Um belo par de estátuas, uma balaustrada ornada de luminárias e duas escadariasconstituem o monumento comemorativo do centenário da abertura dos portos, ocorrida por ato do Príncipe D.João, logo que chegou à Bahia em 1808. As estátuas são obra do escultor francês Eugène Bénet, inspiradas _dizem_ em obras da Place de la Concorde, em Paris.
Junto às estatuas, a avenida Beira Mar, aberta por Pereira Passos debruçava sua amurada sobre o mar, de há muito afastado por aterros. A figura de costas para o Flamengo representa o Comércio: é uma mulher sentada que segura com a mão esquerda o caduceu, e com a direita um escudo com o desenho de um ramo de loureiro. A de costas para o Largo do Russel segura uma cana de leme com a mão direita e uma âncora, com a esquerda, e simboliza a Navegação. Nos pedestais de granito a inscrição «Abertura dos portos - 28 de janeiro de 1808».
É de se notar que os festejos do centenário não se limitaram ao monumento, incluíram uma grande exposição na Praia Vermelha.
A foto colorizada é um postal do início do século, enquanto a colorida é recente, vendo-se o Hotel Glória, construído na década de 1920.
Belo prédio construído em 1928 na Av. Atlântica, esquina de Rua Constante Ramos, em terreno que ia até a Rua Domingos Ferreira. Seguiu o sugerido no plano Agache, ficando na metade posterior do terreno junto à Domingos Ferreira, mantendo no espaço fronteirojardins e pérgulas com mesas de um restaurante no térreo.
Com dez andares foi, durante algum tempo, um dos mais altos edifícios da orla. Infelizmente, na década de 1960, permitiram a construção no espaço, até então,non aedificandi, surgindo um prédio à sua frente que lhe roubou a vista do mar.
Passou muitos anos abandonado, provavelmente por ser propriedade de apenas um dono. Problemas legais impediram que o prédio fosse demolido. Finalmente, na década de 1990 acabou tendo sua situação normalizada e, depois de reformado, foi transformado em residência para idosos. Teve seu simpático nome de origem tupi substituído por uma verdadeira frase em língua estrangeira, supostamente para parecer 'elegante'.
A foto em P&B mostra o prédio em 1945, conforme publicado por Luiz D' em seu fotolog de 05/07/2005; a colorida, a situação atual, em que vemos sua fachada verdadeiramente emparedada.
José Maria da Silva Paranhos, visconde do Rio Branco, nasceu na cidade de Salvador, Bahia, a 16 de março de 1819. Freqüentou a Escola Naval e a Escola Militar mas formou-se em ciências matemáticas.
Exerceu as profissões de Professor, Jornalista, Servidor Público, Diplomata. Em 1851, foi secretário na missão do Rio da Prata, sob o comando do marquês do Paraná. Foi ministro, chefe de delegação e enviado especial em missões na Argentina, no Uruguai e no Paraguai. Teve como tarefa, ao término da guerra, em 1869, a organização do Governo Provisório do Paraguai.
Foi deputado provincial pelo Rio de Janeiro e deputado geral em várias legislaturas. Presidente de Província, Ministro de Negócios Estrangeiros, da Marinha, da Guerra e da Fazenda. Presidente do Conselho de Ministros de março de 1871 a junho de 1875,cabendo-lhe sancionar a Lei do Ventre Livre (28 de setembro de 1871). Maçom, presidiu, como Grão-Mestre, o Grande Oriente do Brasil. É o patrono da cadeira nº40, da ABL. Pai do Barão do Rio Branco.
Faleceu em 1880. Graças a uma subscrição pública organizada pelo Jornal do Commercio, teve um monumento erigido e inaugurado, em 1902, no Largo da Glória. O Visconde está sentado, com o uniforme de Senador do Império; no pedestal, uma figura feminina simboliza a História. Em 1938, quando da substituição do nome da Av. Salvador Correa de Sá para Av. Princesa Isabel, por motivo do cinqüentenário da Lei Áurea, o monumento foi removido da Glória para Copacabana; e na década de 1990, quando se reformou o canteiro central da avenida, o monumento foi transferido para a Praça Demétrio Ribeiro, junto à Rua Felipe de Oliveira.
A primeira foto mostra o monumento no Largo da Glória, com a igreja do outeiro ao fundo. A foto recente mostra sua localização atual na Praça Demétrio Ribeiro, e se pode ver, à direita, as galerias do Túnel Novo.
Já não se ouve falar desse ponto da geografia carioca. Nem se encontram referências a ele em buscas pelo Google. Talvez porque tenha perdido sua magia com os sucessivos aterros na orla da baía. Por esse nome era conhecida a curva de entrada na Av. Ruy Barbosa de quem vinha pela praia de Botafogo. O apelido decorria do fato de quem, de carro, à noite, fazia a curva para acessar a Ruy Babosa, infalivelmente iluminava pelo menos um casal de namorados, no escurinho, junto à amurada.
O local era, de fato, mágico. A amurada sobre o mar deixava vislumbrar a enseada de Botafogo, com o Pão de Açúcar e o Morro da Urca ao fundo.
As fotos mostram trechos da Av. Ruy Barbosa e sua bela vista, durante o dia, em 1950; o trecho da amurada que ficava bem na curva, onde pescadores tentam a sorte, fora destruída, provavelmente por um acidente de trânsito, e ainda não reparada; a outra foto mostra um rapaz na posição usual das moças durante os namoros noturnos que deram o nome à curva.
Durante a administração do prefeito Pereira Passos (1902-1906), dentre os melhoramentos introduzidos na cidade fazia parte uma instalação sanitária para senhoras, na Praça Tiradentes.
É o que nos mostra a foto acima. Pode-se, ainda, ver um automóvel de capota de lona, estacionado, e um bonde a trafegar; é de se notar a vegetação que existia na praça, hoje toda pavimentada com mosaicos em pedras portuguesas.
A segunda foto, mais à distância, mostra, além do sanitário e das plantas, um estacionamento de tilburis em uma praça completamente diferente da de hoje. A rua ao fundo, de onde chega o bonde puxado a burro, é a da Carioca; ao fundo vê-se o Morro de Santo Antônio, e, à direita e à distância, o Corcovado.
A foto acima mostra a fabrica de gás, no Caminho do Aterrado (depois Caminho das Lanternas, Rua Senador Euzébio, Av. Pres. Vargas) antes da abertura do Canal do Mangue.
O edifício, construído em 1852-1854, ocupava todo o quarteirão entre as travessas de SãoJoão e do Porto (atuais ruas Dr. Carmo Neto e Comandante Mauriti).
No corpo central ficavam os escritórios, oficinas e laboratórios; no sobrado, além dos escritórios da companhia, havia acomodações para residência do engenheiro-chefe. O relógio de quatro faces do torreão é inglês.
Os prolongamentos do prédio se estendiam emconstruções térreas. De um lado, as habitações dos funcionários graduados, com biblioteca e áreas de recreação. De outro, uma parte ocupada pelos purificadores de gás, além de dois enormes salões: um servindo de habitação coletiva dos acendedores de lampiões; e outro, dos escravos da empresa.
As fornalhas, retortas, e demais aparelhos para a produção do gás e três gasômetros ficavam no pátio interno.
Junto ao portão, um medalhão de ferro informava: "Empresário Irineu Evangelista de Souza, Barão de Mauá - Contrato de 11 de março de 1851 - Engenheiro W. G. Ginty".
Esse inglês, o engenheiro William Gilbert Ginty, dirigiu, no período de 1854 a 1858, as obras para a abertura do canal do Mangue que visava secar os terrenos circunvizinhos que formavam o chamado Mangal de São Domingos, e permitir a navegação de pequenas embarcações que transportavam gêneros para a cidade. Em pouco tempo, porém, os resíduos da fábrica e a sujeira obstruíram o canal, transformado em depósito de lama e imundícies.
Em 1854, Mauá inaugurava a iluminação a gás na cidade, alimentada por uma rede de 20km de tubos de ferro. Cada combustor fornecia iluminação equivalente a seis velas de cera. Em três anos, a Companhia havia estendido a rede e contava com 3.027 lampiões públicos, e iluminava 3.200 residência e três teatros.
Em 1865 o barão transferiu a concessão à empresa inglesa Rio de Janeiro Gas Company Limited. Em 1874, eram abastecidas 10 mil residências, 5 mil estabelecimentos públicos e 6 mil lampiões de rua. Em 1876, a concessão passou para a empresa belga Societé Anonyme du Gaz; e em 1910 para a The Rio de Janeiro Tramway Light and Power Company Limited. Em 1969, a empresa foi estatizada. Em julho de 1997, foi privatizada e passou a ter como operador técnico o grupo Gás Natural.
A foto abaixo mostra o mesmo prédio que, hoje, alberga o Museu do Gás, e tem por endereço Av. Pres. Vargas, 2.610
Desde menino, acostumei-me a conhecer como «curva da amendoeira» a que une asavenidas Beira Mar e Oswaldo Cruz. Havia até uma revenda de automóveis com esse nome, ali por perto. Outra grande revenda de máquinas, a PROPAC, possuía até oficinas no local.
Curioso que minha busca, na internet, por fotos e referências a ela obteve poucos resultados. No entroncamento ficava o monumento a Cuauthémoc, antes da construção do Aterro do Flamengo (que tem o nome oficial de Parque Brigadeiro Eduardo Gomes, um remanescente do episódio dos "Dezoito do Forte" e criador do Correio Aéreo Nacional).
Na foto inicial pode-se ver o posto de serviço da Texaco e a amendoeira ultrapassando, em altura, o galpão da PROPAC. Nas imagens coloridas, temos uma visão atual da árvore e da placa colocada pela Prefeitura que, sem fazer alusão à sua fama, diz: «AMENDOEIRA - Terminalia catappa L. - Árvore declarada imune ao corte pelo Decreto 22.656 de 18/02/03. Nativa da Ásia e África, também conhecida como "Sete copas" possui copa densa e ampla proporcionando magnífica sombra Além de frutos comestíveis, oferece abrigo e alimentação para a fauna. Ajude a protegê-la.Fundação Parques e Jardins 2221-2374».
No início do século XX, até, pelo menos os meados da década de 1940, existiam estábulos em Copacabana.
Os do português José Marques, tanto no número 7 da Av. Copacabana, como no 52 da Rua Santa Clara, eram anunciados nos jornais em 1910.
Havia um na Rua Duvivier, esquina de Nª Sª de Copacabana, por volta de 1940. Era possível, do bonde, ver o dorso malhado das holandesas por sobre as meias-paredes que separavam os boxes das vacas. Na porta, uma fila de cidadãos com garrafas, a esperar para entrar no recinto e receber do empregado, de guarda-pó branco, o leite recém-ordenhado.
Ainda na década de 1940, o leiteiro passou a usar uma carrocinha, e ao nascer do dia, trocava os litros vazios colocados à porta das casas por garrafas cheias. A foto mostra um desses leiteiros em sua faina matutina.
Uma das primeiras ruas do Rio de Janeiro; em torno dela foi se formando a cidade na planície. Teve vários nomes ao longo do tempo. Caminho de Manoel Brito, Direita do Carmo para São Bento, Direita para Misericórdia, Rua que vai para São José, entre outras designações. Era continuação da Rua da Misericórdia, que levava à Ladeira de mesmo nome, um dos acessos ao Morro do Castelo. Passou a Primeiro de Março em comemoração ao fim da Guerra do Paraguai, ocorrida neste dia de 1870. Foi a principal rua da cidade até a abertura da Av. Central (depois Rio Branco).
A foto é de Marc Ferrez, tomada do Morro do Castelo, em 1885.
Vale um passeio visual tentando identificar alguns pontos e o que ainda permanece no cenário da cidade. As torres da igreja de São José e a já desaparecida passarela para o convento do Carmo; pouco mais além, a torre da antiga Sé e as duas da igreja da Ordem Terceira de NªSª do Carmo. Na atual Praça 15, parte do Paço; o chafariz da pirâmide; o desaparecido Hotel Pharoux; o palacete dos Teles de que resta hoje a fachada e o arco que dá passagem à Travessa do Comércio. O edificio em H que abrigou o Min da Agricultura e o Min da Viação e Obras Públicas até ser demolido em 1935. Mais à distância, a cúpula e as torres da Candelária.Ao longe, à esquerda, o Morro da Conceição; e à direita, as torres da igreja de NªSª do Monte Serrat, o convento de São Bento, a carreira coberta do Arsenal de Marinha, e a Ilha das Cobras, ainda sem a ponte que a liga ao continente.
A igreja de NªSª do Brasil, na Av. Portugal, 772, Urca, foi construída em terreno doado, em 1929, pela Sociedade Anônima Empresa Urca. O projeto, do arquiteto Frederico Fialho Filho, teve suas linhas inspiradas nas capelas missioneiras da Flórida. A igreja foi inaugurada em 1934, e veio a se tornar, dois anos depois, matriz da paróquia da Urca e Praia Vermelha que inclui as capelas de São Pedro de Alcântara, na antiga reitoria da UFRJ, e de NªSª dos Navegantes, no Iate Clube do Rio de Janeiro. Desde sua fundação, a igreja teve apenas 3 párocos: Pe Solano Dantas, de 1931 a 1936, ano em que a igreja foi elevada a matriz; Pe Emanuel Barbosa, de 1936 a 1981; a partir daí, o Cônego Antonio José de Moraes.
No mar, à sua frente, há uma estátua de bronze de São Pedro, obra de Edgard Duvivier.
Houve tempo em que, a cada 29 de junho, uma procissão promovida pela paróquia percorria as ruas do bairro. Deixou de ser feita a partir de 1981 devido às dificuldades de conciliá-la com o trânsito.A procissão marítima promovida pelos pescadores de Jurujuba, por vezes se estende até a Urca. Neste ano de 2008, depois de dez anos de ausência, com mais de cem barcos participantes, teve a estátua de São Pedro novamente em seu trajeto, onde passou, por volta de meio-dia, saudada pelo pipocar dos fogos de artifício.
A igreja recém-contruída é mostrada na aquarela de autoria de Felisberto Ranzini. Na foto recente, pode-se notar a estátua de São Pedro, no mar, em frente à Igreja.
Obra do escultor Rodolfo Bernardelli por encomenda do prefeito Pereira Passos.Foi inaugurado em 1906, quando da abertura da Av. Mem de Sá. Sua execução ficou a cargo da Fundição Brasileira de Ferro e Bronze Kobler & Cia.
De bronze e granito, em estilo neomanoelino, em uma evocação às grandes navegações portuguesas dos séculos XV e XVI, mostra velas enfunadas, sextantes e animais marinhos. Em seu topo, uma esfera armilar.
A foto do início do séc.XX mostra o Largo da Lapa com o lampadário, vendo-se, ao fundo, o Grande Hotel, edifício hoje ocupado pela Sala Cecília Meirelles. A foto atual mostra o lampadário depois da restauração concluída em janeiro de 2006.
O monumento, que se encontra na chamada Praça do Índio, constituído de uma estátua em bronze do último imperador dos astecas sobre um pedestal de granito de 5 metros de altura, foi doado à cidade pelo governo do México quando do centenário de nossa independência. A inauguração ocorreu no dia nacional do México (16 de setembro) em 1922, na confluência da Praia do Flamengo com as avenidas Oswaldo Cruz e Ruy Barbosa. A foto da corrida de automóveis, em 1935, na "Curva da Amendoeira", mostra aquela posição. Quando da conclusão das obras do Aterro do Flamengo, o monumento foi deslocado algumas dezenas de metros até o local onde hoje se encontra.
A estátua é uma réplica da obra de Miguel Noreña em monumento inaugurado na Cidade do México em 1887. Representa o imperador com uma lança em riste; o manto Tiacatecatl, de chefe, sobre os ombros; eo diadema dos guerreiros astecas.
Cuauhtémoc (águia pousada, em náhuatl) assumiu o trono em 1520, sucedendo a Cuaitkáhuac, um ano antes de os espanhóis tomarem a capital do Império, Tenochtitlan (onde hoje se localiza a Cidade do México). Feito prisioneiro e torturado por Cortez que queria saber do destino do tesouro de Montezuma; mesmo tendo os pés queimados por brasas, recusou-se a revelar qualquer informação. É cultuado no México como ícone da bravura e resistência indígenas.
A foto dupla mostra o monumento no Aterro, e uma vista do existente na Cidade do México.
Logo depois das invasões francesas de 1711, foi instalado no topo do morro existente na extremidade Leste da praia de Copacabana, uma estação de vigilância com bandeiras e fogos para anunciar a aproximação de navios. Graças a isso, há quem ainda chame o Morro do Leme de Pedra do Vigía.
O Marquês de Lavradio, então Vice-Rei do Brasil, mandou construir, em substituição ao posto de vigilância, um forte que ficou pronto em 1779. Entretanto, em 1791, o novo Vice-Rei, conde de Resende, por motivo de economia, desativou o forte. Em 1823 foi reativado e recebeu canhões, dos quais restam três, hoje colocados à sua entrada.Em 1831 foi, novamente, desativado.
O presidente Hermes da Fonseca (1910-1914) promoveu a construção de um novo forte no local.O projeto do engenheiro coronel Tasso Fragoso foi enviado à fábrica Krupp, na Alemanha, que fabricou, especialmente para esta fortaleza, quatro obuseiros de 120mm. Durante os trabalhos de instalação das armas ocorreu a entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial, o que acarretou a saída dos tècnicos estrangeiros antes mesmo da conclusão dos trabalhos.
Em 1935, o nome foi alterado para Duque de Caxias. Durante a 2ª Guerra, inexistindo ainda equipamentos eletrônicos de detecção, um dos vigias chegou a confundir com submarinos, algumas baleias, comuns àquela época nas proximidades de Copacabana.
Hoje é ponto turístico. Aos sábados, domingos e feriados, mediante o pagamento de pequena taxa, pode-se subir ao topo do morro por caminho pavimentado de paralelepípedos, que serpenteia na mata existente na encosta, a partir do Centro de Pesquisa de Pessoal do Exército, com acesso pela Praça Alm. Júlio de Noronha, s/nº, de 09 às 17h de sábados, domingos e feriados. Informações podem ser obtidas pelo telefone (21) 2275.3122.
É como ficou conhecido, a partir de 1825, o sino da torre esquerda da Igreja de São Francisco de Paula. Mede um metro de diâmetro, pesa seiscentos quilos, e foi fundido na oficina do nº.44 da então Rua de São Lourenço (depois Senador Euzébio; hoje, Pres.Vargas).
O apelido foi atribuído pelo povo em conseqüência do toque de recolher instituído, por edital de 3 de janeiro de 1825, pelo Desembargador Francisco Teixeira de Aragão, Intendente-Geral de Polícia.
A Igreja do Largo de São Francisco foi a escolhida para fazer o anúncio, o que passou a fazer com o sino da torre esquerda.É que o sino da torre direita estava alugado aos irmãos da Ordem Terceira da Penitência, porque sua igreja, no Largo da Carioca, era proibida de ter sinos por imposição do vizinho Convento de Santo Antonio.
Segundo o determinado, às 22 horas no verão e às 21 no inverno, o sino da Igreja de São Francisco de Paula devia soar por trinta minutos, ininterruptamente, para avisar aos cariocas que deviam se recolher, e às casas comerciais que precisavam encerrar suas atividades. A medida visava reduzir a quantidade de assaltos e, também, das arruaças provocadas pelos «capoeiras». Essa determinação perdurou válida por 58 anos; até 1878, portanto.
A foto mostra um postal colorizado da igreja; à direita do leitor, a torre que guarda o sino "Aragão".
A Ordem Terceira do Carmo foi fundada em 1648, e funcionou na capela que existia nos fundos do convento do Carmo.
A irmandade resolveu, em 1752, erigir sua igreja em um terreno da Rua Direita que havia recebido em doação. As obras, seguindo projeto atribuído ao Mestre Manoel Alves Setúbal, duraram de 1755 a 1770, ficando as torres por construir. O interior seguiu projeto de Frei Xavier Vaz de Carvalho. A porta principal e uma lateral em pedra de Lioz foram encomendadas a canteiros em Portugal, sendo instaladas em 1761. Em 1770 foi a igreja inaugurada com missa.
Trabalharam em seu interior não só mestre Valentim como seu professor, o mestre Luís da Fonseca Rosa, autor do retábulo do altar-mor. Mestre Valentim construiu, em 1772, o altar-mor da Capela do Noviciado; e, em 1773, o altar em estilo rococó de NªSª das Dores.
As torres sineiras só foram construídas de 1847 a 1850, projetadas pelo arquiteto Manoel Joaquim de Melo Corte Real, professor da Academia Imperial das Belas Artes.
A aquarela de Thomas Ender mostra as igrejas vistas da Rua Direita (atual Primeiro de Março) em 1820. É de se notar o Beco dos Barbeiros, na lateral da igreja da Ordem 3ª; a passarela que cruzava do Paço para o Convento do Carmo; e o morro do Castelo, ao fundo. Na foto se vê detalhe do portal trazido deLisboa em 1761; o medalhão representa São Francisco e a Virgem com o menino Jesus.
Duas igrejas do Carmo, lado a lado, podem causar certa confusão. Ambas na Rua Primeiro de Março; a da esquina com a Rua Sete de Setembro, dos clérigos, é a de NªSª do Monte do Carmo (também chamada antiga Sé); a da esquina do Beco dos Barbeiros é a da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo, de leigos, portanto.
Em terreno onde existia, desde 1570, uma pequena capela, foi construída, a partir de 1761, a igreja dos clérigos, com projeto atribuído a Mestre Manoel Alves Setúbal. Em 1808, passou a ser a Catedral, em substituição à igreja do Rosário, logo após a chegada da família real (ver o post«Igreja do Rosário», de 07/03/2007). Permaneceu como Sé até a inauguração da nova igreja de São Sebastião, em 1979, na Rua Chile.
Dada a proximidade do Paço, era a igreja freqüentada pela família real. Havia uma passarela que ligava o Paço ao convento do Carmo e outro, que ligava o convento à catedral, através da torre sineira, para que os nobres não necessitassem pisar no chão da rua para ir ao templo.
Nesta igreja, foi D.João sagrado rei, e coroados D. Pedro I e D. PedroII. Foi, também, palco do casamento da Princesa Isabel com o Conde D'Eu. Em 1903 recebeu uma urna contendo parte dos restos mortais de Pedro Alvares Cabral que jazem na Igreja de Sta Maria da Graça, em Santarém, Portugal.
A antiga Sé foi inteiramente restaurada para os festejos do segundo centenário da chegada do Príncipe D. João e da família real, e reinaugurada em março deste ano de 2008. É possível, hoje, em seu interior, visitar um sítio arqueológico que exibe sinais da presença humana no local, desde priscas eras.
A foto de Marc Ferrez, do final do séc. XVII, mostra a passarela unindo o convento à igreja. É de se notar que a igreja dos clérigos, que foi capela real e catedral do Rio de Janeiro, é bem mais modesta que a dos leigos da Ordem Terceira do Carmo, maior e mais rica. O quadro de autoria de Debret mostra a coroação de Pedro I e sua sagração como "Imperador Constitucional e Perpétuo Defensor do Brasil" em 1º de dezembro de 1822.
Reza a lenda que Nossa Senhora teria surgido no alto da Pedra do Galo para ajudar um escravo ameaçado pelo fazendeiro a encontrar uma vacaperdida. A aparição, testemunhada pelo fazendeiro, motivou a construção de uma capela no alto do morro, além da alforria do escravo.
Em 1664, o padre Manoel Araújo, substituiu a capela por uma igreja. José Rodrigues Aragão doou terras ao santuário em 1771 e promoveu reformas na igreja.Falecido em 1778, seu crânio é mantido em nicho na sacristia. Dentro do templo estão sepultados outros beneméritos, inclusive o Monsenhor Antônio Marques de Oliveira (1826-1901), considerado um dos maiores vigários de Jacarepaguá.
As fotos mostram a fachada da igreja, e o cruzeiro, tendo Jacarepaguá ao fundo.
Em 1858, duas baleias encalhadas na praia fizeram vir ao Leme o imperador Pedro II que, com a famíla, fez um piquenique nas areias do que hoje é chamado de Praia do Leme. Sem querer atribuir a S.M. o pioneirismo no costume farofeiro, o que ocorreu é que, depois disso, a praiapassou a ser destino de passeios e piqueniques das famílias cariocas.
Nessa época, o acesso ao bairro era feito pela Ladeira do Leme, que chega na hoje chamada Praça Cardeal Arcoverde. E de Leme se chamava o território que ia dos morros do Inhangá até a Pedra do Leme, ou morro do Vigia, graças ao posto de vigilância instalado por ordem do marquês do Lavradio após a invasão francesa de 1711.
Com o desmonte de parte do morro do Inhangá, passou-se a chamar Leme ao trecho entre a Praça do Lidoe a Pedra do Leme. Com a abertura do Tunel do Leme, criando novo acesso a Copacabana, o chamado bairro do Leme reduziu-se ao recanto entre a Av. Princesa Isabel e a Praça Almirante Júlio de Noronha. É um dos poucos bairros do Rio que não serve de passagem. E isso faz com que tenha características peculiares.
Na foto acima, o atual bairro do Leme como era em 1919. Na foto abaixo, um postal anterior a 1920, com a legenda 'parte do Leme', onde se vê, em primeiro plano, a atual Rua República do Peru, e, ao longe, o morro do Inhangá, ainda intacto, interrompendo a passagem da Av. NªSª de Copacabana.
Uma ponte construída por Antonio Salema sobre o rio Carioca,ainda no séc. XVII,transformou-se em ponto de convergência de várias ruas: o Caminho Velho de Botafogo (atual Senador Vergueiro), o Caminho Novo de Botafogo (Marquês de Abrantes), ruas do Catete, Conde de Baependi e Barão do Flamengo.Houve tempo em que se cobrava pedágio para cruzar a ponte, segundo nos conta Vivaldo Coaracy.
O local conhecido inicialmente como Largo do Salema, foi, ao longo do tempo, mudando de nome, Largo da Ponte do Catete, Largo do Catete, Praça Ferreira Viana, até que em 1897, teve seu nome trocado para Praça José de Alencar, com a inauguração do monumento ao romancista,obra de Bernardelli. As pontes eram substituídas por novas até que, no início do séc.XX, Pereira Passos promoveu a canalização do rio Carioca.
Entre as ruas Sen. Vergueiro e Barão do Flamengoficava o Hotel dos Estrangeiros, em cujo saguão foi apunhalado pelas costas o político gaúcho Pinheiro Machado, em setembro de 1915.
As fotos mostram a estátua de Alencar diante do Hotel escondido atrás das folhagens; e uma vista da Praça desde o alto do Hotel, em 1906.
Na verdade, Igreja de São Gonçalo Garcia e São Jorge. Fica na Rua da Alfândega, 382, junto à Praça da República.
As obras da igreja de São Gonçalo, iniciadas em 1750, em terras doadas por Antônio Lopes Xavier, perduraram até 1780. A inauguração solene ocorreu em 20 de abril de 1781. Em 1850, a então Igreja de São Jorge, na esquina das ruas Luís de Camões (à época, de São Jorge) e a Gonçalves Ledo, estava em lamentável estado de conservação, razão porque a igreja de São Gonçalo deu acolhida à imagem do Santo.
Em 1854, as irmandades se uniram constituindo a Venerável Confraria dos Gloriosos Mártires São Gonçalo Garcia e São Jorge.
Em 1913 a torre sineira, construída em 1818, foi seriamente avariada por um raio; reconstruída, recebeu um coruchéu neogótico. Seu interior também foi todo reformado, perdendo as características anteriores.
São Jorge, que representa Ogum no sincretismo dos seguidores das religiõesde origem afro, tem muitos devotos. No dia dedicado ao santo, 23 de abril, é feriado municipal (desde 2002), e estadual (desde fevereiro deste ano de 2008), as missas começam às 0500h e seguem por todo o dia com a igreja sempre lotada.
Embora não mais reconhecido como santo pela Igreja Católica, permanece na devoção do carioca, devoção que vem desde os tempos da colônia. É de se notar que São Jorge é padroeiro da Inglaterra, de Portugal, da Lituânia, da Catalunha, de várias cidades, dos soldados e escoteiros.
Na foto, a fachada da igreja na Rua da Alfândega, junto à Praça da República.