quarta-feira, agosto 08, 2007

Igreja da Lapa


Em 1751, na região hoje conhecida como Lapa, foi iniciada a construção de uma igreja e seminário dedicados à Nª Sª do Carmo da Lapa do Desterro. A região vinha sendo valorizada desde a construção (1712-1726) e ampliação (1738-1744) do aqueduto.

A igreja, com projeto atribuído ao Brigadeiro Alpoim, tem uma nave única, simples, com a sacristia atrás do altar-mor. A fachada apresenta um frontão reto, clássico, onde foi acrescentado um relevo com o símbolo da Ordem do Carmo. Apenas uma torre foi construída. Os frades desalojados de seu convento no Largo do Paço em 1808, converteram, dois anos depois, a igreja em capela conventual, reformando-a internamente. No altar-mor, esculpido por Mestre Valentim, está a padroeira NªSª do Carmo, e, em quatro altares colaterais, NªSª das Dores, NªSª da Lapa, um dos Passos da Paixão, e a Sagrada Família. As pinturas de teto e a barra de azulejos foram executadas na segunda metáde do séc XIX.

Ao lado da igreja instalou-se, ainda no séc. XIX, a capela do Divino Espírito Santo que, desde o século anterior ficava em frente, no local hoje ocupado pela Sala Cecília Meirelles.

O antigo seminário da Lapa, transformado em convento carmelita, pegou fogo em 1959 quando preciosas obras em talha e pintura foram perdidas. No local, existe hoje um prédio, sem valor artístico, ocupado por empresas.

Na foto (P&B) de Marc Ferrez vê-se o edifício do Grande Hotel onde hoje funciona a Sala Cecília Meirelles.





quarta-feira, agosto 01, 2007

Rua Sete de Setembro


Surgiu do caminho aberto para a passagem de um cano de pedra que dava vasão às águas da Lagoa de Santo Antonio, um banhado que existia onde hoje é o Largo da Carioca. Ficou, por isso, sendo a Rua do Cano até 1856, quando foi nomeada Sete de Setembro.

A rua era limitada pelo muro de uma capela construída entre o Convento do Carmo e a Capela Imperial. Essa capela fora vendida, em 1635, pelos frades, a D. Maria Barreto, e posteriormente transferida à Irmandade do Senhor dos Passos. Apenas em 1857 foi a capela demolida para que a rua pudesse alcançar o Largo do Paço (hoje, Praça XV). Em seu lugar ficou uma passarela com janelas, por dentro da qual passava a familia real para ir à Capela, sem necessitar pisar o chão do Largo, livres do assédio do povo. É de se lembrar que já existia um passadiço do Palácio para o Convento, desde que este se tornara residência da Rainha D. Maria, a Louca.

O passadiço sobre a rua seria demolido no início da república, mas ela só seria alargada no início do século XX. E, em 1975, transformada, como algumas outras no centro da cidade, em via apenas para pedestres.

A foto, de Malta, mostra a passarela sobre a Sete de Setembro a que nos referimos.

quarta-feira, julho 25, 2007

Casa França-Brasil



O edifício onde está instalada a Casa França-Brasil foi mandado erguer por D.João VI, em 1819, para servir de Praça do Comércio. Projetado pelo arquiteto Grandjean de Montigny, o prédio é o primeiro registro do estilo neoclássico no Rio de Janeiro. Foi inaugurado em 13 de maio de 1820, e tornou-se logo importante centro de comércio da cidade.

Quando de seu regresso a Portugal, quis o rei deixar leis que lhe garantissem o controle da colônia. Às vésperas da partida, em 1821, o povo rebelou-se e, na Praça do Comércio, passou a exigir, entre outras coisas, uma constituição liberal. O movimento foi violentamente reprimido pelas tropas do rei, que invadiram o prédio e dissolveram a manifestação. Em protesto, os comerciantes abandonaram o prédio que acabou fechado.

Com a independência, D.Pedro I destinou-o ao uso da Alfândega. Para isso, o prédio sofreu algumas modificações levadas a cabo por André Rebouças. O Rio era o mais importante porto do nosso comércio internacional, e assim continuaria até que a inauguração do porto de Santos, no segundo reinado, viesse diminuir sua importância econômica. A Alfândega funcionou alí até 1944, quando foi transferida para a Av. Rodrigues Alves.

Embora tombado pelo Patrimônio Histórico desde 1938, o prédio vinha sofrendo com a falta de conservação, arriscado até a desabar. Depois de algum tempo sem função, passou a abrigar o II Tribunal do Juri, que o ocupou de 1956 a 1978, período em que recebeu alguma assistência.

Após a mudança do Tribunal, quase foi demolido. A construção do viaduto da perimetral havia provocado rachaduras, e o tráfego pesado abalado sua estrutura, causando infiltrações e outros comprometimentos. Obras de escoramento, concluídas em 1979, salvaram o prédio. No início da década de 1980, o IPHAN realizou grandes obras, necessárias à recuperação do prédio, e surgiram idéias de aproveitamento cultural.

Em 1984, Darcy Ribeiro, então Secretário de Cultura do Estado, iniciou conversações com o governo francês para a implantação de um centro destinado ao intercâmbio cultural entre Brasil e França. Trabalhos de restauração fizeram com que o prédio retornasse ao aspecto original, como havia sido projetado por Montigny.

Finalmente, em 29 de março de 1990, foi a Casa França-Brasil inaugurada.

A foto P&B mostra o prédio na década de 1940.

quarta-feira, julho 18, 2007

Igreja de Nª Sª de Bonsucesso













Pouco tempo depois de o padre Anchieta ter fundado, em 1582, a Santa Casa da Misericórdia, foi construída uma capela dedicada a NªSª da Misericórdia, padroeira da casa. No séc XVII a Irmandade resolveu trocar a invocação para NªSª de Bonsucesso. A pedra fundamental de uma nova capela-mor foi lançada em 1724, mas a falta de verbas impediu o aumento da nave principal. Finalmente, as obras projetadas pelo Brigadeiro Alpoim foram concluídas em 1780. A fachada, um frontispício jesuítico, bastante simples, apresenta duas janelas no côro.

O altar-mor, de 1822, é uma doação de D. Pedro I. Quando do desmonte do morro do Castelo, a igreja recebeu três altares da Capela do Colégio dos Jesuítas que existia no morro. Esses altares, esculpidos em 1620, no estilo maneirista, são os mais antigos existentes na cidade. Na sacristia há, ainda, um belo lavabo barroco português em pedra, do início do século XVIII.

Na foto do início do séc.XX, vê-se, ainda, o início da subida da Ladeira da Misericórdia e, no alto do Morro do Castelo, o colégio dos jesuítas e a torre da igreja de Santo Inácio de Lyola. Hoje, da Ladeira resta um pequeno trecho conservado como testemunho daqueles tempos. Na foto mais recente pode-se admirar a singeleza da fachada.

quarta-feira, julho 11, 2007

Igreja da Santa Cruz dos Militares


Nas ruínas do forte de Santa Cruz, construído à beira-mar, na Rua Direita (hoje Primeiro de Março) em 1585, foi instalada uma capela pela Irmandade de Sta Cruz, em 1623. A Irmandade fora criada pelos militares do Rio de Janeiro em 1611. A capela, depois de cinco anos de obras, transformou-se em sólida igreja. Serviu de catedral por duas vezes, de 1703 a 1704 e de 1734 a 1737, devido às péssimas condições da igreja de São Sebastião, no alto do morro do Castelo.

O corsário francês Duclerc, em 1710, tentou invadi-la, mas acabou sendo capturado perto dela. Duguay-Trouin, no ano seguinte, conseguiu saqueá-la.

Em 1780, foi lançada a pedra fundamental de uma nova igreja que levaria 22 anos para ser concluída. Projetou-a o Brigadeiro José Custódio de Sá e Faria. A talha foi feita por Mestre Valentim, entre 1805 e 1812. A fachada foi inaugurada por D.João em 1811; e a torre sineira, que fica no fundo do prédio, foi inaugurada no ano seguinte. Quando pronta, a igreja constituiu a melhor expressão do barroco jesuítico na cidade.

As estátuas de São Mateus e de São João Evangelista, que tinham sido colocadas nos nichos da fachada, estão hoje no Museu Histórico Nacional.

Em 1828, D.Pedro I concedeu o título de Imperial à Irmandade. Foram provedores o Duque de Caxias, em 1870, e o Conde d'Eu, marido da Princesa Isabel e Ministro da Guerra de Pedro II. Dez bandeiras tomadas ao inimigo na batalha de Avaí, em 1868, foram entregues à Irmandade para serem depositadas na igreja, a pedido dos soldados.

No quadro (acima) do inglês Richard Bates, do séc.XIX, pode-se ver a torre sineira. As fotos, abaixo, mostram a fachada e o interior.

A Igreja da Sta Cruz dos Militares foi tombada, em 1938, pelo IPHAN. Fica localizada na Rua Primeiro de Março, 36, na esquina com a Rua do Ouvidor.




quarta-feira, julho 04, 2007

Ponte da Ilha das Cobras



























A curiosa ponte pênsil «Almirante Alexandrino de Alencar» unia, ao continente, a Ilha das Cobras, onde ficavam o Hospital Central da Marinha, o Batalhão Naval e outros estabelecimentos da Marinha. Foi inaugurada em 1915, e levava o nome do Ministro da Marinha que a mandara construir. Possuia um transportador volante que percorria seus 288m de comprimento conduzindo cargas, e até 400 pessoas em pé.

Com a transferência do Arsenal de Marinha para a ilha, e a construção de um novo Depósito Naval, a ponte pênsil já não atendia às necessidades, razão porque foi necessário substituí-la pela «Arnaldo Luz», o que ocorreu em 1930.

Hoje, desmontada a ponte «Alexandrino de Alencar», permanece em serviço a «Arnaldo Luz», que já completou mais que 70 anos de uso.

Na fotos, pode-se ver: a ponte pênsil; as duas pontes, lado a lado; e, finalmente, uma vista da plataforma móvel a meio caminho do trajeto.

quarta-feira, junho 27, 2007

Largo do Capim


A praça que existia na Rua dos Andradas, entre Gen. Câmara e São Pedro era conhecida por Largo do Capim por ser local do mercado oficial de capim e forragem para os animais de montaria e tração de veículos. Em 1869 teve seu nome alterado para Praça General Osório, voltando a ter a denominação original em 1917. A Cia Federal de Fundição construiu, em 1913, um pequeno mercado que substituiu as bancas improvisadas mostradas na foto de Malta, de 1912.

Desapareceu, em 1943, quando da construção da Av. Pres. Vargas. A Rua Gen Câmara tornou-se a pista do lado impar da nova avenida, enquando a Rua São Pedro passou a ser a pista do lado par.

quarta-feira, junho 20, 2007

Escola de Belas Artes














A Imperial Escola de Belas Artes passou a funcionar. em 1826, em prédio próprio, projeto de Grandjean de Montigny, na Travessa do Sacramento (atual Av. Passos) sendo inaugurado pelo Imperador D. Pedro I.


A IEBA sucedia a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, criada por D.João VI, já soberano do Reino Unido, por decreto de 12 de agosto de 1816.


Passou a chamar-se Escola Nacional de Belas Artes, a partir de 1890. No início do séc XX, com a abertura da Av. Central, passou a funcionar no prédio projetado por Morales de los Rios, onde hoje funciona o Museu de Belas Artes.


Em 1931, a ENBA passou a integrar a Universidade do Rio de Janeiro e, em 1937, a Universidade do Brasil.


Em 1965 teve seu nome alterado para Escola de Belas Artes, passando a fazer parte da Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ.


Quando da demolição do prédio de Montigny, ocorrida em 1939, seu portal, em mármore e granito, foi transladado para o Jardim Botânico, e instalado no final da Aléia das Palmeiras (oficialmente Aléia Barbosa Rodrigues).


A foto de Marc Ferrez, de 1891, é do prédio de Montigny na Travessa do Sacramento. A estátua de João Caetano está, hoje, em frente ao Teatro que leva seu nome, na Praça Tiradentes.




quarta-feira, junho 13, 2007

Jardim Botânico

A área do Jardim Botânico é de ocupação das mais antigas da cidade. Desde o século XVI era disputada por vários pretendentes, em especial André Mendes Leão, Sabastião Varella e o mais famoso deles, Rodrigo de Freitas Mello e Castro que, em 1620, era proprietário da área que vai do atual Humaitá ao que hoje é o Leblon, incluindo a lagoa que leva seu nome.

Com a chegada de D. João, as terras foram desapropriadas dos descendentes de Rodrigo de Freitas e loteadas, reservando, a coroa, largo trato de terra (1,4milhões de m2) onde o príncipe, em 13 de junho de 1808, criou o Jardim de Aclimação com a finalidade de aclimatar as plantas procedentes do Oriente, como cânfora, nogueira, jaqueira, cravo da India e chá da China. Quatro meses depois, em 11 de outubro, teve seu nome alterado para Real Horto Botânico.

Ali D. João plantou, em 1809, a primeira palmeira imperial, um exemplar de Roystonea oleracea trazido do Caribe, de onde é originária. Foi intitulada Palma Mater por ter sido a mãe de todas as outras. Os escravos tinham ordens de destruir as sementes excedentes, para que a espécie fosse exclusividade do Horto, mas eles as vendiam, e em muitas propriedades elas foram plantadas. Para avaliar a longevidade dessa espécie, basta dizer que a Palma Mater foi atingida por um raio, em 1972, tendo sua vida interrompida aos 163 anos de idade.

Com a independência, foi aberto ao público com a designação de Real Jardim Botânico. Seu diretor, o frade carmelita Leandro do Sacramento, professor de botânica e estudioso da flora brasileira, organizou um catálogo das plantas cultivadas e introduziu inúmeros melhoramentos

O terreno original compreendia os dois lados da Rua Jardim Botânico. No governo do Prefeito Carlos Sampaio (1920-1922) foi desapropriado o trecho junto à lagoa onde se construiu, em 1924, com projeto de Archimedes Memória, o Jockey Clube. O Jardim Botânico guarda, também, muitas obras de arte e curiosidades que serão, oportunamente, mostradas e comentadas neste blog.

Na foto da Lagoa (postal de 1930), pode-se ver, no canto direito, parte do Jardim Botânico.

quarta-feira, junho 06, 2007

Matadouro

O primeiro matadouro da cidade foi instalado em 1774 por ordem do vice-rei _Marquês de Lavradio_ na praia de Sta Luzia, perto de onde hoje está o obelisco da Av. Rio Branco.

À época, a orla até a igreja de Santa Luzia era desprovida de moradias, e o caminho existente era frequentemente invadido pelo mar. Essa situação começou a mudar quando D. João, devoto de Santa Luzia, mandou alargar o caminho para possibilitar a passagem de sua carruagem.

No mapa, datado de 1838, pode-se ver assinalado o matadouro, próximo ao convento da Ajuda e ao Passeio Público. Em 1853, com a maior freqüência nas cercanias, o local _impróprio de há muito_ ficou insustentável para sua permanência, razão pela qual o transferiram para um aterrado, lá para os lados de São Cristovão.

Neste novo local (hoje Praça da Bandeira), o matadouro propiciou o desenvolvimento no entorno, progresso que acabou por provocar, em 1881, uma nova mudança, desta vez para Santa Cruz.

Em 1884 a Estrada de Ferro D. Pedro II (a partir de 1899 designada Central do Brasil), abriu o ramal do Matadouro, com os trilhos a contornar o prédio, distante apenas 700m da Estação de Santa Cruz. Este ramal funcionou até os anos 1980, quando foi desativado.

Nota: o mapa exibido consta do sítio www.serqueira.com.br

quarta-feira, maio 30, 2007

Rua Uruguaiana



Em 1641, abriu-se uma vala para o escoamento das águas de um banhado que existia ao pé do morro de Santo Antonio (onde hoje é o Largo da Carioca). A vala ficava à beira de uma rua que, a partir de então, seria conhecida como da Vala.

Após as invasões francesas de 1710-1711, foi construído um muro, ao longo da vala, visando a defesa da cidade. Logo, logo, esse muro, além de demonstrar não servir como obra de defesa, tornou-se um estorvo ao crescimento da cidade. Os vereadores queriam demoli-lo, com o que não concordava o Governador Luís Vahía Monteiro, o Onça, que acabou por ver a vala coberta, e o murro derrubado para que a expansão da cidade pudesse avançar pelo campo, vencendo alagadiços e mangues.

Depois de ser, por mais de dois séculos a Rua da Vala, a via teve seu nome alterado para Uruguaiana, para lembrar a cidade gaúcha onde, em 1865, diante de Pedro II e dos presidentes da Argentina e do Uruguai, ocorrera a rendição do Gen Estigarribia que, à frente de tropas paraguaias, havia invadido o Rio Grando do Sul.

Atendendo à sugestão de Gabriel, acrescentei uma foto, de 1906, da esquina das Ruas Uruguaiana e Carioca.

quarta-feira, maio 23, 2007

Rua da Ajuda

A antiga Rua da Ajuda contornava o Morro do Castelo, indo desde a igreja da NªSrª do Parto até o Convento da Ajuda, onde hoje fica a Praça Floriano Peixoto (Cinelândia). A Igreja continua no mesmo lugar, agora no térreo de um edifício, atual Rua Rodrigo Silva, 7. A abertura da Avenida Central absorveu quase toda a Rua da Ajuda. O trecho remanescente, entre a Av. Rio Branco e a Nilo Peçanha, teve os nomes de Chile e Melvin Jones antes de voltar a ser da Ajuda.


quarta-feira, maio 16, 2007

Convento de Santa Teresa

O governador Gomes Freire de Andrade, conde de Bobadela, contrariando proibição régia, doou um grande terreno e uma antiga capela na encosta do Morro do Desterro (depois Morro de Santa Teresa) para a construção de um convento de Carmelitas Descalças dedicado a Santa Teresa de Ávila.

À época, era proibida a existência de conventos de freiras, pois, na visão da coroa, as mulheres eram poucas, e os conventos iriam prejudicar a expansão da colonia.

As obras começaram em 1750, a partir de uma capelinha existente desde 1629, e sete anos depois, mesmo inconcluso, já estava ocupado pelas freiras. O projetista da igreja e do convento foi o engenheiro-militar José Fernandes Pinto Alpoim.

No final do séc XVIII foram colocados, na portaria do convento, azulejos brancos-azuis vindos de Portugal, e três altares de talha em estilo rococó, de autores desconhecidos. O convento conserva um retrato da fundadora, Madre Jacinta, pintado por José de Oliveira Rosa, c.1769, e nele estão sepultados os restos do conde de Bobadela, falecido em 1763, e do engenheiro Alpoim, morto em 1765.


quarta-feira, maio 09, 2007

Igreja de Nª Sª da Conceição e Boa Morte

As Irmandades da Nª Sª da Boa Morte e a da NªSª da Conceição dos Pardos, foram criadas, respectivamente, em 1663 na igreja do Carmo, e em 1700 na igreja de São Sebastião. Em virtude de desentendimentos com as igrejas onde praticavam seus cultos, resolveram mudar-se. Criaram, em 1721, uma pequena capela na esquina da rua do Rosário com Ourives (atual Miguel Couto). Com o crescimento das Irmandades, surgiu a necessidade de um novo templo, maior. As fundações foram lançadas em 1735, e as obras conduzidas, a partir de 1738, pelo engenheiro militar sargento-mor José Fernandes Pinto Alpoim. A portada, em mármore de Lioz, vinda de Lisboa, foi colocada em 1756, e as obras concluídas em 1816.

A capela-mór tem forma octogonal, com um altar barroco de mestre Valentim, executado em 1774 e considerado como sua primeira grande obra em talha. Os altares laterais são obras de Manual Deveza. A padroeira em madeira. estilo barroco, veio de Portugal.

Paulo de Frontin, devoto da santa, ao traçar a avenida Central, teve o cuidado de fazer ligeiro desvio para poupar a igreja que tem uma de suas quinas a menos de três metros do alinhamento da avenida.

No espaço entre a igreja e a avenida foi construído um prédio estilo eclético onde funcionou, por muitos anos, a Casa Simpatia que servia, em suas mesas e cadeiras de vime da calçada, um famoso refresco: o frappé de coco. Hoje, ali funciona a loja de roupas Bogart. Este prédio tem, junto à rua do Rosário, largura tão pequena que algumas das janelas da fachada não abrem por falta de espaço. Veja na foto do traçado da Avenida Central (A rua do Hospício é a atual Buenos Aires).

quarta-feira, maio 02, 2007

Igreja Nª Sª da Lapa dos Mercadores













Em 1743, vários moradores e comerciantes da Rua do Ouvidor ergueram um pequeno oratório dedicado à NªSª da Lapa dos Mercadores na esquina de uma casa, no trecho entre a Rua do Mercado e a Rua Direita (atual 1º de Março). Quatro anos mais tarde os comerciantes resolveram formar uma irmandade e construir uma igreja dedicada à NªSª da Lapa. Em 1747 foram lançadas as fundações e, em 1755 a estrutura estava pronta. Em 1766 prontificou-se a parte interna. Em 1862 a igreja sofreu uma grande remodelação que só terminou dez anos depois. Foram construídas uma nova entrada com três arcos neo-classicos tendo por trás, centralizada, a tôrre sineira. Durante essas obras, foi encontrado enterrado atrás da igreja um grande medalhão, em mármore de Lioz, representando a coroação de Nossa Senhora, provavelmente destinado à igreja da Ordem 3ª da Penitência, a quem pertencia o terreno, e que não o aproveitou. Foi então colocado na fachada principal, onde se encontra até hoje. Duas estátuas de santos, em mármore de Lioz, foram colocadas em nichos na fachada; uma terceira, representando a religião, foi posta na tôrre.

O interior, bastante colorido, possui talhas de Antônio de Pádua e Castro e trabalhos em estuque de Antônio Alves de Lima.

Quando da Revolta da Armada, um tiro disparado pelo encouraçado "Aquidabã" (em 25set1893) atingiu a torre, lançando ao chão a estátua. O fato de ter sofrido danos em apenas dois dedos, apesar da queda de mais de 25m de altura, foi considerado milagroso, razão pela qual tanto a estátua quanto o projetil estão guardados na sacristia.

A igreja fica na Rua do Ouvidor, 35

quarta-feira, abril 25, 2007

Rua da Carioca


A Rua da Carioca, a mais carioca das ruas no dizer da Confraria do Garoto, começou tendo a designação de Rua do Egito, graças a um oratório, ali localizado, dedicado à Sagrada Família. Depois, foi a Rua do Piolho, alcunha de um solicitador que ali residia. A partir do séc. XVIII passou a ser conhecida como Rua da Carioca por servir de caminho para quem vinha apanhar água no chafariz. Foi retificada pelo primeiro Vice-Rei, Conde da Cunha (1763-1767) e, mais tarde, alargada quando da remodelação urbana promovida pelo Prefeito Pereira Passos (1902-1906).

A foto, do início do séc XX, mostra a esquina da Carioca com a Uruguaiana.

quarta-feira, abril 18, 2007

Mourisco


Botafogo foi, também, alvo de novidades introduzidas pelo prefeito Pereira Passos.

Foi aberta a chamada Avenida de Ligação _atual Oswaldo Cruz_ (a Ruy Barbosa ainda levaria algum tempo).

Foi construido, junto ao mar, um Pavilhão de Regatas que vinha atender ao esporte da época: o remo. Basta dizer que, entre 1894 e 1908 foram criados 12 clubes de regatas na cidade.

No final de Botafogo surgiu o chamado Pavilhão Mourisco (na verdade, neo-persa como explica o historiador Milton Teixeira, citado no post do Manequinho, de 04abr2007) onde funcionavam um restaurante elegante e, em prédio próximo, um teatrinho. Combinava várias cores ressaltando o dourado, o prateado e o castanho, em azulejos coloridos e vitrais espanhóis, trazidos de Valencia. Foi, mais tarde, transformado em biblioteca infantil dirigida pela poetiza Cecília Meirelles. Demolido em 1951 para possibilitar o acesso ao tunel do Pasmado, mas o local continua a ser chamado de «Mourisco».

No cartão postal pode-se ver o Pavilhão Mourisco em primeiro plano e, ao longe, o Pavilhão de Regatas. Nas outras fotos, vê-se o Mourisco e o Pavilhão de Regatas. Finalmente, a Av. de Ligação (atual Oswaldo Cruz).


quarta-feira, abril 11, 2007

Igreja da Glória

Construída a partir de 1714, em local de muita importância na historiografia carioca, a igreja de NªSª da Glória do Outeiro, descortina linda vista sobre a baía.

No local, então chamado morro do Leripe, havia o forte de Biroaçumirim _com muitos franceses e artilharia_ quando foi conquistado, em 20 de janeiro de 1567, pelos portugueses sob o comando de Estácio de Sá. Essa vitória veio consolidar o domínio luso na cidade, embora tenha custado a vida de Estácio, ferido mortalmente por uma flexa no rosto.

A igreja, que veio substituir uma antiga ermida, foi construída pela Irmandade de NªSª do Outeiro. Terminada em 1738, tem característica marcante de sua arquitetura o fato de ter sua planta constituída de dois octógonos. Exibe azulejos datados de 1743 (e atribuídos a Mestre Valentim) em 61 painéis que decoram a nave, o altar-mor, a sacristia e o coro da Igreja.

Com a chegada da corte portuguesa, em 1808, igreja ganhou enorme prestígio. Era a preferida da família Real. Foi nela que, em 1819, D.João VI trouxe a neta, princesa Maria da Glória, para a cerimônia da Consagração. A partir daí, todos os membros da familia Bragança, nascidos no Brasil, foram consagrados na Igreja da Glória. D. Pedro II outorgou à Irmandade o título de Imperial que ainda conserva, mesmo na república.

quarta-feira, abril 04, 2007

Manequinho


A estátua iniciou sua trajetória nos primeiros tempos da Praça Floriano Peixoto, antes mesmo da demolição do Convento da Ajuda, onde foi instalada de frente para o Palácio Monroe. Foi logo transferida para bem longe, devido ao escândalo que causou a existência de um menino nu, e ainda urinando, em plena Praça Floriano. Uma indecência! Acabou no final da praia de Botafogo, no local chamado _até hoje_ Mourisco, graças a um pavilhão em estilo mourisco existente até 1951. «Era um prédio com cinco torres, com bulbos em cima, dourado e marrom, com vitrais coloridos. Apesar do nome Mourisco, era neopersa. Era um restaurante dançante, tendo atrás um teatro de marionetes para crianças. De restaurante, foi tendo várias funções, inclusive biblioteca infantil», explica o historiador Milton Teixeira.

Nas proximidades, já existia a piscina do Botafogo de Futebol e Regatas. Com a conquista do Campeonato Carioca de 1957, a estátua do menino apareceu vestido com a camisa do Botafogo, (dizem que por obra de Didi, que pagava uma promessa feita). A partir daí, tornou-se um símbolo da torcida alvi-negra. Acabou furtado, em 1990, não se sabe se por afronta aos botafoguenses, ou simples vandalismo. Uma nova estátua foi fundida, graças ao fundidor Zani e, em seguida, recolocada no Mourisco. Finalmente, com a recuperação, em 1994, da antiga sede social, foi o Manequinho instalado em frente ao prédio, na Av. Venceslau Brás, 72, onde hoje se encontra.

Há gente que, erradamente, acredita que seja uma réplica do Manneken Pis, pequena estátua existente, em um nicho, numa esquina de Bruxelas (Rue de l'Etuve Rue de Chêne). Mas há diferenças marcantes: com o belga é muito menor (pouco mais que 20cm) e tem uma cabeça enorme, desproporcional ao corpo; o nosso, bem maior (cerca de 1m) tem as proporções de um menino; o belga usa a mão esquerda para orientar o jato, enquanto o nosso está com as duas mãos livres. Manneken Pis significa "pequeno homem urinando", nada tem a ver com o diminutivo de Manoel: Maneco, Manequinho.

quarta-feira, março 28, 2007

Calçadas de Copacabana



Para calçar a Avenida Central, que acabara de rasgar, Pereira Passos fez vir de Portugal não só um grupo de calceteiros mas até as pedras abundantes nas cercanias de Lisboa, onde, desde 1842 já se vinham formando mosaicos nas calçadas e praças. Logo, as pedras (calcita branca e basalto negro) foram encontradas por aqui, e não mais importadas, mas conservaram o nome de pedras portuguesas .

Curiosamente, o desenho das ondas das calçadas da Av.Atlântica, que caracteriza o bairro e até o Rio de Janeiro, não é brasileiro, foi trazido por aqueles calceteiros lisboetas.

O desenho foi aplicado na Praça Floriano e na calçada da Av. Atlântica, também aberta por Pereira Passos no bairro que começava a ser habitado. O piso da atual Cinelândia ganhou novos desenhos, enquanto o da Av.Atlântica mais realce, a partir de 1970, com o alargamento das pistas e da calçada, e da extensão da faixa de areia. Chamado para refazer o calçamento, Burle Marx manteve o desenho anterior, de 1906, uniformizando a orientação e ampliando o tamanho das ondas, fazendo-as condizentes com a largura da nova calçada.


quarta-feira, março 21, 2007

Chafariz do Monroe

O maior chafariz do Rio tem 10m de altura, é no estilo Napoleão III, e foi comprado em 1878 em Viena, durante o governo de D. Pedro II. Obra de Mathurin Moreau, foi executada na fundição francesa Societé Anonyme des Hauts-Fourneaux & Fonderies du Val d’Osne. É dividido em 3 partes, ou seja, 1 base de ferro e 2 bacias; a bacia mais baixa é subdividida em 4, cada uma sustentada por uma estátua (2 cariátides e 2 atlantes). Acima desta, há outra menor, sustentado por 4 meninos que representam os 4 continentes explorados na época de sua confecção. A base é feita de granito nacional e os 2 conjuntos de anjos de mármore da base, não fazem parte do projeto original.

O chafariz foi inicialmente instalado na Praça XV de Novembro (Largo do Carmo). Em 1962 foi transferido para a Praça da Bandeira. E, em 1979, para o espaço onde estava o Palácio Monroe, hoje denominado Praça Monroe.


quarta-feira, março 14, 2007

General Osório










Na Praça XV, perto do Chafariz da Pirâmide, fica o monumento ao General Manuel Luís Osório, marquês do Herval, patrono da Cavalaria do Exército Brasileiro, inaugurado em 1894. A estátua, encomendada em 1887 a Rodolpho Bernardelli, foi fundida com o bronze dos canhões tomados durante a Guerra do Paraguai. Em seu pedestal repousaram seus restos mortais até 1993, quando foram exumados e transladados para o Parque Histórico que leva seu nome, no Rio Grande do Sul. Nas laterais do pedestal, há dois baixos-relevos que representam a batalha de Tuiuti e o ataque ao Passo da Pátria.

Muitos estranham estar o general, a cavalo, calçando sapatos, e não as tradicionais botas dos cavalarianos. A este respeito, esclarecia Bernardelli que Osório, depois dos ferimentos recebidos nas batalhas de Tuiuti e Avaí, não pôde mais calçar botas, razão porque o representou de sapatos.

quarta-feira, março 07, 2007

Igreja do Rosário

Construída a partir de 1701 pela Irmandade da NªSª do Rosário dos Homens Pretos, fica na Rua Uruguiana,77.

A Irmandade, criada em 1640, funcionava na Igreja de São Sebastião, no Morro do Castelo. Na mesma época e na mesma igreja funcionava uma confraria de São Benedito, também fundada por negros livres e escravos. Em 1669, a confraria incorporou-se à Irmandade que ficou sendo de Nª Sª do Rosário e de São Benedito dos Homens Pretos e Pardos.

Por volta de 1700, devido a desentendimentos com os padres da Igreja de São Sebastião, a Irmandade retirou daquela igreja a imagem de NªSª, que lhe pertencia, e decidiu construir uma igreja só para ela e para São Benedito. Com o auxilio do governador Luís Vahia Monteiro, o Onça, conseguiu um terreno na Rua da Vala (atual Uruguaiana), à época, os confins da cidade. A construção só foi concluída em 1725.

Em 1733, por causa do mau estado da Igreja de São Sebastião, os cônegos resolveram instalar a sede episcopal na Igreja do Rosário, apesar dos protestos da Irmandade. Os ânimos foram se exaltando, e os conflitos chegaram ao auge em 1808. Logo depois de sua chegada à cidade, a família real foi visitar a igreja, então funcionando como sé. Inconformados porque os cônegos não queriam que os negros e pardos, donos da igreja, participassem da recepção aos nobres, os devotos ocuparam a igreja pouco antes da chegada da família real, que se viu obrigada a passar entre alas de negros e pardos. A demonstração de força fez com que os cônegos transferissem a sé para a Igreja do Carmo, no Largo do Paço (atual Praça XV).

O templo fez muita história. No seu pátio, a partir da segunda metade do séc XVIII, foi permitido aos negros comemorar os festejos populares do Rei do Congo. Foi, por duas vezes sede do Senado da Câmara (1809 a 1822; e de 1822 a 1825). Participou do episódio do Fico, pois foi da igreja que saiu Clemente Pereira conduzindo o pedido, com oito mil assinaturas, para que D. Pedro não retornasse a Portugal como exigiam as Cortes, em Lisboa. Em 1830, quando D. Pedro I legitimou a Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, ela tinha sua sede no consistório da igreja. A Irmandade participou ativamente do movimento abolicionista.

Ainda no séc XIX a igreja passou por grande reforma, sendo reconstruídas as duas torres, e mantida a portada, de princípios do séc. XVIII. Seu estilo 'maneirista' (tardo-renascentista) difere do barroco que predomina na cidade. Em 26/03/1967, a igreja sofreu grandes danos causados por um incêndio que consumiu todo o seu interior.

Como agremiação de negros e pardos, muitos destacados membros dessa comunidade formaram parte, desde a época colonial, da Irmandade do Rosário e São Benedito, como o escultor e urbanista Valentim da Fonseca e Silva _ o mestre Valentim_ (enterrado na igreja em 1813, e recordado na entrada em uma placa de bronze) e o compositor e regente padre José Maurício Nunes Garcia, que foi diretor musical da igreja (1798-1808), quando ela ainda era a catedral da cidade. Ali funciona, hoje, o Museu do Negro, com peças da época da escravidão e documentos do movimento abolicionista.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Arcos da Lapa

O aqueduto da Carioca, mais conhecido como Arcos da Lapa, foi construído pelo governador Ayres Saldanha, em 1723, para trazer água do rio Carioca até o Largo da Carioca, como solução para a falta d'água na cidade.

A construção, em estilo romano, tem 17,6m de altura e 270m de extensão com 42 arcos, e liga o Morro do Desterro (atualmente de Santa Teresa) ao Morro de Santo Antônio. O governador Gomes Freire _conde de Bobadela_ aumentou sua solidez com a reforma que promoveu em 1744. Ao tornar-se obsoleto, o aqueduto foi desativado. Em 1896, os arcos passaram a servir como viaduto para o acesso de bondes a Santa Teresa. É o único sistema de bondes ainda existente no Rio de Janeiro, e dá ao bairro aspecto peculiar e histórico.

A foto, do final do séc. XIX, mostra um bonde elétrico sobre os arcos, e outro, ainda puxado a burros, na Rua do Riachuelo.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Bica da Rainha


A rainha D. Maria I costumava beber as águas do Rio Carioca que vertiam de uma bica no Cosme Velho. Por esta razão, a bica passou a ser conhecida como "da Rainha". Dessas excursões é que dizem ter nascido a expressão Maria vai com as outras, já que a rainha, ensandecida, incapaz de deslocar-se desacompanhada, era rodeada por várias mucamas, a lhe pajear e guiar os passos.

Embora já seca, devido à ocupação das encostas, a "Bica da Rainha" ainda resiste, na Rua Cosme Velho, altura do número 381.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Água Mineral Salutaris

Quando era menino, o anúncio da água mineral Salutaris na encosta do Pasmado me fascinava. O painel, enorme, tinha uma animação feita a partir do acender e apagar de lâmpadas incandescentes. Para quem vinha, pela praia de Botafogo, em direção ao Mourisco, era um verdadeiro espetáculo: ao lado da palavra SALUTARIS formada por enormes letras, aparecia uma taça vazia e, sobre ela, uma garrafa. Em seguida, a garrafa passava a despejar água na taça até que ela se enchesse. Pausa. A água, extremamente gaseificada, ficava a soltar "bolinhas". Tudo se apagava, para reiniciar em seguida.

O prédio que se vê na foto (de 1949) é a Policlínica de Botafogo, que permanece no mesmo lugar, Av. Pasteur, 72.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Santo Antonio, o militar

Na portaria do convento (de 1620), situado no Largo da Carioca, há uma imagem de Santo Antônio de Lisboa, (também conhecido como Santo Antônio de Pádua).

Em 1710, quando os franceses, sob Duclerc, invadiram o Rio de Janeiro, e era iminente a sua conquista, o governador Francisco de Castro Moraes teria pedido a proteção do santo, mandando que o guardião do convento exibisse sua imagem no alto da frontaria do prédio. A vitória sobre os franceses foi atribuída ao auxílio dado pelo santo, razão porque o governador concedeu-lhe o posto de Capitão de Infantaria, com direito a soldo, pago ao convento.

A história comoveu D.João, que o promoveu a Sargento-Mor (Major) em 1810 e a Tenente-Coronel, em 1813. As promoções se deram pelos Decretos de 14/jul/1810 e de 25/nov/1814, expedidos por Cartas Régias, com a rubrica do Príncipe Regente D.João, futuro D.João VI.

Somente em 1910, o Exército desengajou o santo e suspendeu o pagamento.


quarta-feira, janeiro 31, 2007

No tempo do Onça

Esta expressão, que indica algo muito antigo, vem da época do governador Luís Vahia Monteiro. Onça era a alcunha desse governador e capitão-geral do Rio de Janeiro. Ranzinza como ele só, e austero ao extremo, o que mais fez, durante o seu governo (1725-1732), foi reclamar. Em uma das cartas ao rei de Portugal, dom João V, declarou:«Nesta terra todos roubam; só eu não roubo

Foi defenestrado em 1732. A população passou a usar Luís Vahia Monteiro como referência de coisa que aconteceu há muito tempo, anacrônica, daquele tempo em que as autoridades governamentais mantinham certos preceitos atualmente em desuso.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Convento do Carmo

O Convento do Carmo, erguido em 1619 foi, por muito tempo, a maior edificação da cidade. Com a chegada da família real, em 1808, os carmelitas foram forçados a ceder seus aposentos para abrigar a rainha dona Maria, cognominada "a Louca", que ali veio a falecer em 1816.

As instalações pertencem, hoje, à Faculdade Cândido Mendes que construiu, ao lado, uma torre envidraçada, mas conserva a antiga fachada do prédio do convento.

Na foto da esquerda, pode-se ver, ainda, a Igreja de São José e, ao fundo, o Morro do Castelo. Na foto da direita, vê-se a torre envidraçada do edifício da Rua da Assembléia 11.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Veja ilustre passageiro...

Ficaram famosos os versinhos (atribuídos a Bastos Tigre) que, a partir de 1918, faziam publicidade do Rhum Creosotado no interior dos bondes. Tanto os bondes quanto o remédio do farmaceutico Ernesto de Souza (1864-1928) já há muito desapareceram de nossas ruas e farmácias. Os versinhos, entretanto, permanecem lembrados até hoje. Eram impressos em cartazetes, colocados nas laterais internas dos vagões, tinham a ilustração mostrada acima, e diziam:

Veja, ilustre passageiro,
o belo tipo faceiro

que o senhor tem a seu lado.
E, no entanto, acredite,
quase morreu de bronquite.
Salvou-o o Rhum Creosotado!

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Copacabana Palace

A foto de meu pai no alto do morro do Cantagalo mostra Copacabana em 17 de junho de 1923, pouco antes da inauguração do Copacabana Palace. Pode-se notar que o morro do Inhangá, além de interromper a Av. Copacabana, chegava até à praia. Esse morro foi quase totalmente removido, restando, hoje, apenas uma parte (compreendida entre a Avenida Copacabana, e ruas Inhangá, Barata Ribeiro e Rodolfo Dantas) em cuja encosta se situa a Rua Gen Barbosa Lima, e, ainda, um resquício encoberto pelos prédios da quadra limitada pelas avenidas Copacabana e Atlântica, e ruas Fernando Mendes e República do Peru. Onde existia o morro ao lado do Hotel, está instalada a sua piscina, o anexo, e o conjunto que inclui o edifício Chopin.

O hotel, inaugurado em 13 de agosto de 1923 pelo empresário Octávio Guinle, foi o primeiro grande edifício de Copacabana. O prédio, em estilo Luiz XVI, foi projetado do francês Joseph Gire, inspirado em hoteis da riviera francesa. Embora tenha sofrido alterações em seu interior, conserva salões com mármores de Carrara, móveis de época, lustres belíssimos. Merece uma visita o Golden Room, palco de acontecimentos memoráveis, como os concursos de Miss Brasil, bailes de Gala, e apresentação de artistas de fama internacional.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Copacabana

Até o início do séc XVII, Copacabana era conhecida como Sacopenapã (caminho dos socós _ ave pernalta, da família dos ardeídeos, abundante nas restingas do Rio de Janeiro).

Comerciantes bolivianos, que vieram mercadejar objetos de prata, trouxeram uma imagem da Virgem de Copacabana, santa venerada nas margens do lago Titicaca, na fronteira da Bolívia com Peru. Em quíchua, idioma dos descendentes dos incas, Copacabana significa Mirante do Azul. Os pescadores de Sacopenapã ergueram uma capelinha sobre a rocha para acolher a imagem.

Salvo de um naufrágio por milagre atribuído à santa, o bispo dom Antonio do Desterro fez construir uma igreja, em 1746, para substituir a construção dos pescadores. A santa, ao atrair romarias por mais de 150 anos, acabou por dar nome ao bairro.

A igrejinha foi demolida em 1908 para a construção do Forte de Copacabana, obra inaugurada em 1914, e a imagem está, hoje, na Igreja de Nossa Senhora de Copacabana, na Praça Serzedelo Correia. Esta nova igreja está em um prédio que ocupa o terreno da anterior, e cuja torre pode ser vista na foto da década de 1920.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Rua do Sucussarará

A questão da denominação dos logradouros sempre foi confusa, no Rio antigo. À medida que os caminhos iam sendo delineados, recebiam nomes que o povo lhes dava, ora motivado por um aspecto local, ora com a profissão, ou o nome, de seu primeiro ou mais proeminente morador. Estas designações eram fluidas, sendo substituídas quando um novo fato ou personagem impressionava o imaginário popular. Era comum, também, uma rua ter várias designações, uma para cada trecho.

A Rua do Ouvidor, nascida em 1578 como o Desvio do Mar, teve vários nomes até que, nos meados do século XVIII passou a, nela, ter residência o ouvidor real. A esquina com a Rua da Quitanda — assim designada graças a um estabelecimento localizado na esquina da Rua da Alfândega — foi conhecida como Canto do Tabaqueiro, em razão da tabacaria ali existente.

No início do século XIX, o trecho da Rua da Quitanda compreendido entre a Ouvidor e a Rua do Cano (atual Sete de Setembro) era chamado de Rua do Sucussarará. É que ali havia se instalado um médico inglês, especializado em hemorróidas, que — com o seu português arrevesado — fazia, a todos os seus clientes, a mesma promessa.

sábado, dezembro 02, 2006

Praças e Monumentos

A Praça Gen. Osório abriga o chafariz das saracuras (foto), agora seco, enquanto o marquês do Herval está na Praça XV. Nem nesta, nem na da República encontramos Deodoro; ele está em uma Praça junto à Praça Paris.

Pedro I está na Praça Tiradentes, enquanto o protomártir é encontrado na Rua Primeiro de Março (data da entrada das tropas brasileiras em Assunção, terminando a Guerra do Paraguai).

Nem o Almirante Barroso nem Marcílio Dias estão na Praça Onze de Junho (batalha naval do Riachuelo), ocupada por Zumbi dos Palmares; o barão do Amazonas é encontrado na Praça Paris; e o Imperial Marinheiro, na Praça Barão de Ladário.

O Barão do Rio Branco fica na Praça do Expedicionário, enquanto o Comandante da FEB, na Praça Itália.

O Almirante Saldanha da Gama permanece na Praça que leva o seu nome, mas só é conhecida por Jardim de Alá.