611. A capela, depois de cinco anos de obras, transformou-se em sólida igreja. Serviu de catedral por duas vezes, de 1703 a 1704 e de 1734 a 1737, devido às péssimas condições da igreja de São Sebastião, no alto do morro do Castelo.

O corsário francês Duclerc, em 1710, tentou invadi-la, mas acabou sendo capturado perto dela. Duguay-Trouin, no ano seguinte, conseguiu saqueá-la.

Em 1780, foi lançada a pedra fundamental de uma nova igreja que levaria 22 anos para ser concluída. Projetou-a o Brigadeiro José Custódio de Sá e Faria. A talha foi feita por Mestre Valentim, entre 1805 e 1812. A fachada foi inaugurada por D.João em 1811; e a torre sineira, que fica no fundo do prédio, foi inaugurada no ano seguinte. Quando pronta, a igreja constituiu a melhor expressão do barroco jesuítico na cidade.

As estátuas de São Mateus e de São João Evangelista, que tinham sido colocadas nos nichos da fachada, estão hoje no Museu Histórico Nacional.

Em 1828, D.Pedro I concedeu o título de Imperial à Irmandade. Foram provedores o Duque de Caxias, em 1870, e o Conde d'Eu, marido da Princesa Isabel e Ministro da Guerra de Pedro II. Dez bandeiras tomadas ao inimigo na batalha de Avaí, em 1868, foram entregues à Irmandade para serem depositadas na igreja, a pedido dos soldados.

No quadro (acima) do inglês Richard Bates, do séc.XIX, pode-se ver a torre sineira. As fotos, abaixo, mostram a fachada e o interior.

A Igreja da Sta Cruz dos Militares foi tombada, em 1938, pelo IPHAN. Fica localizada na Rua Primeiro de Março, 36, na esquina com a Rua do Ouvidor.




quarta-feira, julho 04, 2007

Ponte da Ilha das Cobras



























A curiosa ponte pênsil «Almirante Alexandrino de Alencar» unia, ao continente, a Ilha das Cobras, onde ficavam o Hospital Central da Marinha, o Batalhão Naval e outros estabelecimentos da Marinha. Foi inaugurada em 1915, e levava o nome do Ministro da Marinha que a mandara construir. Possuia um transportador volante que percorria seus 288m de comprimento conduzindo cargas, e até 400 pessoas em pé.

Com a transferência do Arsenal de Marinha para a ilha, e a construção de um novo Depósito Naval, a ponte pênsil já não atendia às necessidades, razão porque foi necessário substituí-la pela «Arnaldo Luz», o que ocorreu em 1930.

Hoje, desmontada a ponte «Alexandrino de Alencar», permanece em serviço a «Arnaldo Luz», que já completou mais que 70 anos de uso.

Na fotos, pode-se ver: a ponte pênsil; as duas pontes, lado a lado; e, finalmente, uma vista da plataforma móvel a meio caminho do trajeto.

quarta-feira, junho 27, 2007

Largo do Capim


A praça que existia na Rua dos Andradas, entre Gen. Câmara e São Pedro era conhecida por Largo do Capim por ser local do mercado oficial de capim e forragem para os animais de montaria e tração de veículos. Em 1869 teve seu nome alterado para Praça General Osório, voltando a ter a denominação original em 1917. A Cia Federal de Fundição construiu, em 1913, um pequeno mercado que substituiu as bancas improvisadas mostradas na foto de Malta, de 1912.

Desapareceu, em 1943, quando da construção da Av. Pres. Vargas. A Rua Gen Câmara tornou-se a pista do lado impar da nova avenida, enquando a Rua São Pedro passou a ser a pista do lado par.

quarta-feira, junho 20, 2007

Escola de Belas Artes














A Imperial Escola de Belas Artes passou a funcionar. em 1826, em prédio próprio, projeto de Grandjean de Montigny, na Travessa do Sacramento (atual Av. Passos) sendo inaugurado pelo Imperador D. Pedro I.


A IEBA sucedia a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, criada por D.João VI, já soberano do Reino Unido, por decreto de 12 de agosto de 1816.


Passou a chamar-se Escola Nacional de Belas Artes, a partir de 1890. No início do séc XX, com a abertura da Av. Central, passou a funcionar no prédio projetado por Morales de los Rios, onde hoje funciona o Museu de Belas Artes.


Em 1931, a ENBA passou a integrar a Universidade do Rio de Janeiro e, em 1937, a Universidade do Brasil.


Em 1965 teve seu nome alterado para Escola de Belas Artes, passando a fazer parte da Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ.


Quando da demolição do prédio de Montigny, ocorrida em 1939, seu portal, em mármore e granito, foi transladado para o Jardim Botânico, e instalado no final da Aléia das Palmeiras (oficialmente Aléia Barbosa Rodrigues).


A foto de Marc Ferrez, de 1891, é do prédio de Montigny na Travessa do Sacramento. A estátua de João Caetano está, hoje, em frente ao Teatro que leva seu nome, na Praça Tiradentes.




quarta-feira, junho 13, 2007

Jardim Botânico

A área do Jardim Botânico é de ocupação das mais antigas da cidade. Desde o século XVI era disputada por vários pretendentes, em especial André Mendes Leão, Sabastião Varella e o mais famoso deles, Rodrigo de Freitas Mello e Castro que, em 1620, era proprietário da área que vai do atual Humaitá ao que hoje é o Leblon, incluindo a lagoa que leva seu nome.

Com a chegada de D. João, as terras foram desapropriadas dos descendentes de Rodrigo de Freitas e loteadas, reservando, a coroa, largo trato de terra (1,4milhões de m2) onde o príncipe, em 13 de junho de 1808, criou o Jardim de Aclimação com a finalidade de aclimatar as plantas procedentes do Oriente, como cânfora, nogueira, jaqueira, cravo da India e chá da China. Quatro meses depois, em 11 de outubro, teve seu nome alterado para Real Horto Botânico.

Ali D. João plantou, em 1809, a primeira palmeira imperial, um exemplar de Roystonea oleracea trazido do Caribe, de onde é originária. Foi intitulada Palma Mater por ter sido a mãe de todas as outras. Os escravos tinham ordens de destruir as sementes excedentes, para que a espécie fosse exclusividade do Horto, mas eles as vendiam, e em muitas propriedades elas foram plantadas. Para avaliar a longevidade dessa espécie, basta dizer que a Palma Mater foi atingida por um raio, em 1972, tendo sua vida interrompida aos 163 anos de idade.

Com a independência, foi aberto ao público com a designação de Real Jardim Botânico. Seu diretor, o frade carmelita Leandro do Sacramento, professor de botânica e estudioso da flora brasileira, organizou um catálogo das plantas cultivadas e introduziu inúmeros melhoramentos

O terreno original compreendia os dois lados da Rua Jardim Botânico. No governo do Prefeito Carlos Sampaio (1920-1922) foi desapropriado o trecho junto à lagoa onde se construiu, em 1924, com projeto de Archimedes Memória, o Jockey Clube. O Jardim Botânico guarda, também, muitas obras de arte e curiosidades que serão, oportunamente, mostradas e comentadas neste blog.

Na foto da Lagoa (postal de 1930), pode-se ver, no canto direito, parte do Jardim Botânico.

quarta-feira, junho 06, 2007

Matadouro

O primeiro matadouro da cidade foi instalado em 1774 por ordem do vice-rei _Marquês de Lavradio_ na praia de Sta Luzia, perto de onde hoje está o obelisco da Av. Rio Branco.

À época, a orla até a igreja de Santa Luzia era desprovida de moradias, e o caminho existente era frequentemente invadido pelo mar. Essa situação começou a mudar quando D. João, devoto de Santa Luzia, mandou alargar o caminho para possibilitar a passagem de sua carruagem.

No mapa, datado de 1838, pode-se ver assinalado o matadouro, próximo ao convento da Ajuda e ao Passeio Público. Em 1853, com a maior freqüência nas cercanias, o local _impróprio de há muito_ ficou insustentável para sua permanência, razão pela qual o transferiram para um aterrado, lá para os lados de São Cristovão.

Neste novo local (hoje Praça da Bandeira), o matadouro propiciou o desenvolvimento no entorno, progresso que acabou por provocar, em 1881, uma nova mudança, desta vez para Santa Cruz.

Em 1884 a Estrada de Ferro D. Pedro II (a partir de 1899 designada Central do Brasil), abriu o ramal do Matadouro, com os trilhos a contornar o prédio, distante apenas 700m da Estação de Santa Cruz. Este ramal funcionou até os anos 1980, quando foi desativado.

Nota: o mapa exibido consta do sítio www.serqueira.com.br

quarta-feira, maio 30, 2007

Rua Uruguaiana



Em 1641, abriu-se uma vala para o escoamento das águas de um banhado que existia ao pé do morro de Santo Antonio (onde hoje é o Largo da Carioca). A vala ficava à beira de uma rua que, a partir de então, seria conhecida como da Vala.

Após as invasões francesas de 1710-1711, foi construído um muro, ao longo da vala, visando a defesa da cidade. Logo, logo, esse muro, além de demonstrar não servir como obra de defesa, tornou-se um estorvo ao crescimento da cidade. Os vereadores queriam demoli-lo, com o que não concordava o Governador Luís Vahía Monteiro, o Onça, que acabou por ver a vala coberta, e o murro derrubado para que a expansão da cidade pudesse avançar pelo campo, vencendo alagadiços e mangues.

Depois de ser, por mais de dois séculos a Rua da Vala, a via teve seu nome alterado para Uruguaiana, para lembrar a cidade gaúcha onde, em 1865, diante de Pedro II e dos presidentes da Argentina e do Uruguai, ocorrera a rendição do Gen Estigarribia que, à frente de tropas paraguaias, havia invadido o Rio Grando do Sul.

Atendendo à sugestão de Gabriel, acrescentei uma foto, de 1906, da esquina das Ruas Uruguaiana e Carioca.

quarta-feira, maio 23, 2007

Rua da Ajuda

A antiga Rua da Ajuda contornava o Morro do Castelo, indo desde a igreja da NªSrª do Parto até o Convento da Ajuda, onde hoje fica a Praça Floriano Peixoto (Cinelândia). A Igreja continua no mesmo lugar, agora no térreo de um edifício, atual Rua Rodrigo Silva, 7. A abertura da Avenida Central absorveu quase toda a Rua da Ajuda. O trecho remanescente, entre a Av. Rio Branco e a Nilo Peçanha, teve os nomes de Chile e Melvin Jones antes de voltar a ser da Ajuda.


quarta-feira, maio 16, 2007

Convento de Santa Teresa

O governador Gomes Freire de Andrade, conde de Bobadela, contrariando proibição régia, doou um grande terreno e uma antiga capela na encosta do Morro do Desterro (depois Morro de Santa Teresa) para a construção de um convento de Carmelitas Descalças dedicado a Santa Teresa de Ávila.

À época, era proibida a existência de conventos de freiras, pois, na visão da coroa, as mulheres eram poucas, e os conventos iriam prejudicar a expansão da colonia.

As obras começaram em 1750, a partir de uma capelinha existente desde 1629, e sete anos depois, mesmo inconcluso, já estava ocupado pelas freiras. O projetista da igreja e do convento foi o engenheiro-militar José Fernandes Pinto Alpoim.

No final do séc XVIII foram colocados, na portaria do convento, azulejos brancos-azuis vindos de Portugal, e três altares de talha em estilo rococó, de autores desconhecidos. O convento conserva um retrato da fundadora, Madre Jacinta, pintado por José de Oliveira Rosa, c.1769, e nele estão sepultados os restos do conde de Bobadela, falecido em 1763, e do engenheiro Alpoim, morto em 1765.


quarta-feira, maio 09, 2007

Igreja de Nª Sª da Conceição e Boa Morte

As Irmandades da Nª Sª da Boa Morte e a da NªSª da Conceição dos Pardos, foram criadas, respectivamente, em 1663 na igreja do Carmo, e em 1700 na igreja de São Sebastião. Em virtude de desentendimentos com as igrejas onde praticavam seus cultos, resolveram mudar-se. Criaram, em 1721, uma pequena capela na esquina da rua do Rosário com Ourives (atual Miguel Couto). Com o crescimento das Irmandades, surgiu a necessidade de um novo templo, maior. As fundações foram lançadas em 1735, e as obras conduzidas, a partir de 1738, pelo engenheiro militar sargento-mor José Fernandes Pinto Alpoim. A portada, em mármore de Lioz, vinda de Lisboa, foi colocada em 1756, e as obras concluídas em 1816.

A capela-mór tem forma octogonal, com um altar barroco de mestre Valentim, executado em 1774 e considerado como sua primeira grande obra em talha. Os altares laterais são obras de Manual Deveza. A padroeira em madeira. estilo barroco, veio de Portugal.

Paulo de Frontin, devoto da santa, ao traçar a avenida Central, teve o cuidado de fazer ligeiro desvio para poupar a igreja que tem uma de suas quinas a menos de três metros do alinhamento da avenida.

No espaço entre a igreja e a avenida foi construído um prédio estilo eclético onde funcionou, por muitos anos, a Casa Simpatia que servia, em suas mesas e cadeiras de vime da calçada, um famoso refresco: o frappé de coco. Hoje, ali funciona a loja de roupas Bogart. Este prédio tem, junto à rua do Rosário, largura tão pequena que algumas das janelas da fachada não abrem por falta de espaço. Veja na foto do traçado da Avenida Central (A rua do Hospício é a atual Buenos Aires).

quarta-feira, maio 02, 2007

Igreja Nª Sª da Lapa dos Mercadores













Em 1743, vários moradores e comerciantes da Rua do Ouvidor ergueram um pequeno oratório dedicado à NªSª da Lapa dos Mercadores na esquina de uma casa, no trecho entre a Rua do Mercado e a Rua Direita (atual 1º de Março). Quatro anos mais tarde os comerciantes resolveram formar uma irmandade e construir uma igreja dedicada à NªSª da Lapa. Em 1747 foram lançadas as fundações e, em 1755 a estrutura estava pronta. Em 1766 prontificou-se a parte interna. Em 1862 a igreja sofreu uma grande remodelação que só terminou dez anos depois. Foram construídas uma nova entrada com três arcos neo-classicos tendo por trás, centralizada, a tôrre sineira. Durante essas obras, foi encontrado enterrado atrás da igreja um grande medalhão, em mármore de Lioz, representando a coroação de Nossa Senhora, provavelmente destinado à igreja da Ordem 3ª da Penitência, a quem pertencia o terreno, e que não o aproveitou. Foi então colocado na fachada principal, onde se encontra até hoje. Duas estátuas de santos, em mármore de Lioz, foram colocadas em nichos na fachada; uma terceira, representando a religião, foi posta na tôrre.

O interior, bastante colorido, possui talhas de Antônio de Pádua e Castro e trabalhos em estuque de Antônio Alves de Lima.

Quando da Revolta da Armada, um tiro disparado pelo encouraçado "Aquidabã" (em 25set1893) atingiu a torre, lançando ao chão a estátua. O fato de ter sofrido danos em apenas dois dedos, apesar da queda de mais de 25m de altura, foi considerado milagroso, razão pela qual tanto a estátua quanto o projetil estão guardados na sacristia.

A igreja fica na Rua do Ouvidor, 35

quarta-feira, abril 25, 2007

Rua da Carioca


A Rua da Carioca, a mais carioca das ruas no dizer da Confraria do Garoto, começou tendo a designação de Rua do Egito, graças a um oratório, ali localizado, dedicado à Sagrada Família. Depois, foi a Rua do Piolho, alcunha de um solicitador que ali residia. A partir do séc. XVIII passou a ser conhecida como Rua da Carioca por servir de caminho para quem vinha apanhar água no chafariz. Foi retificada pelo primeiro Vice-Rei, Conde da Cunha (1763-1767) e, mais tarde, alargada quando da remodelação urbana promovida pelo Prefeito Pereira Passos (1902-1906).

A foto, do início do séc XX, mostra a esquina da Carioca com a Uruguaiana.

quarta-feira, abril 18, 2007

Mourisco


Botafogo foi, também, alvo de novidades introduzidas pelo prefeito Pereira Passos.

Foi aberta a chamada Avenida de Ligação _atual Oswaldo Cruz_ (a Ruy Barbosa ainda levaria algum tempo).

Foi construido, junto ao mar, um Pavilhão de Regatas que vinha atender ao esporte da época: o remo. Basta dizer que, entre 1894 e 1908 foram criados 12 clubes de regatas na cidade.

No final de Botafogo surgiu o chamado Pavilhão Mourisco (na verdade, neo-persa como explica o historiador Milton Teixeira, citado no post do Manequinho, de 04abr2007) onde funcionavam um restaurante elegante e, em prédio próximo, um teatrinho. Combinava várias cores ressaltando o dourado, o prateado e o castanho, em azulejos coloridos e vitrais espanhóis, trazidos de Valencia. Foi, mais tarde, transformado em biblioteca infantil dirigida pela poetiza Cecília Meirelles. Demolido em 1951 para possibilitar o acesso ao tunel do Pasmado, mas o local continua a ser chamado de «Mourisco».

No cartão postal pode-se ver o Pavilhão Mourisco em primeiro plano e, ao longe, o Pavilhão de Regatas. Nas outras fotos, vê-se o Mourisco e o Pavilhão de Regatas. Finalmente, a Av. de Ligação (atual Oswaldo Cruz).


quarta-feira, abril 11, 2007

Igreja da Glória

Construída a partir de 1714, em local de muita importância na historiografia carioca, a igreja de NªSª da Glória do Outeiro, descortina linda vista sobre a baía.

No local, então chamado morro do Leripe, havia o forte de Biroaçumirim _com muitos franceses e artilharia_ quando foi conquistado, em 20 de janeiro de 1567, pelos portugueses sob o comando de Estácio de Sá. Essa vitória veio consolidar o domínio luso na cidade, embora tenha custado a vida de Estácio, ferido mortalmente por uma flexa no rosto.

A igreja, que veio substituir uma antiga ermida, foi construída pela Irmandade de NªSª do Outeiro. Terminada em 1738, tem característica marcante de sua arquitetura o fato de ter sua planta constituída de dois octógonos. Exibe azulejos datados de 1743 (e atribuídos a Mestre Valentim) em 61 painéis que decoram a nave, o altar-mor, a sacristia e o coro da Igreja.

Com a chegada da corte portuguesa, em 1808, igreja ganhou enorme prestígio. Era a preferida da família Real. Foi nela que, em 1819, D.João VI trouxe a neta, princesa Maria da Glória, para a cerimônia da Consagração. A partir daí, todos os membros da familia Bragança, nascidos no Brasil, foram consagrados na Igreja da Glória. D. Pedro II outorgou à Irmandade o título de Imperial que ainda conserva, mesmo na república.

quarta-feira, abril 04, 2007

Manequinho


A estátua iniciou sua trajetória nos primeiros tempos da Praça Floriano Peixoto, antes mesmo da demolição do Convento da Ajuda, onde foi instalada de frente para o Palácio Monroe. Foi logo transferida para bem longe, devido ao escândalo que causou a existência de um menino nu, e ainda urinando, em plena Praça Floriano. Uma indecência! Acabou no final da praia de Botafogo, no local chamado _até hoje_ Mourisco, graças a um pavilhão em estilo mourisco existente até 1951. «Era um prédio com cinco torres, com bulbos em cima, dourado e marrom, com vitrais coloridos. Apesar do nome Mourisco, era neopersa. Era um restaurante dançante, tendo atrás um teatro de marionetes para crianças. De restaurante, foi tendo várias funções, inclusive biblioteca infantil», explica o historiador Milton Teixeira.

Nas proximidades, já existia a piscina do Botafogo de Futebol e Regatas. Com a conquista do Campeonato Carioca de 1957, a estátua do menino apareceu vestido com a camisa do Botafogo, (dizem que por obra de Didi, que pagava uma promessa feita). A partir daí, tornou-se um símbolo da torcida alvi-negra. Acabou furtado, em 1990, não se sabe se por afronta aos botafoguenses, ou simples vandalismo. Uma nova estátua foi fundida, graças ao fundidor Zani e, em seguida, recolocada no Mourisco. Finalmente, com a recuperação, em 1994, da antiga sede social, foi o Manequinho instalado em frente ao prédio, na Av. Venceslau Brás, 72, onde hoje se encontra.

Há gente que, erradamente, acredita que seja uma réplica do Manneken Pis, pequena estátua existente, em um nicho, numa esquina de Bruxelas (Rue de l'Etuve Rue de Chêne). Mas há diferenças marcantes: com o belga é muito menor (pouco mais que 20cm) e tem uma cabeça enorme, desproporcional ao corpo; o nosso, bem maior (cerca de 1m) tem as proporções de um menino; o belga usa a mão esquerda para orientar o jato, enquanto o nosso está com as duas mãos livres. Manneken Pis significa "pequeno homem urinando", nada tem a ver com o diminutivo de Manoel: Maneco, Manequinho.

quarta-feira, março 28, 2007

Calçadas de Copacabana



Para calçar a Avenida Central, que acabara de rasgar, Pereira Passos fez vir de Portugal não só um grupo de calceteiros mas até as pedras abundantes nas cercanias de Lisboa, onde, desde 1842 já se vinham formando mosaicos nas calçadas e praças. Logo, as pedras (calcita branca e basalto negro) foram encontradas por aqui, e não mais importadas, mas conservaram o nome de pedras portuguesas .

Curiosamente, o desenho das ondas das calçadas da Av.Atlântica, que caracteriza o bairro e até o Rio de Janeiro, não é brasileiro, foi trazido por aqueles calceteiros lisboetas.

O desenho foi aplicado na Praça Floriano e na calçada da Av. Atlântica, também aberta por Pereira Passos no bairro que começava a ser habitado. O piso da atual Cinelândia ganhou novos desenhos, enquanto o da Av.Atlântica mais realce, a partir de 1970, com o alargamento das pistas e da calçada, e da extensão da faixa de areia. Chamado para refazer o calçamento, Burle Marx manteve o desenho anterior, de 1906, uniformizando a orientação e ampliando o tamanho das ondas, fazendo-as condizentes com a largura da nova calçada.


quarta-feira, março 21, 2007

Chafariz do Monroe

O maior chafariz do Rio tem 10m de altura, é no estilo Napoleão III, e foi comprado em 1878 em Viena, durante o governo de D. Pedro II. Obra de Mathurin Moreau, foi executada na fundição francesa Societé Anonyme des Hauts-Fourneaux & Fonderies du Val d’Osne. É dividido em 3 partes, ou seja, 1 base de ferro e 2 bacias; a bacia mais baixa é subdividida em 4, cada uma sustentada por uma estátua (2 cariátides e 2 atlantes). Acima desta, há outra menor, sustentado por 4 meninos que representam os 4 continentes explorados na época de sua confecção. A base é feita de granito nacional e os 2 conjuntos de anjos de mármore da base, não fazem parte do projeto original.

O chafariz foi inicialmente instalado na Praça XV de Novembro (Largo do Carmo). Em 1962 foi transferido para a Praça da Bandeira. E, em 1979, para o espaço onde estava o Palácio Monroe, hoje denominado Praça Monroe.


quarta-feira, março 14, 2007

General Osório










Na Praça XV, perto do Chafariz da Pirâmide, fica o monumento ao General Manuel Luís Osório, marquês do Herval, patrono da Cavalaria do Exército Brasileiro, inaugurado em 1894. A estátua, encomendada em 1887 a Rodolpho Bernardelli, foi fundida com o bronze dos canhões tomados durante a Guerra do Paraguai. Em seu pedestal repousaram seus restos mortais até 1993, quando foram exumados e transladados para o Parque Histórico que leva seu nome, no Rio Grande do Sul. Nas laterais do pedestal, há dois baixos-relevos que representam a batalha de Tuiuti e o ataque ao Passo da Pátria.

Muitos estranham estar o general, a cavalo, calçando sapatos, e não as tradicionais botas dos cavalarianos. A este respeito, esclarecia Bernardelli que Osório, depois dos ferimentos recebidos nas batalhas de Tuiuti e Avaí, não pôde mais calçar botas, razão porque o representou de sapatos.

quarta-feira, março 07, 2007

Igreja do Rosário

Construída a partir de 1701 pela Irmandade da NªSª do Rosário dos Homens Pretos, fica na Rua Uruguiana,77.

A Irmandade, criada em 1640, funcionava na Igreja de São Sebastião, no Morro do Castelo. Na mesma época e na mesma igreja funcionava uma confraria de São Benedito, também fundada por negros livres e escravos. Em 1669, a confraria incorporou-se à Irmandade que ficou sendo de Nª Sª do Rosário e de São Benedito dos Homens Pretos e Pardos.

Por volta de 1700, devido a desentendimentos com os padres da Igreja de São Sebastião, a Irmandade retirou daquela igreja a imagem de NªSª, que lhe pertencia, e decidiu construir uma igreja só para ela e para São Benedito. Com o auxilio do governador Luís Vahia Monteiro, o Onça, conseguiu um terreno na Rua da Vala (atual Uruguaiana), à época, os confins da cidade. A construção só foi concluída em 1725.

Em 1733, por causa do mau estado da Igreja de São Sebastião, os cônegos resolveram instalar a sede episcopal na Igreja do Rosário, apesar dos protestos da Irmandade. Os ânimos foram se exaltando, e os conflitos chegaram ao auge em 1808. Logo depois de sua chegada à cidade, a família real foi visitar a igreja, então funcionando como sé. Inconformados porque os cônegos não queriam que os negros e pardos, donos da igreja, participassem da recepção aos nobres, os devotos ocuparam a igreja pouco antes da chegada da família real, que se viu obrigada a passar entre alas de negros e pardos. A demonstração de força fez com que os cônegos transferissem a sé para a Igreja do Carmo, no Largo do Paço (atual Praça XV).

O templo fez muita história. No seu pátio, a partir da segunda metade do séc XVIII, foi permitido aos negros comemorar os festejos populares do Rei do Congo. Foi, por duas vezes sede do Senado da Câmara (1809 a 1822; e de 1822 a 1825). Participou do episódio do Fico, pois foi da igreja que saiu Clemente Pereira conduzindo o pedido, com oito mil assinaturas, para que D. Pedro não retornasse a Portugal como exigiam as Cortes, em Lisboa. Em 1830, quando D. Pedro I legitimou a Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, ela tinha sua sede no consistório da igreja. A Irmandade participou ativamente do movimento abolicionista.

Ainda no séc XIX a igreja passou por grande reforma, sendo reconstruídas as duas torres, e mantida a portada, de princípios do séc. XVIII. Seu estilo 'maneirista' (tardo-renascentista) difere do barroco que predomina na cidade. Em 26/03/1967, a igreja sofreu grandes danos causados por um incêndio que consumiu todo o seu interior.

Como agremiação de negros e pardos, muitos destacados membros dessa comunidade formaram parte, desde a época colonial, da Irmandade do Rosário e São Benedito, como o escultor e urbanista Valentim da Fonseca e Silva _ o mestre Valentim_ (enterrado na igreja em 1813, e recordado na entrada em uma placa de bronze) e o compositor e regente padre José Maurício Nunes Garcia, que foi diretor musical da igreja (1798-1808), quando ela ainda era a catedral da cidade. Ali funciona, hoje, o Museu do Negro, com peças da época da escravidão e documentos do movimento abolicionista.