O bonde Ipanema prepara-se para sair de seu ponto final na Rua Teixeira de Melo, e tomar à direita na Rua Visconde de Pirajá. Reparem que há um banco na calçada, para uso dos passageiros que aguardavam o transporte. Não há indicação de data no postal, mas acredito que seja da década de 1940.
Na foto seguinte, já em 1950, vê-se um bonde em detalhe, inclusive com alguns passageiros de pé entre os bancos.
Curiosa foto tirada do Morro do Castelo em direção à Niterói, no início do século passado.A Igreja de Santa Luzia é vista de fundos, e sua praia já apresenta sinais do primeiro de vários aterros nesta região.
A ilha que se vê no meio da foto é Villegaignon. Entre a ilha e o continente foi construído o Aeroporto Santo Dumont.
A segunda foto, do Google Maps, mostra a igreja assinalada com um ponto preto, e a Ilha de Villegaignon _também já acrescida por aterros_ onde, desde 1938, está a nossa Escola Naval.
O monumento ao Almirante Barroso foi inaugurado em 1909, na praia do Flamengo, entre a Av. Beira-Mar e o local onde, em 1923, seria erguido o Hotel Glória.
Em 1977, foi transferido para o final da Praça Paris, na altura da Glória.
A estátua é obra do escultor José Otávio Correia Lima, tem 2 metros de altura e fica sobre uma coluna cilíndrica, a 8 metros do solo. O pedestal, que contém os restos mortais do Barão do Amazonas, ostenta as seguintes legendas: «Riachuelo - 11 de Junho de 1865» e «Ao Almirante Barroso - a Nação». Duas figuras aladas representam a Pátria e a Vitória. Há, ainda, quatro medalhões, nos ângulos, com efígies dos oficiais Oliveira Pimentel, Pedro Afonso Ferreira, Feliciano Maia, e Lima Barros; unindo os medalhões, os nomes dos navios e comandantes que participaram da Batalha Naval do Riachuelo. Mais abaixo, medalhões com as figuras do Guarda-Marinha Greenhalg e do Imperial Marinheiro Marcílio Dias.
Surgiu como Campo das Laranjeiras, no inicio da Rua das Laranjeiras, rua que acompanhava o curso do Rio Carioca.
Foi alinhado e classificado como logradouro público em 1810.
Nele estabeleceu-se um acougue, que exibia, como emblema, a figura de um enorme machado, razão pela qual passou a ser conhecido como Largo do Machado.
O nome pegou, e o povo continuou chamado-o assim, mesmo quando a municipalidade nomeou-o, oficialmente, de Largo da Glória, em razão da Igreja Matriz da Glória, construída a partir de 1842 e, depois, de Praça Duque de Caxias, graças à inauguração, em 1899, da estátua eqüestre de Caxias, mais tarde transferida para a frente do Palácio da Guerra, junto à Central e diante da Praça da República.
A foto, de Auguste Stahl, mostra calceteiros colocando pedras portuguesas na praça. A vista aérea é de 1921.
Neste postal de 1920 vê-se o cruzamento da Av. Paulo de Frontin com a Rua do Bispo. À direita, a Igreja de São Pedro Príncipe dos Apóstolos com sua cúpula e, ao fundo, o Corcovado.
Construída pelo Prefeito Paulo de Frontin, com o nome de Av. Rio Comprido, encaminhava o canal regularizador do curso do Rio Comprido. Teve, mais tarde, o nome alterado para Av. Paulo de Frontin.
Sobre ela construiu-se, na década de 1970, o Elevado Engenheiro Freyssinet que liga a saída do Tunel Rebouças à Praça da Bandeira.
O primeiro mostra, no início do século XX, a Av. Beira Mar em direção ao Palácio Monroe. Vê-se, à esquerda, o Passeio Público e um dos torreões que ladeavam a varanda que então existia. É de se notar o Morro do Castelo, ao fundo, e, junto à avenida, o Obelisco; mais além, as torres da Igreja de Sta Luzia.
O segundo, em fotografia tirada do Palácio Monroe, mostra o chamado Cais da Lapa, em frente ao Passeio Público, cujo terraço se vê inteiro, com os torreões que seriam demolidos no início da década de 1920. Vê-se, também, o amplo espaço a ser ocupado pela Praça Paris. Mais além, divisa-se o outeiro da Glória, com sua Igreja.
Nesta curiosa foto surge uma figura estranha: um navio em plena Esplanada do Castelo.
Consta que a construção deveu-se a um certo Cordão dos Laranjas, e serviu para acolher foliões em bailes de carnaval.
Nesta foto, de 1936, que abrange grande parte da esplanada surgida com o desmonte do Morro do Castelo, é possível identificar pontos, tanto os ainda hoje existentes, como uns poucos desaparecidos.
A partir do canto inferior direito da foto: parte do telhado do Paço, na época prédio dos Correios; ao lado, a cúpula do Palácio Tiradentes e, adiante, as torres da Igreja de São José.
É de se ressaltar que, à época, no edifício do Paço estava instalado o Departamento de Correios e Telégrafos que havia construído um prédio no pátio interno, demolido quando da restauração do Paço.
Nos fundos do Palácio Tiradentes, a Rua Dom Manoel com parte do atual Anexo da ALERJ e, mais à esquerda, o prédio da Marinha (onde hoje está o Museu Naval) seguido do que abriga a Procuradoria do Estado e, o maior e mais à esquerda, a Biblioteca do Tribunal de Justiça.
Vê-se claramente, como prolongamento da Rua Primeiro de Março, o traçado da larga avenida que homenagearia Antonio Carlos Ribeiro de Andrada, Presidente do Estado de Minas Gerais (1926-1930), ornada de árvores.
Mal se distingue as torres da Igreja de Sta Luzia na esquina da Av. Pres. Antonio Carlos com a Rua deSanta Luzia. A Av Presidente Wilson quase não aparece, mas o edifício da Esso, próximo à Av. Rio Branco, destaca-se, praticamente isolado.
Há um trecho da Rua Méxicobem visível nos fundos da Biblioteca Nacional e do Edifício do atual Museu de Belas Artes. A Avenida Rio Branco está encoberta, mas os prédios da cinelândia são bem visíveis devido ao espaço ocupado pela Praça Floriano que se adivinha à frente da Biblioteca.
Da Av. Graça Aranha há apenas o traçado, mas a Av. Calógeras se percebe, embora oculta pelos prédios.
O antigo edifício da Associação Cristã de Moços, objeto de post de 11fev2009, e um dos primeiros a ocupar a esplanada, está logo além do curioso navio cenográfico.
Mais além, é possivel distinguir a Praça Paris, com pequena parte ocultada pela cúpula do já desaparecido Palácio Monroe.
Desde os anos 1950, e por cerca de 30 anos, Isaias da Silva, apelidado Urubu, fez ponto em frente ao Bar Igrejinha, na Rua Francisco Otaviano, perto da esquina da Av. Copacabana, pronto a prestar socorro mecânico aos cariocas, fosse de dia, fosse à noite.
Seu carro-guincho, apelidado de Soneca, um veículo adaptado, velho e cheio de mazelas, precisava de muita água para o motor não fundir; e estava, há anos, a pedir pneus novos e uma demão de pintura.
Era facilmente reconhecido quando ia em socorro de algum motorista em apuros, e, com um aceno, respondia a saudação de motoristas e pedestres. Na boléia, o vira-latas Pega-Firme, seu fiel companheiro. O cão, originalmente branco, já era cinza devido à graxa e sujeira acumuladas.
O trio Urubu, Pega-Firme e Soneca era popular no bairro. Atendia a chamados feitos ao telefone do Bar Igrejinha e, não raro, se via Urubu, ora ocupado em reparos de emergência na rua, fosse em Fuscas, Impalas ou Cadillacs, ora rebocando carros batidos ou necessitados de maiores cuidados, ,
Isaias “Urubu” da Silva aprendeu mecânica servindo ao Exército. Desmobilizado, foi motorista de lotação, trabalhou em oficinas, mas se realizou, de fato, no serviço por conta própria com o carro-reboque. Sua tabela de preços era variável, dependia da cara do freguês, mas sempre razoável.
Figura folclórica da Zona Sul, Urubu permanece na memória daqueles que o conheceram, ou dele precisaram em horas difíceis.
Na foto do carro-reboque na Av.Atlântica, pode-se ver Pega-Firme em seu posto, na janela do motorista.
Um trambulhão do bonde atira as moças uma por cima da outra. Uma senhora velhusca, que dormitava no banco fronteiro, accorda, alarmada. Um velho, que lia um jornal, resmunga alguma coisa que não se ouve. O bonde pára e ouve-se o vôar de uma mosca evadida do açougue proximo. Um homem que apparenta 40 annos, com as mãos cheias de embrulhos, queixa-se da carestia da vida ao visinho, que nunca o vira mas que, decerto conhecia, tambem, a carestia.
- Não sei onde vamos parar com o preço de tudo. O pobre ja não pode, pois nem a casa tem garantida. E os impostos? Cada vez augmentam mais. Imagine que tenho mulher e quatro filhas, e mais a sogra, tia da minha Genoveva. Tenho um pequeno atacado de CRUP. É um inferno!...
E olhou, silenciosamente, para um gato morto que a Limpeza Pública tinha esquecido á porta de uma casa velha. O outro concordou, com um gesto, e fez, tambem, uma cara de soffrimento.
- Ó idiota! Não vê que «tem» uma senhora subindo?
O «idiota» é o motorneiro, que ia dando marcha no carro depois da violenta parada. Trava, de novo, o vehiculo, e o conductor começa a discutir com o homenzinho que reclamou por conta da senhora que ia soffrendo um choque e suas consequencias traumaticas. O homenzinho, que quer conquistar as sympathias do bonde em peso, ameaça dar pancada no conductor. A dama que escapou de cair abana-se, muito vermelha, com uma cara de casa de commodos e de tyrana domestica. O caixeiro, que tem um corpo de Hercules de circo, approxima-se do banco em que está o cavalheiro salvador, enquanto os passageiros se voltam, farejando um escandalo e uma briga. Trocam-se desaforos pesados e, afinal, um soldado de polícia que assistia, displicente, á scena, resolve intervir em nome da Lei. E a Lei apaga os odios nascentes...
- Toca o bonde!
- Espera, homem! Pára o bonde!
É um senhor, que brande no ar um bengalão de junco e que tem, para carregar no vehiculo, a mulher, outra mulhar, e cinco filhos menores. Os passageiros fazem gestos, irritados, de impaciencia, e o conductor berra do alto da plataforma, com uma voz de commando:
- Não ha lugar!
Uma sensação de alivio invade a população ambulante. O motorneiro pisa na campainha, reclamando o sinal de partida. E duas pancadas vibram, afinal, puxadas pelo cordão sujo que a mão do conductor manobra. O bonde arranca, num grande esforço de rodas de aço, e um turbilhão de poeira se alevanta envolvendo tudo num banho secco de calor e de sujo... E o sol cae como uma immensa cataplasma de fogo na face das cousas queimando, calcinando, e arrancando pulverisações de ouro na pedra sórdida das ruas...
Transcrição da crônicade Herilo Neves na Revista CARETA de 14jan1928. (Parte 1). É de se observar a grafia da época.
O BONDE
(Scenas da vida carioca)
O bonde rola, ruidosamente, por sobre os trilhos asperos, mal engraxados como as botas dos homens pobres. Uma nuvem de poeira acompanha o vehiculo, tornando mais sujo e mais triste o conductor, que a todo momento enfia os olhos pelos bancos, farejando rapazes relapsos, mocinhas distrahidas, gordas senhoras sonolentas.
- Faz favor!
E agita no ar um punhado de nickeis, cujo tinido tem por fim acordar as consciencias esquecidas do tostão da passagem. O sol envolve tudo num amplexo de fogo e, no ar, partículas doiradas parecem faúlhas de um incendio enorme. Ha um cansaço immenso em todas as cousas, e a propria terra parece abrir-se num infinito bocejo de tedio. Outros bondes passam em sentido contrario, com um grande rumos de velhos ferros que se chocam. Carroças ferem, com suas rodas de aço, a face rude dos paralellepípedos. Á porta das casas commerciaes empregados em manga de camisas abanam-se com ventarolas de RECLAME e apregôam roupas brancas para senhoras,sapatos a 20$ o par. Um garoto, que pulou para a plataforma do bonde, offerece a sorte grande, que ninguem quer, e faz caretas ao caixeiro do vehículo que ameaça dar-lhe meia duzia de ponta-pés. Como as casas, succedem-se as pessoas, na rua. Uns vão muito apressados, enxugando o suor com uns lenços cheios de manchas de pó. Outros detêm-se, ao passeio,dicutindo negocios, segredando conquistas, invectivando o tempo e o verão inclemente. Odôres succedem-se assignalando ás pituitarias humidas a pharmacia, o estábulo, a venda de galinhas e de fructas. E o bonde rola, por entre pragas do motorneiro que faz tilintar a campainha de aviso, e reclamações dos passageiros que têm pressa em voltar ao trabalho.
- Como é? O bonde sae ou não sae?
- Vae largar! Larga!
Um homenzenho nervoso, com a cara marcada de bexigas, levanta-se para ver o que está detendo a marcha do vehiculo. Foi uma carroça que se atravessou na linha. O carroceiro, entre palavrões, fustiga os míseros burros esgottados; o motorneiro bate, com impaciencia, a campainha do vehiculo, e pescoços curiosos se alongam para fora do bonde inquirindo, escutando, animando a marcha do carro. Os burros, num último esforço, fazem a carroça saltar do trilho. Uma ultima praga e o primeiro arranco do bonde.
No bando da frente, duas collegiaes, vestidas de azul e branco, conversam com animação infantil. Cochichos e sorrisos rapidos se cruzam e se succedem vertiginosamente.
- Vaes á aula, amanhã?
- Eu? Não. Vou dansar hoje na casa da tia Maricota.
- Ha festa, lá?
- E então! Tia Maricota faz annos de casamento. E o Carlito vae...
O Recolhimento funcionava em um edifício de três andares, na esquina das Ruas da Cadeia e dos Ourives (atuais Assembléia e Rodrigo Silva). Fora construído a partir de 1742 e inaugurado, em 1759, pelo Bispo D. Frei António do Desterro. Embora pertencente à Irmandade da Misericórdia, adquiriu o “sobrenome”, por ficar ao lado da Igreja de Na. Sa. do Parto.
Conta-nos Charles Dunlop que, a princípio, “destinava-se a albergar mulheres de vida desonesta que, arrependidas do pecado, procuravam na religião o caminho da regeneração”. Em pouco tempo, porém, transformou-se em local onde eram internadas filhas desobedientes (as que não queriam casar-se com o noivo escolhido pelo pai), e esposas recalcitrantes na desobediência aos maridos.
Na noite de 23 para 24 de agosto de 1789, irrompeu violento incêndio no prédio. Populares arrombaram as portas, retiraram as mulheres da prisão a que estavam recolhidas, e combateram o incêndio com baldes de água trazidos desde o chafariz da Carioca (naquele tempo ainda não havia Corpo de Bombeiros na cidade).
No dia seguinte ao incêndio, o vice-rei Luís de Vasconcelos e Souza incumbiu mestre Valentim a construir um novo prédio para o Recolhimento. O que, para infelicidade das mulheres, foi feito com toda a urgência: o novo prédio ficou pronto em dezembro do mesmo ano. É de observar que o Recolhimento funcionou neste novo prédio até 1812, quando foi levado para o Largo da Misericórdia, em prédio onde funcionaria, depois, a Escola de Medicina. O prédio junto à Igreja de N.S. do Parto foi demolido em 1906, quando das obras de alargamento da Rua da Assembléia.
As fotos reproduzem quadros de Leandro Joaquim, retratando o incêndio, e de João Francisco Muzzi que mostra Mestre Valentim apresentando ao vice-rei as plantas do novo edifício do Recolhimento.
Era uma tropa de elite da Polícia Civil, foi criada em 5 de agosto de 1932, no Distrito Federal, e extinta em 21 de abril de 1960, quando da transferência da Capital para Brasília, ocasião em que o antigo Distrito Federal passou a ser o Estado da Guanabara.
No início eram 150 (50 policiais militares e 100 atletas selecionados nos clubes cariocas); e teve seu efetivo ampliado, por meio de concursos públicos, para 500 homens. Vestiam um uniforme cáqui, e usavam um boné encarnado.
O quartel dessa tropa ficava no alto do Morro de Santo Antonio, como se pode ver na foto que mostra o Tabuleiro da Baiana em primeiro plano.
Eram empregados em ações anti-tumultos, em grupos de 25 homens que chegavam em um caminhão-choque, e desembarcavam, cassetete à mão, batendo firme na turma que teimava em não dispersar-se.
Participou ativamente da repressão tanto da Intentona Comunista de 1935, quanto do Movimento Integralista de 1937.
Com o fim da Ditadura de Vargas, passaram a guarnecer as radiopatrulhas, como mostrado na foto de 1948
Mário Vianna, que se popularizou como árbitro e, mais tarde, comentarista de futebol, foi, dentre outras profissões, componente dessa tropa.
Augusto Duque Estrada Meyer, acompanhante de Pedro II, recebeu, do Imperador, em 1884, vasta extensão de terras, anteriormente pertencente aos jesuítas, e que se estendiam desde a Estrada Grande (atual Rua Dias da Cruz) até a Serra dos Pretos Forros (hoje, no final da Rua Camarista Meyer) em cujo sopé ficava a sede de sua Fazenda, a São Francisco. Abriu várias ruas nessas terras, dando-lhes nomes de parentes _ Frederico, Joaquim, Carolina Meyer_ e estabelecendo um novo bairro chamado, desde o início, de Meyer. Em 1879, o bairro foi cortado pelos trilhos dos bondes puxados a burros da Companhia Ferro-Carril e, em 1907, pelos de tração elétrica da linha que unia o Engenho de Dentro ao Largo de São Francisco. Com o tempo o nome de origem alemã foi aportuguesado para Méier. Na dia 13 de maio de 1889 foi inaugurada a estação de trem da então Estrada de Ferrro D. Pedro II (hoje, EFCB). Tal importância teve a chegada do trem para o desenvolvimento da região, que a data é comemorada como a de fundação do bairro. A partir da década de 1950, houve uma verdadeira explosão demográfica e comercial. É de se notar que o primeiro shopping do país foi inaugurado, em 1963, no Méier. O bairro possuiu também o maior cinema da América do Sul, com capacidade para 2.400 lugares, que funcionou de 1954 a 1986. Na primeira foto vê-se a Igreja do Sagrado Coração de Maria, projeto de Morales de Los Rios. A vista aérea mostra a linha férrea que divide o bairro, e o Jardim do Méier.
Em 1936 surgiu, na Rua Visc. Pirajá, quase esquina da Garcia d’Ávila, uma mercearia que, a princípio, mantinha em suas prateleiras os artigos usuais a um armazém: azeites, vinagres, batatas, arroz, fubá, vinhos, doces em calda... Consta que D. Maria, a esposa do proprietário, ao ver a quantidade de crianças que circulavam pelo local, resolveu fabricar sorvetes de frutas.
O sucesso foi tão grande que a mercearia cedeu lugar a uma sorveteria. Seus produtos eram deliciosos. Consta que Juscelino Kubitschek adquiria, regularmente,sorvete de jabuticaba. Famosos também eram os de tangerina, cajá-manga e fruta-do-conde. Embora o nome tivesse sido alterado para Sorveteria das Crianças, era mais conhecida como ‘o Morais’, e quase sempre tinha fila à porta. O sorvete era servido em casquinhas feitas de aipim e degustados com o auxílio de pazinhas de madeira.
Os tempos passaram, e a sorveteria, premida pelo chamado “progresso”, se foi. Hoje, no local, está um prédio da Amsterdam Sauer. O Prefeito César Maia havia mandado colocar, na calçada, uma placa indicando o local onde funcionara a Sorveteria das Crianças. A placa já foi roubada...
Hoje, as receitas de D. Maria resistem pelas mãos de seu filho Adriano que, em uma carrocinha que manobra no final do Leblon, ainda vendepicolés feitos com polpas de frutas, goiaba, maracujá, abacaxi, tangerina, jaca, inclusive um feito de banana frita com canela. As receitas ainda são as de D. Maria, mas consta que a canela, no sorvete de banana frita, é um ‘toque’ de Adriano
As fotos mostram uma conhecida foto da sorveteria quando na Visc. de Pirajá, e o Sr. Adriano Morais com sua carrocinha no Leblon.
Em 1820, D João VI mandou comprar de ingleses um terreno que possuíam, e lhes cedeu um terreno na Rua dos Barbonos (atual Evaristo da Veiga) para que nele construíssem seu templo anglicano. Tal providência evitou a instalação de uma igreja protestante bem em frente ao Convento da Ajuda. Com o saldo da quantia destinada a essa obra, os ingleses construíram um cemitério na Gambôa, para que os funerais pudessem seguir os rituais anglicanos. O Cemitério dos Ingleses existe até hoje.
Na cerimônia de lançamento da pedra fundamental, em 12 de agosto de 1819, data de aniversário de George IV, foram depositados, como de costume, jornais ingleses e moedas da época. A capela manteve-se até o final dos anos 1800, quando foi remodelada e passou a ter a aparência da foto. Algum tempo fepois da abertura da Av. Central e da reurbanização da região, a igreja foi demolida, e outra construída na Rua Real Grandeza.
A foto mostra a "igreja dos ingleses" em 1915, vendo-se a Rua 13 de Maio e parte do Theatro Municipal.
Pouca gente, mesmo dentre os que viveram aquela época, lembra-se, com precisão, de como era a Avenida Atlântica antes do alargamento feito na década de 1970.
O atual calçadão junto aos prédios abarca o que era não apenas a pista de rolamento mas também as duas calçadas que a ladeavam.
A primeira foto mostra um postal da década de 1950. A segunda foto, obtida durante a obra, já deixa perceber que, junto à calçada, no lugar onde havia areia, se estende o que viria a se tornar o calçadão entre as pistas de rolamento. (Sob esse calçadão central, está instalado o coletor condutor do esgoto à elevatória Parafuso, na altura da Rua Alm. Gonçalves, que o recalca para o emissário submarino de Ipanema.)
A terceira foto mostra a cantoneira de pedra abaulada que, na primeira foto ficava entre a areia e a calçada, e agora separa o estacionamento do calçadão junto aos prédios. Reparem que o ralo, mostrado nesta última foto, marca o lugar da sarjeta da antiga pista, justo onde ela terminava e começava a calçada junto à areia.
A foto, de 1907, mostra o prédio do "Conselho Municipal", antecessor do Palácio Pedro Ernesto que, na Cinelândia, abriga a Câmara de Vereadores da cidade. O prédio da foto acima foi construído em 1872, e serviu, até 1896, como Escola Pública da Freguesia de São José.
Essa escola fora uma das quatro construídas com o dinheiro arrecadado para umaestátua que seria levantada em homenagem a D. Pedro II. O Imperador recusou a homenagem e recomendou que o dinheiro fosse destinado à construção de escolas.
A partir de 1896, já na República, o prédio passou a ser ocupado pelo Conselho da Intendência Municipal. Em 1910, já se tornara pequeno demais para os 24 intendentes municipais e seus 42 funcionários. Foi quando realizou-se um concurso público para a construção de um novo edifício, mas o projeto esteve arquivado até 1918. Em 1919, o Conselho passou a funcionar no Liceu de Artes e Ofícios, na Av. Central (onde hoje se encontra a Caixa Econômica Federal), para que a antiga escola pudesse ser demolida e o novo edifício levantado.
Esse novo prédio recebeu o nome oficial de Palácio Pedro Ernesto, mas foi apelidado, pelo historiador Brasil Gérson, de «Gaiola de Ouro» em virtude de ter custado 23 mil contos de réis, mais que o dobro do consumido na edificação do Theatro Municipal.
O Conselho havia sido criado em 1565 com um procurador e um juiz. Dois anos depois ocorreram as primeiras eleições, recebendo a casa doze vereadores, com mandato de um ano,sendo que o presidenteda casa acumulava as funções hoje exercidas pelo Prefeito. Com a República, foram separados os poderes judiciário e executivo municipais. Fechada em 1937, por decreto do Presidente Getúlio Vargas, foi reaberta em 1946, com o fim do Estado Novo, mas não apreciavam os atos do Prefeito que eram analisados pelos senadores da República. Com a transferência da capital para Brasília, em 1960, foi transformada em Assembléia Legislativa. Readquiriu a condição de Câmara Municipal quando da fusão dos Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, em 1975. Atualmente, conta com 50 vereadores eleitos para mandatos de 4 anos.
A foto dupla mostra a antiga Escola, na mesma esquina em que se vê o Palácio Pedro Ernesto. Finalmente, a Praça Floriano, em foto de 1938, como vista desde o Theatro Municipal.
Prédio projetado por Souza Aguiar, em 1906, a Escola Municipal Barth foi construída com doação do comerciante suiço Alberto Barth, e inaugurada em 1907. Fica na Av. Oswaldo Cruz, 124. Suas tarefas de ensino foram suspensas, em 1939, e ali instalado o Tribunal de Segurança Nacional, para julgamento dos envolvidos, tanto na Intentona Comunista de 1935, como no Golpe Integralista de 1938. Com a queda de Getúlio Vargas, e o retorno do país à normalidade democrática, voltou a funcionar como escola, já em 1946. No início deste século foi alvo de protestos por cercar parte de praça pública em Botafogo para servir de pátio de recreio para os alunos. O notável é ter-se mantido com a mesma aparência com que foi inaugurada, sem quaisquer “obras de modernização”, o que se pode depreender das duas fotos mostradas; a P&B quando de sua inauguração, e a em cores, bem recente. É um belo exemplo de conservação.
Teve origem nos sessenta mil volumes da Biblioteca Real trazidos de Lisboa em três etapas (1810-1811) após a chegada de Dom João ao Brasil. Esteve, inicialmente, instalada em salas do Hospital da Ordem Terceira do Carmo, na atual Rua do Carmo, próximo ao Paço. Instalada a biblioteca, seu acervo continuou a crescer através de compras, doações e pela entrega obrigatória de um exemplar de todo o material impresso quer nas oficinas tipográficas de Portugal quer na Imprensa Régia, no Rio de Janeiro. As obras podiam ser consultadas, mediante autorização, desde 1810, sendo franqueadas ao público apenas em 1814, logo após o término da organização do acervo. Após a Independência, a Biblioteca passou a pertencer ao Brasil em razão de indenização paga conforme estabelecido na Convenção Adicional ao Tratado de Amizade e Aliança assinado pelos dois países em 1825, que indenizou a Família Real Portuguesa pelos bens deixados no Brasil. A Real Biblioteca passou a chamar-se Biblioteca Imperial e Pública da Corte. Em 1858, a Biblioteca foi transferida das proximidades do Paço para o prédio nº. 60 da Rua do Passeio, hoje ocupado pela Escola Nacional de Música. Com a abertura da Av. Central (hoje Rio Branco), foi reservado para a Biblioteca, pelo governo Rodrigues Alves, um terreno de 100x75m, ocupando todo um quarteirão dessa nova avenida. A pedra fundamental foi lançada em 1905, e a construção concluída em 1910, já no governo Nilo Peçanha. O traço é do Gen. Francisco Marcelino de Souza Aguiar. A foto que ilustra o post é de Augusto Malta e mostra a Biblioteca recém-inaugurada, no número 219 da Avenida Rio Branco. Ao clicar aqui, o leitor terá acesso a uma animação promovida pela Biblioteca Nacional.