quarta-feira, abril 16, 2008

Rua dos Ourives


Como ia desde a Igreja de Nª.Sª. do Parto (no final da Rua São José) até o morro da Conceição, ficou sendo, desde o séc. XVII, o Caminho do Parto para Conceição. Cortava, de modo oblíquo, as ruas perpendiculares ao litoral, quase como uma continuação da rua da Ajuda. Com o passar do tempo, nela começaram a instalar-se as oficinas dos lapidários e joalheiros, sempre olhados com desconfiança pelas autoridades, por suspeitarem da existência, entre eles, de receptadores do ouro sonegado à vigilância do Fisco nas Minas Gerais. Houve tempo em que foi proibida a profissão de ourives de obras de ouro. Somente depois da chegada de D.João foi a profissão exercida às claras.

Quando da abertura da Av. Central (hoje Rio Branco), foi ela dividida em dois pedaços que ficaram bastante distanciados um do outro. Ao pedaço menor, entre a São José e a Sete de Setembro, foi dado o nome de Rodrigo Silva, permanecendo o trecho maior, entre a Rua do Ouvidor e o Largo de Santa Rita, com a designação de Rua dos Ourives até que, em 1936, teve seu nome alterado para Miguel Couto por nela ter tido consultório o conceituado médico.

A foto mostra a Av. Rio Branco em 1920; à esquerda, vê-se a então ainda Rua dos Ourives na esquina de Ouvidor, note-se a Igreja de Nª.Sª. da Boa Morte, na Rua do Rosário. Á direita, não muito distante, a cúpula da Candelária. O mapa mostra, marcada em carmim, o traçado da rua dos Ourives antes da abertura da Av. Central.



quarta-feira, abril 09, 2008

Rua da Alfândega

Esta rua originou-se de um caminho que ia da orla marítima até a Lagoa da Sentinela (pela guarda atenta a ataques de índios) que existia nas proximidades de onde hoje é a Praça da República. Como outras ruas da cidade, teve diversos nomes ao longo do tempo, e nomes diferentes a cada trecho: Quitanda de Marisco e Mãe dos Homens; dos Ferradores, de Santa Efigênia, do Oratório da Pedra, de São Gonçalo Garcia.

Somente a partir de 1716 é que passou a ter o nome atual, devido à instalação, na praia e diante dela, da repartição da Alfândega.

Ali estabeleceram-se comerciantes ingleses chegados após a abertura dos portos, em 1808. Mais tarde, no trecho além da Rua da Vala (atual Uruguaiana), instalaram-se os sírios e libaneses. O povo os chamava de turcos (pois tanto a Síria quanto o Líbano estiveram sob o domínio turco desde 1568 até 1918). Essa área, conhecida como SAARA (sigla da Sociedade de Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega) tradicionalmente ocupada pelos turcos, vem assistindo, nos últimos tempos, a uma crescente substituição por coreanos e chineses.

A foto de Malta mostra operários em trabalhos no calçamento na Rua da Alfândega, em 14-9-1928. Note-se, na esquina da Av. Passos, a Casa Turuna, ainda hoje em atividade no mesmo local.

OBS: Veja que à direita, na lista de links, há enlace para ÍNDICE (cronológico e alfabético).




quarta-feira, abril 02, 2008

Abastecimento de água

O problema do abastecimento de água no Rio de Janeiro vem do tempo em que os franceses ocupavam a ilha de Villegagnon e os portugueses ainda estavam junto ao Cara de Cão. Se não era a da chuva, tinha que ser obtida na foz do rio Carioca, desde que os Tamoios o permitissem.

Expulsos os franceses e transferida a cidade para o Morro do Castelo, o problema persistiu. O recolhimento da água das chuvas era o recurso utilizado. Ainda hoje existe, no Convento de Santo Antonio, uma cisterna construída no século XVII.

O Governador Rui Vaz Pinto (1617-1620) instituiu uma taxa sobre o vinho para recolher recursos a aplicar em obras de abastecimento de água. Em 1723, foi construído o Aqueduto da Carioca que trazia água do rio Carioca desde o alto de Sta. Teresa até um chafariz onde escravos a recolhiam em barris para levar à casa de seus senhores. A cidade crescia, principalmente após a chegada da família real em 1808. E o governo começou a tomar medidas quanto ao abastecimento de água.

Reservatórios foram construídos na Tijuca (1850); na Quinta da Boa Vista (1867); na Ladeira do Ascurra (1868); e nos morros do Inglês e do Pinto, (1874).

A distribuição era feita usando carroças, ou ainda em barris levados por escravos, quando, em 1876, o eng. Antonio Gabrielli começou a construção de uma rede de distribuição. O problema de medir a quantidade de água fornecida era atendido pela chamada pena d'água, orifício em um diafragma colocado no cano de entrada da água (recurso que limitava o fluxo, em função da pressão da água naquele ponto da rede). Em 1840, a água, antes gratuita, passou a ser cobrada à razão de 100 reis por pena.

Em novembro de 1882, um decreto veio regulamentar as dimensões do orifício, de forma a permitir o fornecimento de 1200 litros de água a cada 24 horas.

O contínuo crescimento da cidade e da população obrigaram o governo a ampliar a rede e procurar mais fontes de abastecimento. Aproveitaram-se as águas das serras de Nova Iguaçu e Duque de Caxias, com as captações de São Pedro (1877), Rio d'Ouro (1880), Tinguá (1893), Xerém (1907), Mantiqueira (1908).

Desde então inúmeras obras vem sendo feitas para garantir o fornecimento de água aos habitantes desta cidade.

Curioso encontrar, no final da Rua Sabóia Lima, nas orilhas do Parque Nacional da Tijuca, e às margens do rio Trapicheiros, as ruínas de uma instalação, mais que centenária, que exibe uma placa onde se lê:

Sendo Presidente da República o Sr. Dr. Francisco de Paula Rodrigues Alves e Ministro da Indústria, Viação e Obras Públicas o Sr. Dr. Lauro Müller, a Inspeção Geral das Obras Públicas assentou este contador Venturi, o primeiro deste gênero instalado para o serviço de abastecimento d'água à Capital Federal. 28- 2- 1904


quarta-feira, março 26, 2008

Rua do Ouvidor


Manuel Aleixo, o Velho, que chegou com Estácio de Sá, foi Juiz Ordinário e Vereador do Conselho, possuía terras que iam desde a orla até além de onde hoje está a Rua Miguel Couto. Nestas terras e junto a um caminho chamado Desvio do Mar, foi o abastado Manuel Aleixo instalar sua chácara.

O Desvio transformou-se em Caminho depois Rua do Aleixo Manuel (1590), Rua Manuel da Costa, do Gadelha (1650) , do Barbalho, de Salvador Correa, da Santa Cruz (quando na esquina da Rua Direita _hoje 1ºde março_ se construiu, sobre as ruínas de um forte, a capela que veio a ser a Igreja da Sta. Cruz dos Militares). Em 1659, era a Rua do Padre Homem da Costa.

Em 1745, a Fazenda Real adquiriu algumas casas na rua para instalar a residência dos Ouvidores. O segundo deles (1748-1750), Francisco Berquó da Silva Pereira, tornou-se conhecido, e a rua passou a ser, desde então, a do Ouvidor.

Com a chegada da corte e da liberdade de comércio, a rua, que era de casas e quintais, transformou-se em centro de moda, escolhida que foi por muitos negociantes estrangeiros para nela instalar seus negócios. Lojas de modas, perfumarias, cabeleireiros, casas de música, cafés, confeitarias, atraiam a sociedade elegante. Os jornais de cidade e várias revistas nela instalaram suas redações.

Em 1829, após novo calçamento, foi proibido o trânsito de carros de boi. Em 1857, foi calçada com paralelepípedos. Em 1861, foi proibido o trânsito de cavaleiros e de quaisquer veículos após as 9 horas da manhã. Exceção, claro, ao Carnaval, quando os préstitos das Grandes Sociedades Carnavalescas desfilavam pela elegante rua.

Em 1897, a Prefeitura resolveu homenagear o comandante da malograda expedição contra os seguidores de Antonio Conselheiro e trocou o nome para Rua Coronel Moreira César. Durante anos permaneceram nas esquinas as placas com o nome do infeliz coronel. O povo, solenemente, desconheceu a nova denominação, obrigando as autoridades a voltar atrás, restituindo à rua seu nome tradicional.

Com a inauguração da Avenida Central _depois Rio Branco_ a Rua do Ouvidor perdeu a posição de destaque em que se manteve por quase um século.

Sobre ela escreveram vários autores: Machado de Assis, Manuel Antônio de Almeida, José França Júnior, e Joaquim Manuel de Macedo, que lhe dedicou um livro: “Memórias da rua do Ouvidor”.

Na foto, um aspecto da Rua do Ouvidor em 1880.


quarta-feira, março 19, 2008

Igreja de Santa Luzia


Era uma capelinha já existente, desde 1592, quando por aqui aportaram os primeiros franciscanos. A igreja foi construída a partir de 1572 em terras espremidas entre o Morro do Castelo e o mar. Há quem atribua a construção da capela a Fernão de Magalhães que teria mandado erguê-la, quando de sua passagem pelo Rio de Janeiro (dez1519) em direção ao sul do continente, para abrigar uma imagem de NªSª dos Navegantes.

Em 1817, D. João mandou alargar o caminho até o Convento da Ajuda, de forma a permitir a passagem de sua carruagem, já que deveria ir à igreja pagar uma promessa, feita à Santa, para curar o neto D. Sebastião de uma doença nos olhos.

Na Rua Santa Luzia tiveram sede os principais clubes de regata da cidade e diversas casas de banho dos freqüentadores da Praia de Sta. Luzia, que lhe ficava em frente.

As fotos mostram a igreja em 1885, já com as duas torres, espremida entre o mar e o morro do Castelo; a Rua Santa Luzia, em foto colorizada, após os primeiros aterros de Pereira Passos em 1910; a igreja, em 1960, tendo aos fundos os prédios construídos em terras ganhas ao morro; e, finalmente, a vista aérea, que mostra quão longe do mar está, hoje, a igreja (assinalada pela seta amarela).


quarta-feira, março 12, 2008

Largo da mãe do Bispo

Entre 1731 e 1805, no encontro das ruas então denominadas dos Barbonos (atual Evaristo da Veiga) e Guarda Velha (hoje, 13 de Maio) viveu D. Ana Teodoro Ramos de Mascarenhas, mãe do Bispo José Joaquim Justino Mascarenhas Castelo Branco.

Personalidade muito influente, respeitada e temida na cidade, D. Ana exercia um papel de autoridade informal, ouvindo queixas da população, decidindo pendências e resolvendo problemas, a ponto de fazer surgir a expressão "vá se queixar à mãe do bispo", que perdurou, por muito tempo, no linguajar carioca.

O Bispo, de volta das freqüentes visitas à mãe, foi alvo de mexericos que insinuavam que ele saía, altas horas da noite, era do Convento da Ajuda, depois de visitas noturnas às freiras. Os rumores foram tantos que ele determinou às igrejas que badalassem os sinos enquanto fazia o trajeto, a pé, da casa da mãe à sua residência.

Tão importante era a figura de D. Ana que o encontro das ruas passou a ser chamado de Largo da Mãe do Bispo, por mais de um século, até que a região fosse remodelada com a construção da Av. Central e da Praça Floriano.

O chafariz existente no Largo desde 1883 foi transferido, em 1904, para Botafogo, estando, hoje, na Praça Nicarágua (entre as avenidas Oswaldo Cruz e Ruy Barbosa).

A foto mostra o chafariz tendo, ao fundo, o prédio da Escola da Freguesia de São José, inaugurada em 1871, para onde se mudou o Conselho da cidade em 1897, no mesmo local onde hoje está a Câmara de Vereadores, em prédio, conhecido como Palácio Pedro Ernesto, inaugurado em 1923.

quarta-feira, março 05, 2008

Uma casa modernista


A casa de William Norchild, revolucionária para a época, foi projetada pelo arquiteto Gregori Warchavchik. Construída na Rua Tonelero, 138, causou grande repercussão na cidade quando inaugurada com uma mostra de arquitetura, em outubro de 1931. A inclinação do terreno propiciou um jogo de interpenetração de volumes até então inusitado.

Warchavchik, nasceu em Odessa, na Ucrânia, estudou arquitetura na cidade natal e em Roma, Itália. Chegou ao Brasil em 1923, fixando-se em São Paulo, onde em 1928, construiu a primeira casa modernista do país, na Vila Mariana. Foi convidado a lecionar no curso de arquitetura da Escola Nacional de Belas Artes por Lúcio Costa, que a dirigiu após a revolução de 1930.

O arquiteto americano Frank Lloyd Wright, em estada na cidade, esteve na casa, em visita e reunião com Lúcio Costa e Gregori Warchavchik (veja foto).

Pelo menos mais duas casas modernistas foram construídas, por Warchavchik em associação com Lúcio Costa, na Rua Tonelero entre a Praça Cardeal Arcoverde e a Rua Siqueira Campos.

A casa Norchild foi demolida na década de 1990 para dar lugar a um edifício de apartamentos.




quarta-feira, fevereiro 27, 2008

A iluminação no Rio de Janeiro (final)

Em fevereiro de 1879 foi feita a primeira experiência com a luz elétrica, na Estação D. Pedro II, repetida, mais tarde, nas oficinas do Jornal do Commercio. Finalmente, em 1887, constituiu-se uma companhia com a finalidade de fornecer luz e força pelo sistema belga idealizado por Edmund Julien.

Somente em 1906 surgiu a iluminação elétrica nas ruas da cidade, iniciando-se na recém-inaugurada Av. Central (hoje Rio Branco), pela empresa Braconnot contratada pela Societé Anonyme du Gaz, responsável pela iluminação da cidade.

As fotos mostram a iluminação da Av. Central. Os postes de calçada possuíam queimadores a gás, enquanto no canteiro central, a iluminação era provida por eletricidade através de arcos voltaicos, precursores das lâmpadas incandescentes.


quarta-feira, fevereiro 20, 2008

A iluminação no Rio de Janeiro (II)

Em 1824, a iluminação pública ainda estava sob a responsabilidade da Intendência Geral de Polícia. Lei de outubro de 1828, que deu nova forma às Câmaras Municipais, lhes passou esta atribuição.

A iluminação a gás foi inaugurada, em 1807, em Londres; em 1816, em Baltimore, nos EUA, seguindo-se Boston e Nova Iorque. Depois de várias tentativas fracassadas empreendidas por alguns empresários, Irineu Evangelista de Souza apresentou proposta em que pedia 27 réis por hora de luz, comprometendo-se a assumir a despesa com a colocação dos lampiões e a estender a iluminação da Lapa até Botafogo. O contrato assinado em 11 de março de 1851, rezava que as obras deveriam estar concluídas em 4 anos, sendo que até 1853 o primeiro terço da área deveria estar pronto.

Para levar a cabo a tarefa, foi criada a Companhia de Iluminação a Gás em 25 de março de 1854. Três anos depois, o gás já chegava a 3.027 lampiões públicos, 3.200 residências e três teatros O movimento, no centro, aumentou como que instantaneamente: cafés, restaurantes, teatros entraram em plena atividade, e a vida na Corte começou a tomar novos ares, os de uma cidade moderna. Em 1865 a concessão passou à empresa inglesa, Rio de Janeiro Gás Company Limited..

A foto, de 1895, mostra um acendedor de lampiões carioca no seu trabalho.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

A iluminação no Rio de Janeiro (I)

Quando o Rio de Janeiro passou a ser capital da colônia, em 1763, as ruas ainda eram iluminadas por candeeiros a óleo de baleia, ou por velas de cera, colocados em lampadários, ou ainda em oratórios em frente aos quais os devotos faziam suas orações. Essa era a única iluminação, além daquela provida pelo luar.

Havia ruas com dois e até três desses oratórios, construídos por particulares em seus prédios, embora o óleo de peixe fosse, muitas vezes, rateado entre os vizinhos.

Sabe-se que, no tempo do Vice-Rei Dom Luiz de Vasconcelos e Souza (1779-1790) havia 73 desses lampadários, distribuídos pelas 4 freguesias em que se dividia a cidade: 22 na da Sé, 12 na de São José, 27 na da Candelária, e 12 na de Santa Rita. E a população do Rio atingia 30.000 habitantes.

No período seguinte, do Vice-Rei Dom José Luiz de Castro, Conde de Rezende (1790-1801) é que a iluminação pública passou à responsabilidade dos cofres públicos. Cem lampiões foram instalados entre a Rua Direita (atual 1º de Março) e o Campo de Santana. Este era o trecho urbano; o que estava além deses limites era sertão. Mesmo assim, a iluminação era péssima.

Com a chegada da família real, foi criado o cargo de Intendente Geral de Polícia (tal como existia em Portugal) e nomeado o desembargador e ouvidor-geral do crime Dom Paulo Fernandes Viana que tratou de dotar a cidade de iluminação condizente com as obrigações da polícia. Circundou de lampiões de azeite o Paço e o Palácio da Quinta da Boa Vista, e povoou a cidade com postes de pedra encimados por lampiões, inclusive o caminho do aterrado (via que levava por rua ganha aos alagados além do Campo de Santana, até ao Quinta da Boa Vista) depois, por isso, caminho das lanternas; mais tarde, Rua Senador Euzébio: hoje, Av Pres. Vargas.

Um desses lampiões a óleo de baleia, retratado por Debret por volta de 1820, é mostrado na figura. Esses lampiões foram utilizados até o advento do gás em 1854. A foto mostra um lampadário que existiu na esquina das ruas da Alfândega e Regente Feijó por cerca de 150 anos, antes de ser demolido em 1906.



quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Coreto na Praça XV

Em 21 de julho de 1903, foi inaugurado um coreto na Praça 15 de Novembro, iniciativa do Prefeito Pereira Passos. Era de ferro sobre uma base de alvenaria, grande o suficiente para abrigar 80 músicos. Ofertou-o à cidade a Companhia Carris Urbanos, mandando construí-lo na Fundação Indígena.

Houve muita controvérsia. Uns acharam ruim a idéia de, naquele local, levantar um pavilhão de música mais apropriado a um parque. Outros , ao contrário, acharam excelente a idéia de instalá-lo ali, em uma praça recém-ajardinada, junto a terminais de várias linhas de bonde e de barcas.

A inauguração, concorridíssima, ocorreu às 4 horas da tarde, com a excelente banda de música do Corpo de Marinheiros Nacionais, conduzida pelo Primeiro-Tenente João Pereira da Silva, executando programa em que constavam: Saldanha, marcha do mesmo João Pereira da Silva; Aída, fantasia de Verdi; Noite no Castelo, fantasia de Carlos Gomes; e Triunfo, ouverture de Suppé; entre outras.

O coreto, ainda na primeira metade do século passado, foi transferido para Sepetiba, onde está até hoje na Praça Washington Luiz.

Na foto da Praça XV pode-se ver o coreto na direção do relógio da Estação das Barcas. E, abaixo, duas vistas do coreto: antes da transferência e, hoje, em Sepetiba.


quarta-feira, janeiro 30, 2008

Morro do Castelo

Foi, inicialmente, chamado de Descanso, depois, de São Januário. Do Castelo passou a ser após a construção da fortaleza em seu cume.

O primeiro acesso era pela Ladeira da Misericórdia, cujo início existe, até hoje, junto à igreja de NªSª de Bonsucesso. Mais tarde veio a ter mais dois acessos: a Ladeira do Seminário (do Poço do Porteiro, da Mãe do Bispo ou da Ajuda), que vinha de onde hoje fica os fundos do Museu Nacional de Belas Artes, e a chamada Ladeira do Colégio (do Castelo, do Cotovelo ou do Carmo), que ficava no prolongamento da Rua por detrás do Carmo (hoje Rua do Carmo) e ia dar no Colégio dos Jesuítas.

O local não poderia ter sido melhor quando, em 1567 o governador Mem de Sá ordenou a mudança. Do local era possível ver não só a entrada da barra como toda a extensão da baía. Prédios importantes foram construídos e que resistiram até o arrasamento do morro, no início do séc.XX. A fortaleza de S.Sebastião, a igreja consagrada ao mesmo santo, a casa da Câmara, o colégio e a igreja dos jesuitas destacavam-se entre o casario dos primeiros habitantes. A igreja dos jesuítas tinha sobre a porta a inscrição 1567, ano em que se iniciou sua construção.

A expulsão dos jesuitas, ordenada pelo marquês de Pombal e executada pelo conde de Bobadela em 1759, ocasionou a transformação do prédio que era colégio em um hospital militar e a igreja em capela do hospital; a seu lado, nas bases de uma nova igreja não concluída, foi instalado um observatório astronômico. Havia, ainda, um posto de sinais para comunicação com as fortalezas e os navios.

Coube ao prefeito Carlos Sampaio decretar, em agosto de 1920, o fim do morro do Castelo. No dia 1º de novembro de 1921 celebrou-se a última missa na ig de São Sebastião, ocupada pelos «barbadinhos». As lendas sobre tesouros escondidos pelos jesuítas que, ao sairem apressados, teriam deixado enterrados no morro, foram se dissipando à medida que o desmonte prosseguia.

As obras que deveriam estar terminadas para a Exposição do Centenário da Independência, só vieram a ser concluídas anos mais tarde. A área resultante do desmonte, num total de 184 mil metros quadrados, passou a ser conhecida por Esplanada do Castelo.

A terra obtida do desmonte foi utilizada para a formação da Av. Beira-Mar, do aeroporto Santos Dumond, e do bairro da Urca.

A foto maior mostra a Ladeira do Colégio na encosta do Morro do Castelo (repare, à esq., a igreja de São José); no desenho vêem-se os três acessos ao alto do morro; na foto aérea, de 1934, é possivel identificar o Theatro Municipal e a Av. Rio Branco e ver parte da Esplanada; na última foto, outro aspecto da Esplanada vendo-se, ao longe e pelos fundos, a igreja de Sta Luzia.


quarta-feira, janeiro 23, 2008

Rua da Assembléia


Por muitos anos foi Rua da Cadeia porque para ela se abriam as janelas da prisão da cidade, no térreo do edifício da Câmara. Foi Rua de Manoel Brito, que nela teve um negócio de pastéis. Foi caminho para São Francisco por causa de um cruzeiro dedicado ao santo, que existia no Largo da Carioca, em frente ao Convento de Santo Antonio. Foi ainda Rua do Padre Bento, que ali residiu no final do Sec XVII. Finalmente, passou a ser chamada de Rua da Assembléia por motivo da instalação da Assembléa Geral Constituinte e Legislativa convocada por decreto de 3 de junho de 1822 do ainda Príncipe Regente D. Pedro, graças ao movimento independentista do Rio, liderado por Gonçalves Ledo e cujo centro de irradiação era o Senado da Câmara, então funcionando no consistório da Igreja do Rosário.

Nessa Assembléia concorreram, como deputados pela Província de Minas Gerais, José de Rezende Costa Filho e o padre Manoel Rodrigues da Costa, dois dos inconfidentes que, trinta anos antes, estiveram presos no mesmo prédio.

O Decreto de 1921, que alterou o seu nome para República do Peru, foi revogado em 1937, para que voltasse a ser da Assembléia, nome consagrado pelo povo.

A foto mostra a cadeia velha, no prédio que antecedeu o Palácio Tiradentes que hoje conhecemos. O local é ocupado desde o séc XVII, quando os vereadores decidiram abandonar o Morro do Castelo, e construir uma nova câmara na, então, Rua da Misericórdia, perto da Igreja de São José.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Numeração dos prédios











Os prédios no Rio de Janeiro _e em muitos outros lugares_ não tiveram numeração durante muito tempo. As cartas chegadas à cidade vinham endereçadas a Fulano "que mora perto da Igreja da Cruz" ou a "Chico, Açougueiro da Rua do Sabão", como nos conta Charles Dunlop.

Mais tarde, as casas passaram a receber números colocados à esmo, ou na ordem cronológica de sua construção, sem qualquer método. O prédio 412 da Rua da Alfândega, foi, por muito tempo, fronteiro ao de nº 1 que, por sua vez, ficava na mesma calçada que o de nº 210.

Essa balbúrdia perdurou até que Clemente Ferreira França, Ministro da Justiça, instituiu, por Aviso de 21 de maio de 1824, um sistema de numeração proposto pelo arquiteto Pedro Alexandre Cavroé. É de se notar que o primeiro sistema de numeração de prédios surgiu em Paris, na década de 1780.

O sistema adotado no Rio previa a colocação dos números pares à direita, e ímpares à esquerda de quem desse as costas para o início da rua. Nas ruas paralelas à orla, desde São Bento até o Calabouço, os números eram verdes sobre fundo amarelo; e, nas perpendiculares, a partir da orla, amarelos sobre fundo verde.

A vantagem anunciada era a facilidade de orientação dos transeuntes, mas parece que, na verdade, o propósito era um melhor controle da taxação da décima-urbana (o imposto predial da época).

A numeração então adotada foi bastante elogiada. Dela resultou o sistema atual em que a quase totalidade das ruas da cidade do Rio de Janeiro é orientada do centro para a periferia, e da orla para o interior, e os números pares ficam sempre do lado direito e os ímpares do lado esquerdo. A Av. Atlântica, por exemplo, é uma que segue a numeração métrica, isto é, o prédio 2616 fica a cerca de 2,6km a contar da Praça Almirante Júlio de Noronha, no Leme, início da contagem. A Av. NªSª de Copacabana (que se inicia na rua Antonio Vieira), não obedece a este padrão métrico. As avenidas Epitácio Pessoa e Borges de Medeiros começam no Jardim de Alá e seguem, cada uma por um lado, pela orla da Lagoa Rodrigo de Freitas, até terminarem nas cercanias do Humaitá; os prédios da Epitácio só têm números pares; e os da Borges, números ímpares, exceto o da sede Esportiva do Clube Naval, na Ilha do Piraquê, que leva o número 2364.(O endereço do Clube Caiçaras é Epitácio Pessoa, s/n.)

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Rua Gustavo Sampaio


Inicialmente chamada de Rua Bernardo de Vasconcellos, ia apenas até a Rua Anchieta. Foi oficialmente inaugurada em 1894 quando recebeu os trilhos da Cia. Ferro-Carril Jardim Botânico, embora tivesse sido projetada 20 anos antes, e em 1879 já possuísse 18 casas. Como resultado dos melhoramentos feitos pelo Prefeito Pereira Passos, foi prolongada até a Praça do Vigia (atual Julio de Noronha), recebeu uma nova estação de bondes e um restaurante, o que propiciou o aumento da procura e a construção de novas moradias.

Conta-nos Brasil Gerson que as passagens de bondes continham versos enaltecendo o bairro, como, por exemplo:


"Pedem vossos pulmões ar salitrado.

Correi, antes que a tísica os algeme,

Deixai do Rio o centro infeccionado,

Tomai um bonde que vá dar ao Leme."

Recebeu a denominação atual em 31 de outubro de 1917, por Decreto municipal de nº. 1.165, em homenagem a Gustavo Sampaio, tenente de Exército, morto com a guarnição da peça que comandava na Fortaleza da Laje, durante a Revolta da Armada (revolução de 1893 contra Floriano Peixoto). É considerado um herói florianista.

Em 1920, a rua já exibia 103 construções. Hoje, abriga prédios de apartamentos em toda a sua extensão, e comércio que atende a todo o bairro do Leme, muito diferente do início do séc. XX quando fora dominada por casas e bangalôs.

As fotos (de Gutierrez) mostram a Fortaleza da Laje durante a Revolta da Armada, cenário que vitimou Gustavo Sampaio. E o cartão postal exibe uma vista da rua no início do século passado.



quarta-feira, janeiro 02, 2008

Os tigres do Rio

Lei de 1853 concedeu a John Frederick Russel, súdito britânico e major de nossa Guarda Nacional, o privilégio exclusivo de, por 90 anos, "construir e estender todas as obras necessárias para o estabelecimento de um sistema completo de despejos e esgotos das habitações, semelhante ao adotado na Inglaterra". De fato, à época, o serviço de esgoto só existia em Londres e Hamburgo, além de pequena área em Nova York.

O concessionário gozava de isenção de impostos de importação do material necessário, e direito de exportar, sem impostos, todo o estrume que resultasse do tratamento em suas máquinas. Entretanto, as obras só se iniciariam em fevereiro de 1862 quando a concessão foi transferida para a The Rio de Janeiro City Improvements Co., Ltd., que ficou conhecida como a CITY.

Até então, os dejetos eram guardados nas residências, em barris. A remoção dos barris cheios se fazia, normalmente à noite, quando escravos, carregando os barris à cabeça, cruzavam a cidade até terrenos baldios ou o mar, onde a imundície era despejada.

Um comerciante inglês que viveu no Rio entre 1808 e 1818 relata que, em muitos casos, esses barris eram esvaziados diariamente, em outros, apenas uma vez por semana, dependendo do número de escravos disponíveis (e, necessariamente, da quantidade de usuários do mesmo barril). Se ocorresse desabar uma chuvarada, a carga era despejada em plena rua, deixando-se, à enxurrada, a tarefa de levá-la ao mar.

O conjunto escravo-barril era apelidado de tigre, em razão do aspecto dos carregadores. Transbordamentos iam deixando rastros no corpo do homem que, assim, ficava com listras sinuosas.

Conta Manoel de Macedo (o autor de A Moreninha) que um viajante francês, demorando-se por alguns dias no Rio, ouviu, de patrícios, queixas dos incômodos tigres que, freqüentemente, corriam pelas ruas à noite. Algum tempo depois, veio a publicar um livro de viagens em que relatava: "Na cidade do Rio de Janeiro, capital do Império do Brasil, feras terríveis, os tigres, vagam, durante a noite, pelas ruas..."

Segundo Brasil Gerson , em sua História das Ruas do Rio de Janeiro, o local onde residiu Mr. Russel deu nome à região onde, mais tarde, foi construído o Hotel Glória.

A foto mostra, em 1903, a chaminé de uma Estação de Tratamento da City, e a ponte de atracação das chatas que eram rebocadas conduzindo para fora da barra os resíduos do tratamento das fezes da cidade. O local, hoje, é ocupado pelo SEAERJ (Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Rio de Janeiro).


quarta-feira, dezembro 26, 2007

Ilha Fiscal

Inicialmente, era chamada de Ilha dos Ratos, porque era coalhada de pequenas pedras cinzentas que, vistas à distância, pareciam ratos.

A necessidade de um posto alfandegário próximo ao fundeadouro dos navios mercantes em frente ao Largo do Paço (atual Pça XV) levou à construção da notável edificação na, já então, chamada Ilha Fiscal.

O castelo foi projetado pelo engenheiro Adolpho José del Vecchio, diretor de obras do Ministério da Fazenda, que o fez em estilo gótico provençal, recebendo a Medalha de Ouro em exposição na Escola Imperial de Belas Artes, e um elogio do Imperador.

A construção foi executada com qualidade por exímios profissionais. O trabalho em cantaria é de Antonio Teixeira Ruiz; os mosaicos do piso do torreão, feitos com diversos tipos de madeira, é de Moreira de Carvalho. As pinturas decorativas são de Frederico Steckel. Os vitrais são ingleses e o relógio de Krussmann. As fundições de Joaquim Moreira & Cia. O prédio foi inaugurado pelo Imperador, em 1889.

A festa programada para 19 de outubro (vide foto do convite) foi transferida, face às notícias recebidas a respeito da saúde de D. Luís, rei de Portugal e sobrinho de Pedro II, que viria a falecer em seguida.

Pouco depois, em 9 de novembro, realizou-se a festa, conhecida como o "último baile do Império", na verdade, uma recepção em homenagem à oficialidade do Encouraçado chileno Almirante Cochrane, em retribuição à bela acolhida que os chilenos haviam propiciado aos brasileiros do Navio-Escola Almirante Barroso, por ocasião de sua passagem pelo Chile, no ano anterior.

Em 1913, o prédio foi transferido para a Marinha que nele instalou a Repartição da Carta Marítima _atual Diretoria de Hidrografia e Navegação, DHN_ que desde fevereiro de 1983 funciona na Ponta da Armação, em Niterói. Em 1996, a Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural da Marinha já havia iniciado seu projeto de restauração, com o apoio do Serviço de Documentação da Marinha e sob supervisão do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac).

Hoje, a Ilha Fiscal está aberta à visitação (e também para a realização de eventos). De quinta a domingo, tours guiados permitem conhecer os salões com exposições, os vitrais, os trabalhos em cantaria, todo o edifício.

Ilustram o post uma foto da Ilha e uma reprodução do convite para a famoso baile.




quarta-feira, dezembro 19, 2007

O Cabo Submarino


Em 1853, quatro anos após ter sido concluída a primeira ligação telegráfica submarina, o governo imperial já se preocupava com a ligação, por esse meio, do Brasil com a Europa. Houve algumas tentativas que não vingaram. Finalmente, em 1872, foi concedido ao Barão de Mauá, por decreto de 16 de agosto, o direito de lançar cabos submarinos e explorar a telegrafia por 20 anos.

Em 23 de dezembro de 1873, concluia-se a ligação entre Belém, Recife e Salvador ao Rio de Janeiro, na presença de Pedro II que, da praia, assistiu à chegada do cabo e a finalização da ligação em uma construção em Copacabana. Tão pronto a ligação foi concluída, o Imperador enviou cabogramas aos presidentes das três Províncias, nos seguintes termos: «Já se acha o cabo submarino no território da capital do Brasil. A eletricidade começa a ligar as cidades mais importantes deste Império, como o patriotismo reúne todos os brasileiros no mesmo empenho pela prosperidade de nossa majestosa pátria. O Imperador saúda, pois, a Bahia, Pernambuco e Pará por tão fausto acontecimento, na qualidade de seu primeiro compatriota e sincero amigo. Até aos bons anos de 1874.» Neste dia, o Barão de Mauá foi elevado a Visconde.

Em 22 de junho de 1874, quando a ligação com a Europa foi completada (de Recife a Carcavelos em Portugal,via Cabo Verde e Ilha da Madeira), a notícia foi alcançar o Imperador em visita à Biblioteca Nacional, então na Rua do Passeio, 46. Sua Majestade mandou passar cabogramas ao presidente da Brazilian Submarine Telegraph Company _depois_ Western Telegraph Co. Ltd. E aos monarcas de Portugal, Inglaterra e Áustria.

Houve manifestações na Câmara e júbilo popular. A Imprensa divulgou, por vários dias, notícias à respeito.

A gravura mostra, à direita, o casebre onde foi instalado o terminal do cabo submarino. Hoje, no local, está o prédio nº 4.228 da Av. Atlântica.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Pardais

Consta que foi Pereira Passos que mandou vir, de Portugal, 200 pardais (Passer domesticus) que foram soltos no Campo de Santana, em 1903. Ele imaginava, assim, acabar com os mosquitos da malária que infestavam a cidade. Ocorre que esses pássaros só se alimentam de insetos na época da reprodução, quando necessitam maior quantidade de proteína.

Há gente que reclama, classificando-os de praga e culpando-os pela fuga dos pássaros nativos, como o tico-tico. Na verdade, foi o próprio homem que, através da crescente urbanização e consequente eliminação das árvores frutíferas, expulsou os pássaros nativos. Os pardais são gregários e, diferentemente das espécies nativas, completamente adaptados à vida citadina; constroem ninhos em buracos de construções, sinais de trânsito, sob telhas, quase nunca em árvores.

Os ninhos têm uma forma esférica, com entrada lateral, bastante macio por dentro mas mal acabado por fora. São construídos pelos machos que, assim, conquistam a companheira. Os ovos, em geral 3 ou 4, são pintados e a incubação, feita pelo casal, demora de 11 a 14 dias. O macho distingue-se por uma mancha negra no peito e uma faixa acastanhada que vai dos olhos à nuca; alcançam 15cm de comprimento. Alimentam-se de sementes, brotos de plantas, restos de alimentos dos humanos e insetos; misturam-se às outras aves na disputa da comida. Não sabem cantar, apenas piam; e não caminham com elegância, mas aos saltos.


quarta-feira, dezembro 05, 2007

Beco das Garrafas

Na Rua Duvivier, entre os números 21 e 37, há uma pequena ruela que foi muito frequentada, na década de 1950. Aí se concentravam pequenos bares, conhecidos como "fumaceiros" cujos frequentadores faziam tanta algazarra de madrugada, quando saíam dos bares, que os moradores da vizinhança protestavam jogando garrafas desde o alto dos edifícios. Razão porque Sérgio Porto a apelidou de Beco das Garrafadas, depois abreviado para Beco das Garrafas.

No beco enfileiravam-se um «inferninho» chamadp Ma Griffe ; o bar Bottle's; a boite Baccarat, um templo da Bossa Nova; e, finalmente, o Little Club, pioneiro dos chamados shows de bolso.

No Baccarat , ficaram conhecidos e atingiram o estrelato Dulores Duran e Helena de Lima. Havia um garçon, o Pierre, que interpretava canções francesas ainda com a bandeja debaixo do braço, e que mais tarde abriu seu próprio bar, o Kilt Club,não muito longe dali, na Rua Carvalho de Mendonça.

Luiz Carlos Miele foi o mais famoso produtor de shows neste recanto de Copacabana, em que se apresentaram, entre outros, Leny Andrade, Dóris Monteiro, Tito Madi, Luís Carlos Vinhas, Sérgio Mendes, Baden Powell, Nara Leão.

Na década de 1960 entrou em decadência, perdendo o brilho e a fama conquistados na década anterior.