Era uma tropa de elite da Polícia Civil, foi criada em 5 de agosto de 1932, no Distrito Federal, e extinta em 21 de abril de 1960, quando da transferência da Capital para Brasília, ocasião em que o antigo Distrito Federal passou a ser o Estado da Guanabara.
No início eram 150 (50 policiais militares e 100 atletas selecionados nos clubes cariocas); e teve seu efetivo ampliado, por meio de concursos públicos, para 500 homens. Vestiam um uniforme cáqui, e usavam um boné encarnado.
O quartel dessa tropa ficava no alto do Morro de Santo Antonio, como se pode ver na foto que mostra o Tabuleiro da Baiana em primeiro plano.
Eram empregados em ações anti-tumultos, em grupos de 25 homens que chegavam em um caminhão-choque, e desembarcavam, cassetete à mão, batendo firme na turma que teimava em não dispersar-se.
Participou ativamente da repressão tanto da Intentona Comunista de 1935, quanto do Movimento Integralista de 1937.
Com o fim da Ditadura de Vargas, passaram a guarnecer as radiopatrulhas, como mostrado na foto de 1948
Mário Vianna, que se popularizou como árbitro e, mais tarde, comentarista de futebol, foi, dentre outras profissões, componente dessa tropa.
Augusto Duque Estrada Meyer, acompanhante de Pedro II, recebeu, do Imperador, em 1884, vasta extensão de terras, anteriormente pertencente aos jesuítas, e que se estendiam desde a Estrada Grande (atual Rua Dias da Cruz) até a Serra dos Pretos Forros (hoje, no final da Rua Camarista Meyer) em cujo sopé ficava a sede de sua Fazenda, a São Francisco. Abriu várias ruas nessas terras, dando-lhes nomes de parentes _ Frederico, Joaquim, Carolina Meyer_ e estabelecendo um novo bairro chamado, desde o início, de Meyer. Em 1879, o bairro foi cortado pelos trilhos dos bondes puxados a burros da Companhia Ferro-Carril e, em 1907, pelos de tração elétrica da linha que unia o Engenho de Dentro ao Largo de São Francisco. Com o tempo o nome de origem alemã foi aportuguesado para Méier. Na dia 13 de maio de 1889 foi inaugurada a estação de trem da então Estrada de Ferrro D. Pedro II (hoje, EFCB). Tal importância teve a chegada do trem para o desenvolvimento da região, que a data é comemorada como a de fundação do bairro. A partir da década de 1950, houve uma verdadeira explosão demográfica e comercial. É de se notar que o primeiro shopping do país foi inaugurado, em 1963, no Méier. O bairro possuiu também o maior cinema da América do Sul, com capacidade para 2.400 lugares, que funcionou de 1954 a 1986. Na primeira foto vê-se a Igreja do Sagrado Coração de Maria, projeto de Morales de Los Rios. A vista aérea mostra a linha férrea que divide o bairro, e o Jardim do Méier.
Em 1936 surgiu, na Rua Visc. Pirajá, quase esquina da Garcia d’Ávila, uma mercearia que, a princípio, mantinha em suas prateleiras os artigos usuais a um armazém: azeites, vinagres, batatas, arroz, fubá, vinhos, doces em calda... Consta que D. Maria, a esposa do proprietário, ao ver a quantidade de crianças que circulavam pelo local, resolveu fabricar sorvetes de frutas.
O sucesso foi tão grande que a mercearia cedeu lugar a uma sorveteria. Seus produtos eram deliciosos. Consta que Juscelino Kubitschek adquiria, regularmente,sorvete de jabuticaba. Famosos também eram os de tangerina, cajá-manga e fruta-do-conde. Embora o nome tivesse sido alterado para Sorveteria das Crianças, era mais conhecida como ‘o Morais’, e quase sempre tinha fila à porta. O sorvete era servido em casquinhas feitas de aipim e degustados com o auxílio de pazinhas de madeira.
Os tempos passaram, e a sorveteria, premida pelo chamado “progresso”, se foi. Hoje, no local, está um prédio da Amsterdam Sauer. O Prefeito César Maia havia mandado colocar, na calçada, uma placa indicando o local onde funcionara a Sorveteria das Crianças. A placa já foi roubada...
Hoje, as receitas de D. Maria resistem pelas mãos de seu filho Adriano que, em uma carrocinha que manobra no final do Leblon, ainda vendepicolés feitos com polpas de frutas, goiaba, maracujá, abacaxi, tangerina, jaca, inclusive um feito de banana frita com canela. As receitas ainda são as de D. Maria, mas consta que a canela, no sorvete de banana frita, é um ‘toque’ de Adriano
As fotos mostram uma conhecida foto da sorveteria quando na Visc. de Pirajá, e o Sr. Adriano Morais com sua carrocinha no Leblon.
Em 1820, D João VI mandou comprar de ingleses um terreno que possuíam, e lhes cedeu um terreno na Rua dos Barbonos (atual Evaristo da Veiga) para que nele construíssem seu templo anglicano. Tal providência evitou a instalação de uma igreja protestante bem em frente ao Convento da Ajuda. Com o saldo da quantia destinada a essa obra, os ingleses construíram um cemitério na Gambôa, para que os funerais pudessem seguir os rituais anglicanos. O Cemitério dos Ingleses existe até hoje.
Na cerimônia de lançamento da pedra fundamental, em 12 de agosto de 1819, data de aniversário de George IV, foram depositados, como de costume, jornais ingleses e moedas da época. A capela manteve-se até o final dos anos 1800, quando foi remodelada e passou a ter a aparência da foto. Algum tempo fepois da abertura da Av. Central e da reurbanização da região, a igreja foi demolida, e outra construída na Rua Real Grandeza.
A foto mostra a "igreja dos ingleses" em 1915, vendo-se a Rua 13 de Maio e parte do Theatro Municipal.
Pouca gente, mesmo dentre os que viveram aquela época, lembra-se, com precisão, de como era a Avenida Atlântica antes do alargamento feito na década de 1970.
O atual calçadão junto aos prédios abarca o que era não apenas a pista de rolamento mas também as duas calçadas que a ladeavam.
A primeira foto mostra um postal da década de 1950. A segunda foto, obtida durante a obra, já deixa perceber que, junto à calçada, no lugar onde havia areia, se estende o que viria a se tornar o calçadão entre as pistas de rolamento. (Sob esse calçadão central, está instalado o coletor condutor do esgoto à elevatória Parafuso, na altura da Rua Alm. Gonçalves, que o recalca para o emissário submarino de Ipanema.)
A terceira foto mostra a cantoneira de pedra abaulada que, na primeira foto ficava entre a areia e a calçada, e agora separa o estacionamento do calçadão junto aos prédios. Reparem que o ralo, mostrado nesta última foto, marca o lugar da sarjeta da antiga pista, justo onde ela terminava e começava a calçada junto à areia.
A foto, de 1907, mostra o prédio do "Conselho Municipal", antecessor do Palácio Pedro Ernesto que, na Cinelândia, abriga a Câmara de Vereadores da cidade. O prédio da foto acima foi construído em 1872, e serviu, até 1896, como Escola Pública da Freguesia de São José.
Essa escola fora uma das quatro construídas com o dinheiro arrecadado para umaestátua que seria levantada em homenagem a D. Pedro II. O Imperador recusou a homenagem e recomendou que o dinheiro fosse destinado à construção de escolas.
A partir de 1896, já na República, o prédio passou a ser ocupado pelo Conselho da Intendência Municipal. Em 1910, já se tornara pequeno demais para os 24 intendentes municipais e seus 42 funcionários. Foi quando realizou-se um concurso público para a construção de um novo edifício, mas o projeto esteve arquivado até 1918. Em 1919, o Conselho passou a funcionar no Liceu de Artes e Ofícios, na Av. Central (onde hoje se encontra a Caixa Econômica Federal), para que a antiga escola pudesse ser demolida e o novo edifício levantado.
Esse novo prédio recebeu o nome oficial de Palácio Pedro Ernesto, mas foi apelidado, pelo historiador Brasil Gérson, de «Gaiola de Ouro» em virtude de ter custado 23 mil contos de réis, mais que o dobro do consumido na edificação do Theatro Municipal.
O Conselho havia sido criado em 1565 com um procurador e um juiz. Dois anos depois ocorreram as primeiras eleições, recebendo a casa doze vereadores, com mandato de um ano,sendo que o presidenteda casa acumulava as funções hoje exercidas pelo Prefeito. Com a República, foram separados os poderes judiciário e executivo municipais. Fechada em 1937, por decreto do Presidente Getúlio Vargas, foi reaberta em 1946, com o fim do Estado Novo, mas não apreciavam os atos do Prefeito que eram analisados pelos senadores da República. Com a transferência da capital para Brasília, em 1960, foi transformada em Assembléia Legislativa. Readquiriu a condição de Câmara Municipal quando da fusão dos Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, em 1975. Atualmente, conta com 50 vereadores eleitos para mandatos de 4 anos.
A foto dupla mostra a antiga Escola, na mesma esquina em que se vê o Palácio Pedro Ernesto. Finalmente, a Praça Floriano, em foto de 1938, como vista desde o Theatro Municipal.
Prédio projetado por Souza Aguiar, em 1906, a Escola Municipal Barth foi construída com doação do comerciante suiço Alberto Barth, e inaugurada em 1907. Fica na Av. Oswaldo Cruz, 124. Suas tarefas de ensino foram suspensas, em 1939, e ali instalado o Tribunal de Segurança Nacional, para julgamento dos envolvidos, tanto na Intentona Comunista de 1935, como no Golpe Integralista de 1938. Com a queda de Getúlio Vargas, e o retorno do país à normalidade democrática, voltou a funcionar como escola, já em 1946. No início deste século foi alvo de protestos por cercar parte de praça pública em Botafogo para servir de pátio de recreio para os alunos. O notável é ter-se mantido com a mesma aparência com que foi inaugurada, sem quaisquer “obras de modernização”, o que se pode depreender das duas fotos mostradas; a P&B quando de sua inauguração, e a em cores, bem recente. É um belo exemplo de conservação.
Teve origem nos sessenta mil volumes da Biblioteca Real trazidos de Lisboa em três etapas (1810-1811) após a chegada de Dom João ao Brasil. Esteve, inicialmente, instalada em salas do Hospital da Ordem Terceira do Carmo, na atual Rua do Carmo, próximo ao Paço. Instalada a biblioteca, seu acervo continuou a crescer através de compras, doações e pela entrega obrigatória de um exemplar de todo o material impresso quer nas oficinas tipográficas de Portugal quer na Imprensa Régia, no Rio de Janeiro. As obras podiam ser consultadas, mediante autorização, desde 1810, sendo franqueadas ao público apenas em 1814, logo após o término da organização do acervo. Após a Independência, a Biblioteca passou a pertencer ao Brasil em razão de indenização paga conforme estabelecido na Convenção Adicional ao Tratado de Amizade e Aliança assinado pelos dois países em 1825, que indenizou a Família Real Portuguesa pelos bens deixados no Brasil. A Real Biblioteca passou a chamar-se Biblioteca Imperial e Pública da Corte. Em 1858, a Biblioteca foi transferida das proximidades do Paço para o prédio nº. 60 da Rua do Passeio, hoje ocupado pela Escola Nacional de Música. Com a abertura da Av. Central (hoje Rio Branco), foi reservado para a Biblioteca, pelo governo Rodrigues Alves, um terreno de 100x75m, ocupando todo um quarteirão dessa nova avenida. A pedra fundamental foi lançada em 1905, e a construção concluída em 1910, já no governo Nilo Peçanha. O traço é do Gen. Francisco Marcelino de Souza Aguiar. A foto que ilustra o post é de Augusto Malta e mostra a Biblioteca recém-inaugurada, no número 219 da Avenida Rio Branco. Ao clicar aqui, o leitor terá acesso a uma animação promovida pela Biblioteca Nacional.
A pequena igreja, situada à Rua Faro nº80, no bairro do Jardim Botânico, é uma das mais antigas da cidade. Sua construção se deu por volta de 1603, em terras do Engenho d'El Rei que se estendia desde a Lagoa Rodrigo de Freitas _então chamada de Sacopenapã_ até o sopé do Corcovado, e do Humaitá até a Gávea. Hoje, está em terreno da Casa Maternal Mello Matos, um abrigo para crianças mantido por religiosas.
Embora tenha sido submetida a obras em 1856 e na primeira metade do século XX, manteve os traços característicos da época em que foi construída. Fachada simples, com frontão triangular, porta com beirais de cantaria, duas janelas gradeadas e entrada com alpendre sustentado por duas colunas toscanas.
Pode ser visitada, de segunda à sexta-feira, de 09:00 às 16:30h. Contato pelo telefone (21) 2512-5565.
A cabeça a que se refere a designação é o nome de um pico da Serra Morena, na Andaluzia, Espanha, onde, em 1227, em meio a uma fogueira, Nossa Senhora apareceu diante do pastor Juan de Rivas. Pedia que o pastor fosse à vila de Andújar avisar ao povo que Deus queria que fosse, naquele local, construído um santuário. Juan prometeu atender ao pedido, mas receou que não acreditassem nele. A Virgem, então, restituiu-lhe o braço que lhe havia sido decepado na luta contra os mouros; o milagre serviria de prova. A população, entusiasmada, proclamou Nossa Senhora da Cabeça padroeira da vila, e construiu, no local da aparição, um belo santuário.
A atual Praça Tiradentes teve origem, nos idos do Séc. XVII, no desmembramento do então chamado Campo de São Domingos. Em 1690 chamava-se Rossio Grande, em clara alusão ao Largo do Rossio lisboeta; mais tarde, passou a Campo dos Ciganos, devido à chegada, de Portugal, de um grupo desses nômades, e que ali montaram, por algum tempo, suas barracas. A partir de 1747, com a construção da Capela de NªSª da Lampadosa, passou a ser conhecida como Campo da Lampadosa. Em 1808, passou a ser o Campo do Polé, graças à instalação, no local, de um pelourinho. Em 1821, passou a ser chamada Praça da Constituição; D. Pedro, assumindo o posto de Príncipe Regente, jurou fidelidade à Constituição Portuguesa de uma das varandas do Real Teatro São João que ficava onde, hoje, encontra-se o Teatro João Caetano. Finalmente, em 1890, ao aproximar-se o centenário da morte de Joaquim José da Silva Xavier, passou a ter o nome de Praça Tiradentes, pela proximidade do local onde se acredita ter sido enforcado o protomártir da Independência.
No centro da praça, o monumento a Pedro I, mandado erigir por Pedro II, foi inaugurado em 1862. Apresenta o Imperador a cavalo, fardado de general, segurando com a mão esquerda as rédeas, enquanto com a direita exibe a Constituição de 1824.(Há quem acredite tratar-se das cartas recebidas às margens do Ipiranga.) No pedestal, quatro estátuas de bronze representam os rios Amazonas, Paraná, São Francisco e Madeira. O monumento nasceu de um concurso internacional, em 1855, vencido pelo brasileiro Maximiliano Mafra, e foi construído em Paris por Louis Rochet ( 3º colocado no mesmo concurso) que tinha como aprendiz o jovem Auguste Rodin.
Em 1865 acrescentaram-lhe quatro alegorias representando as virtudes das nações modernas: a Justiça, a Liberdade, a União, e a Fidelidade, depois transferidas para a Praça NªSª da Paz, em Ipanema. O gradil foi instalado em 1865, e dos oito lampiões iniciais, restam 5. O monumento foi recentementerestaurado (2006) e as alegorias retornaram, devolvidas à Praça.
Nas proximidades há, ainda, alguns prédios de valor histórico, tais como: o Solar do Visconde do Rio Seco (Pça. Tiradentes, 67), a Igreja do Santíssimo Sacramento (Av. Passos, 50), a casa de Bidu Sayão (Pça Tiradentes,48) e as casas de números 5 e 11 da Rua Gonçalves Ledo.
Na foto grande, do início do século passado, vê-se trecho da praça. No postal, também do início do Séc. XX, podemos apreciar alguns detalhes; e a foto colorida, mais recente, mostra a ausência de vários lampiões.
No local onde existia, desde o início do séc. XVI, a ermida de Nª Sª da Ajuda, foi construído o Convento. A pedra fundamental foi lançada em 1745, mas o convento só começou a funcionar em maio de 1750, com doze postulantes na clausura, a viver sob aRegra das Concepcionistas Franciscanas com as Constituições do Mosteiro da Luz, de Lisboa, adaptadas ao nosso país. O chafariz, conhecido como das Saracuras, é obra de Mestre Valentim, foi inaugurado em 1795 no pátio interno do convento, e desde 1917, encontra-se na Praça Gen. Osório, em Ipanema. A foto acima mostra o chafariz onde as freiras lavavam suas roupas.
O mosteiro ficava localizado no início do caminho dos arcos, hoje Rua Evaristo da Veiga, onde permaneceu até 1911. Atualmente, o convento está na Rua Barão de São Francisco, 385, em Vila Isabel.
A vida do convento começou com monjas de Santa Clara, vindas do Mosteiro do Desterro, na Bahia, e que permaneceram até cerca de 1766.
O corpo de D. Maria I, mãe de D.João, foi enterrado no interior do convento, onde permaneceu até ser transladado para Lisboa. Também lá esteve o corpo de D. Leopoldina, primeira esposa de D. Pedro I, até a demolição, quando passou para o Convento de Santo Antonio (no Largo da Carioca) onde permaneceu até 1954, quando foi transladado para o Museu do Ipiranga, em São Paulo.
Em 19 de maio de 1855, o governo imperial baixou a Lei Nabuco, que proibia as admissões nas ordens religiosas. O convento permaneceu com apenas 4 freiras, além da madre-superiora que pediu várias vezes a intervenção da Princesa Isabel, de forma a permitir a admissão de postulantes, nada conseguindo. O noviciado só foi reaberto com a República, já no ano de 1891.
Nas fotos abaixo vemos o convento, em 1907, com o Palácio Monroe ao fundo;nota-se a Av. Central (atual Rio Branco) pronta, com postes separando as pistas de rolamento, e parte da Praça Floriano (que seria ampliada com a utilização de trecho do terreno do Convento). Na última foto, tirada em sentido contrário, pode-se ver, ao longe, parte da fachada do Theatro Municipal.
Seguindo o caminho de São Clemente, o Príncipe D. João chegava à Lagoa justo na praia da Piaçava, no sopé do morro da Saudade. Dali, que era um porto de canoas, Sua Alteza alcançava o Jardim Botânico navegando pelas águas tranqüilas da Lagoa.
Consta que havia, junto à praia da Piaçava, uma fonte onde, nos princípios do Séc XIX, lavadeiras portuguesas iam lavar roupas. E cantavam fados, relembrando com saudades a terra distante. A fonte vertia uma água mágica. Rezava a lenda que quem dela bebesse nunca mais esqueceria asbelezas do lugar.
Hoje, o espaço entre as faldas do Morro da Saudade e a Lagoa ampliaram-se graças aos aterros da época do prefeito Carlos Sampaio, mas a região manteve o nome. E o prédio de número 111, da Rua Fonte da Saudade, exibe, em seus jardins, uma alegoria da Fonte.
As fotos mostram a fonte em foto de Malta (1890), a praia da Piaçava sendo aterrada (c.1910), e ahomenagem no jardim do edifício.
Na verdade, não é uma praça, mas uma área da XVI Região Administrativa do Rio (Jacarepaguá); nem seria Seca, já que esta palavra é uma corruptela de Asseca. É que as terras pertenciam a Martim Correia de Sá e Benevides Velasco (filho do primeiro governador do Rio de Janeiro),Visconde de Asseca na nobiliarquia portuguesa.
As terras de Martim de Sá abrangiam vasta área, desde o atual Campinho, pelo vale do Pau Ferro, até o mar.
O local que começou a ser conhecido como Largo do Visconde de Asseca, teve o nome resumido, mais tarde, para Largo do Asseca, depois Largo d'Asseca, e por fim, Praça Seca.
Quando os franceses chegaram, em 1555, a região abrangida pelos atuais bairros do Leblon, Ipanema, Gávea e Jardim Botânico era ocupada pelos índios Tamoios. E assim continuou até que o governador do Rio, Antônio Salema (1575-1578) desejoso de construir um engenho de açúcar às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, decidiu livrar-se dos tamoios. Mandou espalhar, pelas cercanias, roupas que haviam sido usados por doentes de varíola. Os índios foram exterminados pela doença.
Bem mais tarde, em 1845, instalou-se junto ao litoral um estabelecimento para beneficiar óleo de baleia. Pertencia ao francês Charles Le Blond (ou Le Bron), origem do nome Leblon.
Por volta de 1880, a Campanha Abolicionista já andava movimentando a cidade, e criado "quilombos abolicionistas". Um desses "quilombos" foi constituído, no alto Leblon, por iniciativa deJosé Seixas Magalhães (ou José de Guimarães Seixas), rico comerciante português, que lá comprou uma chácara onde cultivava camélias, e abrigava negros fugidos.
Em 1918 construiu-se a ponte que liga a Vieira Souto à Delfim Moreira,Em 1920, o prefeito Carlos Sampaio promoveu o saneamento da Lagoa e a construção dos dois canais (o do Jardim de Alá e o da Av. Visc. de Albuquerque). Em 1938, com a segunda ponte, unindo a Visc. de Pirajá à Ataulfo de Paiva, o bonde chegou ao Leblon, unindo este bairro à Gávea, e a Ipanema e Copacabana.
Na foto, o Leblon,Gávea e parte da Lagoa Rodrigo de Freitas, em 1938.
A Associação Cristã de Moços foi fundada em Londres, em 1844, pelo jovemGeorge Williams (1821-1905). Foi trazida para o Brasil pelo americano Myron Clark que fundou no Rio, em 1893, a primeira ACM da América Latina, em uma sala na Rua Sete de Setembro.
A primeira sede própria foi adquirida em 1896, na Rua da Quitanda, 47. Em 1922, foi pioneira na Rua Araújo de Porto Alegre, recém-aberta na esplanada que resultou do desmonte do Morro do Castelo. Esse é o prédio mostrado na foto. É de se notar, ao longe, os fundos da Igreja de Santa Luzia.
Atualmente, a ACM está localizada à Rua da Lapa, 86, em prédio que se pode ver na foto colorida.
O viaduto construído na Rodovia Rio — São Paulo (BR-465), sobre a Av. Brasil, nas proximidades da fábrica da AMBEV, em Campo Grande, recebeu o nome de Viaduto Engenheiro Oscar Brito.
Entretanto, o povo logo o abreviou para Viaduto Oscar Brito, o que, fatalmente, acabou por transformá-lo em Viaduto dos Cabritos.
A corruptela pegou, já que, até em documentos da Prefeitura, há referências ao Viaduto dos Cabritos, como se esse fosse o nome oficial da obra. (veja, na figura, trecho de relatório de obras em site da Prefeitura _o grifo é meu).
Pequena rua em Copacabana que une a rua Duvivier à Rodolfo Dantas. É ladeada por edifícios construídos no início década de 1950, com apartamentos minúsculos chamados, à época, J K (janela e kitchenette), muito usados como garçonnière(palavra muito usada na época, hoje em desuso, inclusive por não mais existirem tais locais "especializados").
Pois consta que uma noite, um rapaz, já bêbado, gritou da calçada: «Joga a chave, meu amor!»muitas chaves foram atiradas e uma, ligada a um chaveiro mais pesado, acertou-o em cheio na testa, forçando-o a ir a um hospital levar alguns pontos...
João Roberto Kelly agarrou a dica e compôs para o carnaval de 1965 uma marchinha que fez enorme sucesso: «Joga a chave, meu amor!».
O local foi repleto de barzinhos, muitos deles mal frequentados, o que fazia quase permanente a presença da polícia na rua.
Alheios a esses problemas, existiam uns poucos lugares onde se podia ouvir a melhor música dos anos 1960. E barzinhos de vida mais calma, como o Manhattam e o Kilt Club; este, propriedade do Pierre, que havia sido garçom do Bacarat. No Kilt, só se podia entrar de paletó; e havia vários, na portaria, para emprestar aos frequentadores conhecidos.
Hoje, nada mais que pequenas lojas, alguns brechós e tranquilos transeuntes.
A propósito, a rua homenageia a Manuel Inácio Carvalho de Mendonça, que nasceu em 2 de dezembro de 1859, em Minas Gerais, e faleceu em 19 de setembro de 1917. Formou-se em Direito, em 1881, pela Faculdade de São Paulo. Veio para o Rio de Janeiro, onde foi frequentador assíduo do Apostolado Positivista do Brasil, como positivista ferrenho que era. Publicou diversas obras na área do Direito e do Positivismo.
O padroeiro da cidade tem um monumento na Praça Luiz de Camões (nome oficial do que é conhecido, também, como Largo do Russel), bem próximo do local onde teria aparecido, em 20 de janeiro de 1567, para os portugueses, chefiados por Estácio de Sá, que lutavam contra os franceses e tamoios.
Graças à ajuda do Santo, os portugueses levaram a melhor no combate contra o forte de Biroaçumirim, que existia no outeiro onde hoje está a igreja da Glória. Nessa batalha, que consolidou a posse dos portugueses, Estácio sofreu o ferimento que lhe causou a morte.
A estátua tem 7m de altura, é obra de Dante Croce, Curzio Zani e Arnaldo Valilo, e foi entronizada ali quando dos festejos do 4º centenário da cidade, em 1965.
A igreja de São Sebastião, dos capuchinhos, que existia no Morro do Castelo foi transferida para a Tijuca, onde fica à Rua Hadock Lobo, 266. A nova catedral, erigida na esplanada do morro de Santo Antonio, Av. República do Chile, 245, também é consagrada ao santo padroeiro da cidade.
A região conhecida como Ilha fica no bairro de Guaratiba, local que concentra a maioria das chácaras produtoras de plantas ornamentais da cidade. Quem ouve falar do local pode imaginar tratar-se, de fato, de uma ilha.
Na verdade, seu nome vem da corruptela do nome de antigo proprietário de grande gleba, um certo William. Como os moradores locais não sabiam pronunciar corretamente o nome do proprietário, chamavam-no de Sr. Ilha, o que acabou fixando o nome do local como Ilha de Guaratiba.
No mapa vê-se a região e, notadamente, a Estrada e o Morro da Ilha.
A Igreja de São João Baptista da Lagoa, construída em 1831, na Rua Voluntários da Pátria, 287, substituiu a Capela de Na. Sa. da Conceição criada pelo Príncipe D João, em 1809, às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, para atender a rarefeita população do Catete à Gávea.
Conhecida como Igreja da Matriz, dá nome à rua que lhe fica em frente. O santo a que é consagrada dá nome, também, ao cemitério de Botafogo e à rua que fica em frente a seu portão principal.
Foi onde Nilo Peçanha casou-se, em 1895, com Ana de Castro Belisário Soares de Sousa de aristocrática família de Campos dos Goytacases (cidade de nascimento de Nilo Peçanha). Foi um escândalo: a noiva teve que fugir de casa para casar-se, pois a união com um mulato era desaprovada pela família. Em 1903, Nilo Peçanha foi eleito sucessivamente senador e presidente do estado do Rio de Janeiro, permanecendo no cargo até que, em 1906, foi eleito vice-presidente da república, assumindo a presidência, em 1909, por motivo do falecimento de Afonso Pena.
A igreja é de estilo neoclássico. Participaram de sua construção os arquitetos Francisco Joaquim Bettancourt da Silva, e Adolpho Morales de los Rios. Na foto, a fachada da igreja vista da Rua da Matriz.