quarta-feira, abril 13, 2011

Anomalia Financeira

Humberto de Campos em Discurso de recepção na Academia Brasileira de Letras. (1920):

Certa vez, ia Emílio de Menezes em um bonde, quando se sentaram no banco imediato, em frente, duas senhoras de grandes banhas, que dificilmente puderam entrar no veículo. Com o peso das duas matronas, o banco, que era frágil, range, estala, geme, estranhando a carga. O poeta, que observa o caso, leva a mão à boca, no seu gesto característico, e põe-se a rir em silêncio, no seu riso sacudido e interior. E como o companheiro o olhasse, explicou:

- Sim, senhor! É a primeira vez que vejo um banco quebrar por excesso de fundos!...

quarta-feira, abril 06, 2011

Edifício de A NOITE

Considerado o primeiro arranha-céu do Rio de Janeiro, o Edifício de A Noite foi projetado por Joseph Gire e Elisário da Cunha Bahiana, e construído em concreto armado no ano de 1929. Tem 22 andares e fica na Praça Mauá. É tombado pela Prefeitura.

Em um de seus andares, o vigésimo, ficava o auditório da Rádio Nacional, de onde era irradiado o programa de auditório César de Alencar.

Nas imagens, vê-se o prédio de frente para a Praça Mauá e, abaixo, de lado, com o Morro da Conceição à direita e o de São Bento à esquerda.


quarta-feira, março 30, 2011

Café e Bar Sympathia

As fotos mostram, em diversas épocas o Sympathia, Café e Bar que existiu, até a década de 1980, na esquina da Rua do Rosário desde a abertura da Avenida Central (hoje Rio Branco).

Copio trecho de meu post sobre a Igreja da Conceição e Boa Morte: “No espaço entre a igreja e a avenida foi construído um prédio estilo eclético onde funcionou, por muitos anos, a Casa Sympathia que servia, em suas mesas e cadeiras de vime da calçada, um famoso refresco: o frappé de coco. Hoje, ali funciona a loja de roupas Bogart. Este prédio tem, junto à Rua do Rosário, largura tão pequena que algumas das janelas da fachada não abrem por falta de espaço.”.

As imagens mostram a construção quando da inauguração da Avenida; uma vista da esquina, nos primeiros tempos; o local em 1959, mostrando as cadeiras de vime; e, finalmente, uma vista recente.









quarta-feira, março 23, 2011

Cemitério das "Polacas"

O chamado “Cemitério das Polacas”, que tem o nome oficial de Cemitério Israelita de Inhaúma, foi criado pela Associação Beneficente Funerária e Religiosa Israelita, em 1916.

Essa Associação reunia mulheres judias trazidas ao Brasil (e, também levadas a outros paises) por um grupo de judeus dedicado ao tráfico de brancas, conhecido como Zwig Migdal. Homens desse grupo, no período de 1890 até o início da 2ª. Guerra costumava ir a vilarejos da Europa Oriental, prometiam empregos ou casavam-se com judias jovens e pobres, em cerimonias falsas que imitavam os costumes israelitas. As jovens só percebiam o golpe quando já afastadas da família. Eram trazidas para o Rio de Janeiro (e também para prostibulos de cidades da Argentina, Africa do Sul e Índia) onde passavam a viver em bordéis onde eram conhecidas como “francesas”.

As mulheres, quase sempre analfabetas, rejeitadas pela colônia judía, eram, quase sempre, enterradas como indigentes pois, para a colônia, eram consideradas pessoas impuras e teriam tratamento diferenciado nos cemitérios israelitas não merecendo o cerimonial dedicado aos seus mortos. Pois criaram uma Associação, construiram uma sinagoga, e estabeleceram um cemitério em Inhaúma.

Há livros bastante interessantes sobre o assunto. Posso citar O Baile de Máscaras, de Beatriz Kushnir; e o de autoria da jornalista Isabel Vincent, que conta a história de três mulheres: Bertha, uma das criadoras e presidente da Associação; Sophia, vendida pelo pai aos 13 anos de idade; e Rachel, forçada a prostituir-se pelo marido.

O Cemitério Israelita de Inhaúma foi tombado definitivamente pela Prefeitura como Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro. O decreto nº 32993, de 27 de outubro de 2010, reza: “a sua fundação em 1916, pela Associação Beneficente Funerária e Religiosa Israelita, representou um papel social relevante para uma parcela da população de imigrantes israelitas no país”. Fica na Rua Piragibe, em Inhaúma.

A imagem mostra a localização do Cemitério.

Há blogs que tratam do mesmo assunto. Vejam em Polacas e em Historia do Brasil

quarta-feira, março 16, 2011

Pinheiro Machado - Monumento

José Gomes Pinheiro Machado nasceu em 8 de maio de 1847 em São Luiz, RS. Em 1867, interrompeu seus estudos na Faculdade de Direito de São Paulo para seguir como voluntário para a Guerra do Paraguai. Voltando da guerra, terminou o curso e dedicou-se à advocacia até que decidiu tornar-se estancieiro, dedicando-se às atividades rurais, construindo o início de sua fortuna particular.

Fundou, com Venâncio Aires, o primeiro grêmio republicano na Província do Rio Grande do Sul, sendo um dos que, seguindo Júlio de Castilhos, propagou as idéias republicanas. Proclamada a República, foi Pinheiro Machado eleito Senador pelo Rio Grande para o Congresso Constituinte, não deixando de ser reeleito a cada vez.

Em 1892, quando da revolta federalista do Estado, seguida da Revolta da Armada, Pinheiro Machado pôs-se à frente da chamada “Divisão do Norte”, constituída de voluntários, para combater os inimigos de sua causa, vencendo-os no encontro em Passo Fundo. Tão relevante foram considerados seus serviços que Floriano Peixoto o nomeou General-de-Brigada.

Em 1915 foi assassinado, no Hotel dos Estrangeiros (ver), sendo o corpo levado ao Rio Grande do Sul pelo Encouraçado “Deodoro”, da Marinha de Guerra.

O monumento a Pinheiro Machado fica na Praça Na. Sa. da Paz. Foi fruto de iniciativa do Deputado Francisco Valadares que resultou em um concurso de maquetes vencida pelo escultor Hildegardo Leão Veloso (1899-1966). Devido a problemas advindos de sua execução, o escultor desinteressou-se de concluir seu trabalho, e o monumento foi entregue à Prefeitura pela empresa Cavina & Cia, não havendo cerimônia de inauguração.

O monumento fica sobre uma base construída em pedra e cimento, com quatro degraus de acesso ao pedestal, composto de colunas de granito e cantaria, de altura de cinco metros. A figura de Pinheiro Machado encontra-se de pé, de frente para a Rua Visconde de Pirajá; nas faces laterais, duas figuras de mulher que simbolizam a Glória e a Apoteose.

Acima, a foto do monumento como visto da Rua Visconde de Pirajá; abaixo, a estátua de Pinheiro Machado a.


quarta-feira, março 09, 2011

Automóvel Clube do Brasil

O prédio na Rua do Passeio, inicialmente moradia do Barão de Barbacena, foi inaugurado em 1860, com um baile a que compareceu o Imperador Pedro II. Foi, posteriormente, sede da Sociedade de Baile Assembléia Fluminense, da Sociedade Cassino Fluminense e do Automovel Clube do Brasil. Foi nele que o Pres. João Goulart fez o discurso que desencadeou o movimento de 1964.

No prédio instalou-se o Bingo Imperial até a proibição em 2003, quando fechou, ficando sem uso e abandonado até hoje.

Acima, a foto de prédio em 1930 e, abaixo, como se encontra atualmente.


terça-feira, março 01, 2011

Quinta da Boa Vista

Elias Antonio Lopes, um bem sucedido comerciante, presenteou ao príncipe D. João, pouco depois de sua chegada ao Rio de Janeiro, com uma casa _tida como a melhor da cidade_ que havia construído em 1803 em sua chácara de São Cristóvão. Tão agradecido ficou o príncipe, que chegou a agradecer o “notório desinteresse e demonstração de fiel vassalagem, que vem de tributar à minha Real Pessoa”.

A residência e o jardim foram reformados e o lugar passou a ser chamado de Quinta da Boa Vista, e a casa, Paço de São Cristóvão. Com o intúito de valorizar a área, D. João ofereceu vantagens a quem construisse nos arredores. O bairro tornou-se um dos mais populosos da cidade. Tanto o Paço, quanto os jardins sofreram alterações desde então.

Na verdade, Elias Antonio, que enriquecera com o tráfico de escravos, havia feito um belo investimento. No mesmo ano da doação, recebeu a comenda da Ordem de Cristo, o ofício de Tabelião e Escrivão da Vila de Parati, e dois anos depois foi sagrado cavaleiro da Casa Real, além de outros postos, como o de Deputado da Real Junta de Comércio.

Quando morreu, em 1815, o traficante deixou mais de cem escravos e uma fortuna em palácios, fazendas, ações do Banco do Brasil, e navios negreiros.

Há dúvidas quanto à nacionalidade de Elias. Uns dizem que era português nascido na cidade do Porto; outros que era o libanês Antun Elias Lubbos que teria aportuguesado seu nome ao chegar ao Brasil.

Na foto acima se vê o Paço de São Cristóvão em 1820, em uma pintura de Maria Graham; abaixo, fotos de como está, hoje, o prédio.



quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Esquina Dr. Sobral Pinto

Esquina Dr. Sobral Pinto

No Largo da Carioca, junto ao início da Rua da Carioca há uma placa, dessas azuis que dão o nome do logradouro, com os dizeres “Esquina Dr. Sobral Pinto”.

Parece-me a única esquina da cidade com designação. Embora tenha pesquisado em várias fontes, não consegui saber quem a colocou e por qual razão.

Existem, no Rio, três logradouros que o homenageiam: uma Avenida, na Barra da Tijuca (CEP 22630-005); uma Rua, no Vidigal (CEP: 22452-160), e uma Travessa, na Penha Circular (CEP: 21011-720).

O Dr. Heráclito Fontoura Sobral Pinto nasceu em Barbacena, MG, em 1893. Passou a adolescência em Nova Friburgo, RJ, onde frequentou o Colégio Anchieta, dos jesuítas. Fez o curso de Direito na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, formando-se em 1917.

Ficou conhecido quando defendeu o Copacabana Palace, planejado para ser concluído a tempo dos festejos do Centenário da Independência, mas que só foi inaugurado em 1924, ocasião em que o Governo tentou acabar com o jogo, o que traria grande prejuízo para seus proprietários, os Guinle.

Apesar de católico praticante, de ir à missa todas as manhãs, aceitou defender o comunista Luiz Carlos Prestes envolvido na Intentona Comunista de 1935. Chamou muito a atenção quando, ao defender o alemão Harry Berger, torturado pela Polícia, apelou para a Lei de Proteção dos Animais.

No fim de sua carreira, convidado pelo Presidente Juscelino Kubitschek para o Supremo Tribunal Federal recusou para evitar pensarem que seu interesse na posse do Presidente ocultasse algum interesse pessoal.

Faleceu, no Rio de Janeiro, em 30 de novembro de 1991.


quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Preconceito e Arrependimento

Consta que em 1849, na procissão promovida pela Ordem Terceira da Penitência, ao início da Quaresma, os irmãos negaram a participação da imagem de São Benedito, alegando que “branco não carregava negro às costas”. Os irmãos da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos recolheram sua imagem, humilhados.

Neste mesmo ano, o Rio de Janeiro foi assolado pela Febre Amarela. As beatas não demoraram a concluir e disseminar que a doença tinha sido uma represália à ofensa a São Benedito.

Na Quaresma do ano seguinte, São Benedito foi reposto na procissão, tendo seu andor restaurado e cheio de flores.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Floriano e Custódio

Serzedelo Correia - "Páginas do Passado", pág. 13.

Em uma das reuniões do ministério, com Floriano no governo, Custódio José de Melo, ministro da Marinha, propôs que se telegrafasse ao Marechal Moura, ministro da Guerra, então no Rio Grande, dando-lhe instruções para a pacificação do Sul. Floriano aceitou o alvitre, combinou o texto do telegrama e, no despacho seguinte, Custódio o interpelou.

- Então, telegrafou ao Moura?

- Não, - respondeu Floriano, seco; - mudei de opinião.

O almirante estranhou:

- Como? - V. Excia. não podia mudar de opinião; era assunto resolvido por todo o ministério.

- Mas mudei, - tornou o ditador. - Se o senhor quer a presidência da República, eu lhe passo o poder.

- Não, isso, não; - volveu Custódio.

E dando a sua demissão:

- Se eu quisesse a presidência da República, quando tinha os canhões do Aquidaban voltados para a cidade, não teria vindo ser ministro da Marinha no seu governo!

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Arco do Teles



Sob a antiga residência da família Teles de Menezes na atual Praça XV, construida pelo Engenheiro Alpoim, no séc. XVIII, o arco colonial de pedra é remanescente de violento incêndio ocorrido em 1790.
Mesmo a construção de novo prédio manteve o arco, e uma falsa fachada conserva o estilo antigo da construção, como pode ser visto nas fotos.
O Arco é o acesso da Praça XV para a Travessa do Comércio, local onde se encontra um dos melhores conjuntos de sobrados da cidade. Pode-se ver a casa de número 13, onde viveu menina a cantora Carmen Miranda.



quarta-feira, janeiro 26, 2011

Breve história do Paço


A história do Paço começa quando Gomes Freire de Andrade, Governador do Rio, (1733-1763) determina ao engenheiro Alpoim que construisse uma Casa de Governadores no local onde havia dois prédios contíguos (a Casa da Moeda e os Armazens Reais).

As obras foram concluídas em 1743, e o prédio tinha o aspecto de uma casa senhorial portuguesa. A fachada dava para o mar e a lateral para o Terreiro da Polé.

Com a transferência da capital de Salvador para o Rio de Janeiro, em 1763, a construção passou a Palácio dos Vice-Reis, assim ficando até 1808.

Chegada ao Rio a Corte Portuguêsa, o edifício passou a ser o Paço Real, ficando reservado às cerimônias oficiais. D.João foi residir na Quinta da Boa Vista, e a Princesa Carlota Joaquina, em uma casa em Botafogo.

Em 1882, com a Independência, passa a Paço Imperial, até que D. Pedro II recebe a visita do Major Solon Guimarães com o comunicado de sua deposição. Na madrugada de 17 de novembro, o ex-imperador, família e auxiliares partem para o exílio.

De 1890 até 1982, é o prédio ocupado pelo Departamento de Correios e Telégrafos, sofrendo várias reformas, inclusive uma construção de três andares no pátio interno.

Durante todo o período de sua existência, o prédio veio sofrendo alterações que o adaptavam às novas funções que ia assumindo. Inclusive um andar lhe foi acrescido. Depois da retirada do DCT, foram feitas obras visando a restauração do prédio ao tempo do Reino Unido. Hoje, é um Centro Cultural com exposições, lojas e livrarias.

A figura acima mostra quadro de Debret, de 1830; e a foto abaixo, em 1952, quando o prédio era ocupado pelo DCT (reparem que havia mais um piso).




quarta-feira, janeiro 19, 2011

Palácio Guanabara e o Fluminense


Vemos o Palácio Guanabara e o campo do Fluminense nesta foto aérea de meados de 1920.

Nota-se a Rua Pinheiro Machado, ao pé da foto, em diagonal. O Palácio dá frente para a Rua Paissandu, então ainda ladeada de palmeiras, e mostra um jardim à sua frente. O jardim foi reduzido quando da duplicação da Rua Pinheiro Machado, na década de 1950, para a abertura do Túnel Santa Bárbara, e que levou, também, parte do campo do Fluminense.

Chamou-se Rua da Guanabara até 1915, quando foi assassinado o político gaúcho José Gomes Pinheiro Machado e a rua passou a ter o seu nome,.

A residência começou a ser construída, em 1853, pelo comerciante português José Machado Coelho, então dono do terreno. Em 1865, foi comprado pelo Império para servir de residência ao casal Princesa Isabel e Conde d’Eu. Sofreu reformas em 1908 para a visita do Carlos I, de Portugal (assassinado antes de viajar), e em 1920, para hospedar o rei Alberto I, da Bélgica. Foi residência de Presidentes da República e, a partir dos anos 1960, dos Governadores do Estado.

No Fluminense, a piscina coberta e as quadras de tênis podem ser vistas, mas o ginásio ainda não havia sido construído. A grande arquibancada social encobre parte da sede do clube.

A foto abaixo mostra a Rua Paissandu na década de 1930.


quarta-feira, janeiro 12, 2011

Ônibus

Os primeiros ônibus a tração mecânica a trafegar na cidade ligavam a Praça Mauá até o Passeio Público, nos idos de 1908. Por vezes, esses carros prosseguiam até a Praia Vermelha onde, à época, ocorria a Exposição. Por volta de 1911, a linha passou a ir regularmente até aquela Praia.

Por volta de 1913, inaugurava-se uma linha entre a Rua dos Beneditinos e a Praça da Bandeira. Em 1916 inaugurou-se a linha chamada “auto-avenida” (por percorrer toda a Avenida Rio Branco), com ônibus elétricos de rodas de borracha maciça, que não faziam ruído. Eram movidos a bateria.

Em 1933, apareceria a Empresa Nacional Auto-Viação Ltda. com serviço regular para vários bairros (Andaraí, Tijuca, Copacabana, Ipanema, Leblon, etc.).

Grande desenvolvimento teve o transporte por ônibus quando a empresa Light lançou os luxuosos carros da linha Clube Naval - Pavilhão Mourisco. Os carros eram providos de vários melhoramentos, inclusive forração em veludo.

Em 1928, a Light inaugurava ônibus de dois andares, que o povo, jocosamente, apelidou logo de “chope duplo”.

Na década de 1950, surgiu um ônibus logo apelidado pelo povo de Camões por se “caolho”.

Mais tarde surgiu o ônibus elétrico com hastes até um par de fios estendido entre postes. Foi introduzido pelo Governador Carlos Lacerda (1960-1965) e logo desapareceu. O povo o tinha apelidado de “chifrudo”.

As fotos mostram: (1) o “ônibus-avenida” em frente ao Palácio Monroe; (2) o ônibus de dois andares (chope-duplo); (3) o conhecido como “camões”; (4) o ônibus elétrico, “chifrudo”, circulando próximo ao outeiro da Glória.






quarta-feira, janeiro 05, 2011

Ruas de Copacabana em 1916

Interessante esta foto aérea colhida em 1916. Nota-se que o Copacabana Palace ainda não fora construído (o que só ocorreria em 1923). Os morrotes do Inhangá lá estão a separar Copacabana do Leme.

A primeira rua, que mostra pequeno trecho na parte de baixo da fotografia em direção à praia, é a Xavier da Silveira. Logo a seguir, a Bolívar, em quase sua total extensão. A Barão de Ipanema e a Constante Ramos são vistas, a seguir, antes do grande espaço ainda livre de construções até a Rua Santa Clara.

Paralelas à Av. Atlântica, a Domingos Ferreira, depois a Aires Saldanha; a Av. Copacabana ainda interrompida pelos morrotes do Inhangá; e a Barata Ribeiro, mais à esquerda.

A Ladeira do Leme lá está, cortando o vale entre os morros de São João e da Babilônia. As ruas Dias da Rocha e Raimundo Correa seriam traçadas no areal que aparece no centro da foto; e a Cinco de Julho, junto ao Morro dos Cabritos, só seria aberta anos depois.

quarta-feira, dezembro 29, 2010

O Rio de Janeieo em 1750

Vemos uma reprodução de uma carta topográfica do Rio de Janeiro em 1750.

É bom lembrar que, à época, a capital brasileira ainda era Salvador (seria transferida para o Rio em 1763). Reinava em Portugal D. José I, tendo como 1ºMinistro o Marquês de Pombal, que viria a expulsar os jesuítas das terras portuguesas em 1759, depois de decretar a Derrama em 1765.

A cidade já tinha descido do Morro do Castelo, que aparece à esquerda. Vê-se, nitidamente a Ponta do Calabouço. A descida mais à direita _ Ladeira do Colégio_ vai dar na Rua por detrás do Carmo (hoje, Rua do Carmo).

Vê-se que a atual Rua Sete de Setembro vai apenas até a Rua do Carmo, estando diferenciados, no desenho, não apenas a Igreja do Carmo como o atual Paço.

A Rua Direita (hoje, Primeiro de Março) é a mais larga e vai diretamente desde o Morro do Castelo ao de São Bento (daí seu nome de Rua Direita), tendo assinalados, o Convento e a Igreja.

A atual Praça XV era um largo entre a Igreja do Carmo e o Mar; a praia seria substituída por um cais, mais tarde chamado de Cais Pharoux.

Note-se que a Ilha das Cobras era habitada.

quarta-feira, dezembro 22, 2010

O casamento da Princesa Isabel


No dia 15 de outubro de 1864, casaram-se a herdeira do trono do Brasil e o Conde d’Eu, filho do Duque de Nemours, da França.

O cortejo saiu da Quinta da Boa Vista cerca de 9 horas e seguiu, sob aplausos do povo, até o Largo do Paço (atual Praça XV), onde aguardavam a Guarda Nacional e um Batalhão de Fuzileiros, em trajes de gala. As salas do Paço estavam cheias de gente.

Às 10 e meia anunciaram a chegada dos noivos e os foram esperar, à porta da Catedral, as Damas e os Oficiais da Casa.

A Princesa trajava um vestido de filó branco com renda de Bruxelas e uma grinalda de flores de laranjeira. O noivo, em farda de Marechal, trazia a grã-cruz do Cruzeiro, a comenda da Ordem Militar de Espanha, a comenda da Ordem da Casa de Saxe e a medalha da Campanha do Marrocos.

Os noivos, ajoelhados em almofadas bordadas a ouro, ouviram as palavras cerimoniais do arcebispo da Bahia, Dom Manoel Joaquim da Silveira, e confirmaram os votos perante Igreja.

Terminada a cerimônia, D. Pedro II abraçou o genro e lhe condecorou com o colar da Ordem da Rosa.

Seguiram todos para o salão do Paço, onde representantes estrangeiros, altos funcionários, membros do Legislativo e da Magistratura, muitos cidadãos de várias comissões especialmente designadas para cumprimentar Suas Majestades.

Às duas horas da tarde, recolheu-se a família Imperial, partindo os recém-casados do Arsenal de Marinha na galeota com destino a Petrópolis.

E o povo comemorou, até altas horas, o acontecimento.

A foto mostra o Largo do Paço durante a festividade.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

A Águia ... e o Tico Tico



Constâncio Alves - Revista da Academia Brasileira de Letras, n° 39, pág. 243.

Ruy Barbosa era um espírito faminto de leituras. Lia tudo. Passava pelos olhos todos os jornais do Rio, quase todas as revistas, e não dispensava à cabeceira, para conciliar o sono, um romance policial.

Certa vez, em conversa com Constâncio Alves, citou o grande publicista um conto infantil, que lhe havia despertado interesse.

- Onde V. Excia. o leu? - teria indagado Constâncio.

E o mestre:

- Não estou certo; creio, porém, que foi no Tico-Tico...





quarta-feira, dezembro 08, 2010

Rua Real Grandeza

A foto de Malta mostra o trecho final da Rua Real Grandeza, aberta, desde a Rua Berquó (atual General Polidoro), por iniciativa do botafoguense José Martins Barroso.

Em 1855, o citado José Martins Barroso liderou um abaixo-assinado à Câmara para que se construísse através de terrenos, a maior parte de sua propriedade, uma via que atingisse Copacabana. A Câmara cedeu escravos do município, aos quais se deveria prover, não apenas das ferramentas necessárias, como de alimentação.

Dessa forma surgiu a Ladeira do Barroso _hoje Tabajaras_ e a Rua Barroso que, em 1930, teria seu nome mudado para Rua Siqueira Campos, em homenagem ao chefe dos revoltosos dos “dezoito do Forte” que enfrentaram as tropas legalistas nas areias em frente à esquina dessa rua.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Respeito à Etiqueta

Conta-nos J.M. de Macedo a seguinte história:

O Dr. Antônio Ferreira França, que foi deputado geral pela Bahia em quatro legislaturas, entre 1823 e 1837, era não só um dos oradores mais espirituosos da Câmara como um dos médicos mais ilustres do seu tempo. Sentindo-se Pedro I doente, ordenou que chamassem o médico baiano, o qual compareceu prontamente. No correr da visita, o imperial enfermo sentiu sede, e o Dr. França, que nada entendia da etiqueta da Corte, encheu um copo de água, e ia dar-lhe, quando um dos camaristas o deteve, brusco, dizendo-lhe que não lhe cabia aquela honra, que só a ele competia dar água ao Imperador. O Dr. Ferreira desculpou-se quanto pôde e, voltando ao Paço no dia seguinte, sucedeu que estando sozinho com o monarca, este manifestasse desejo de verter água. O "criado-mudo" estava ao alcance da mão, mas o Dr. França resolveu vingar-se; correu à porta do quarto, abriu-a, e, a mão em concha, gritou para o corredor:

- Quem é o do vaso?!... Venha quem é o do vaso!...