quarta-feira, setembro 29, 2010

Casarões em Botafogo




Botafogo é um bairro ainda cheio de casarões. Não me refiro àquelas moradias em terrenos com a extensão de verdadeiras chácaras, como a Casa de Ruy Barbosa, as antigas embaixadas do Reino Unido e dos EUA, e várias outras.

Refiro-me a casas enormes que ocupam quase todo o terreno, e que não mostram mais a majestade que ostentavam em tempos passados, seja porque se viram envolvidas por prédios de muitos andares, seja porque a via pública, outrora bucólica e pacata, transformou-se em artéria de grande movimento e azáfama.

Como exemplo, as três casas fotografas por Malta, certamente no início do século XX. Hoje, além de reduzidas a duas, uma delas está pintada de cor de abóbora, talvez numa tentativa de não “desaparecer” no meio das construções.

Mesmo descontada a qualidade do fotógrafo, vê-se que as casas perderam muito de majestade e nobreza.

Localizam-se na esquina da Rua Dona Mariana com a Voluntários da Pátria.

quarta-feira, setembro 22, 2010

Lagoa Rodrigo de Freitas




A foto que ilustra este post é uma interessante vista aérea da Lagoa Rodrigo de Freitas por volta de 1936. Para comparação, mapa do Google que mostra o mesmo trecho nos dias de hoje.

Na região que vai do Clube dos Caiçaras, junto ao canal do Jardim de Alah, até a Ilha do Piraquê, onde fica o Departamento Esportivo do Clube Naval, pode-se notar que já estava delineado até onde iria o aterramento, junto ao Caiçaras; na margem, a favela conhecida como da Praia do Pinto (onde hoje está a quadra chamada "selva de pedra", nome tomado de uma novela da TV Globo). O campo do Flamengo ficava bem junto à Lagoa; e não era raro as bolas irem parar dentro da Lagoa...

Vejam, ainda, que faltam pistas ao Joquei Clube, e tanto a Ilha do Piraquê quanto a do Caiçaras eram bem menores, bem antes de terem crescido muito graças a aterros proporcionados, inclusive, pelo entulho resultante da construção do Túnel Rebouças (1962-1967).

O trecho do bairro Jardim Botânico entre o Joquei e o Morro da Saudade ainda bastante ralo de moradias. As instalações da Hípica e do Clube Militar ainda a construir.

A margem desde a Curva do Calombo até o Corte de Cantagalo muito pouco habitado, até pela favela que cresceria onde hoje está o Parque da Catacumba que herdou o nome da favela removida.

A impressionante a redução da área da Lagoa pode ser observado, comparando-se a foto com o mapa.

quinta-feira, setembro 16, 2010

Morrotes do Inhangá

Na foto, obtida por volta de 1920 do alto do Morro do Cantagalo, vê-se bem a nítida separação que as elevações do Inhangá provocava no extenso areal que ia do Morro do Leme às pedras onde ficava a igrejinha com a imagem de Na Sa de Copacabana.

Por esta razão, a ladeira, primeiro dos acessos às praias ao sul da cidade, foi chamada de Ladeira do Leme, nome que ainda conserva, embora a área hoje chamada de Leme seja bem menor, entre a Av. Princesa Isabel ao Morro do Vigia.

Dos três morrotes mostrados, apenas o mais afastado do mar permanece. É cortado, em arco, pela Rua General Barbosa Lima (a que se tem acesso pela Rua Barata Ribeiro, em frente à Praça Cardeal Arcoverde). O morrete adjacente foi cortado para permitir a continuidade da Av. Na Sa de Copacabana, restando um resíduo que se encontra cercado pelos prédios da Av. Copacabana, Rua Fernado Mendes, Av. Atlântica e Rua República do Perú. O terceiro morrete teve parte demolida para a construção da piscina do Copacabana, e o restante posto abaixo, na década de 1950, para a construção do grupo de 3 edifícios: Chopin, Prelúdio e Balada.

A foto abaixo, de 1948, mostra os três morrotes já bem separados pelas vias públicas. À direita, a Rua Gen. Barbosa Lima, subindo o morrote maior. À esquerda, junto ao Copacabana Palace, o restante do morrote que seria retirado para a construção dos edifícios Chopin, Prelúdio e Balada. Na parte superior da foto o morrote nos fundos de casas da Av. Copacabana, hoje cercada de edifícios.

Finalmente, outra vista, da década de 1950, quando o grupo de edifícios era construído, ao lado do Copacabana Palace.










quarta-feira, setembro 08, 2010

Praia e Pedra do Anel


O postal acima, que reproduz fotografia do inicio do século passado, mostra alguns amigos na chamada Praia do Anel. Na extremidade direita pode-se ver parte da Pedra do Anel.

Esses locais são bem pouco conhecidos, embora tenham sido mostrados no início da apresentação da novela Páginas da Vida. Ficam na encosta do Morro do Leme (antigamente chamado de Morro do Vigia), pois mesmo antes do Forte Duque de Caxias, havia guarnições militares guardando a entrada da Baía da Guanabara.

Figura, também, em Decreto da Prefeitura (de Nº 9.779, de 12/11/1990) que declara Área de Proteção Ambiental o conjunto natural constituída pelo Morro do Leme (ou Pedra do Leme), Morro do Urubu, Pedra do Anel, Praia do Anel e Ilha do Cotunduba, situados nos bairros da Urca e do Leme. (ver Dec.)

As áreas que compõem a APA podem ser vistas na reprodução do mapa de Google na imagem abaixo.



quarta-feira, setembro 01, 2010

Duna em Copacabana

A foto, da década de 1920, mostra a última das dunas ocupadas na região de Copacabana/Ipanema. É a enorme área branca limitada pelas ruas Gomes Carneiro, Bulhões de Carvalho e Rainha Elisabeth.

A Praça General Osório aparece dividida em quatro quadrados arborizados junto à margem superior do quadro, visível, também, a Rua Teixeira de Melo. Do outro lado da Praça, a Rua Jangadeiros, que se inicia na Rua Gomes Carneiro.

Um pedacinho da Rua Caning aparece, junto à Rainha Elisabeth, tendo em seus fundos o extenso areal. Seguem-se a Bulhões de Carvalho, que forma um ângulo com a Conselheiro Lafaiete; a Raul Pompéia e, finalmente, a Av Copacabana, já no limite inferior da foto.

Em Ipanema, vê-se, a extensa vegetação nas areias e, claramente, a Av. Viera Souto e suas paralelas, a Prudente de Morais e a Visconde de Pirajá.

Os nomes dados às ruas são os atuais, para que possam ser facilmente identificadas.

quarta-feira, agosto 25, 2010

Padre José Maurício

José maurício Nunes Garcia (1767-1830) é considerado um dos maiores compositores das Américas da época em que o Brasil transitava da Colônia para o Império.

Filho de um branco com uma negra, desde muito cedo mostrou talento musical pois compôs sua primeira obra aos 16 anos de idade. Teria aprendido música com o musicista mineiro Salvador de Almeida Faria.

Aos 25 anos, é ordenado padre, e nomeado mestre-de-capela da Sé, que funcionava _à época_ na Igreja do Rosário. Além de tocar o órgão, Padre José Maurício dirigia os músicos e cantores nas cerimônias da igreja.

Com a chegada da família Real, em 1808, e a transfêrencia da Sé para a Igreja do Carmo, Padre José Maurício é nomeado Mestre da Capela Real. No período entre 1808 e 1811 ele compõe cerca de setenta peças. Sinal da estima de D. João VI é sua inclusão na Ordem de Cristo.

Embora existisse preconceito contra ele, na Corte, compôs e regeu, na Igreja da Ordem Terceira do Carmo, o réquiem que compôs em homenagem à Rainha D. Maria I quando de seu falecimento, em 1816, no Rio de Janeiro.

Os restos mortais do padre José Maurício repousam na Igreja da Irmandade da NªSª do Rosário dos Homens Pretos (Rua Uruguaiana, 77)(post)



quarta-feira, agosto 18, 2010

Escotismo (complemento)

As fotos mostram a placa comemorativa da fundação do “Centro de Boys Scouts do Brasil”, e a fachada da casa da Rua do Chichorro 13, ainda existente no Catumbi, mencionada no blog de 14/07/2010. Fotos enviadas por Ivo Korytowski, a quem agradeço a gentileza.



quarta-feira, agosto 11, 2010

Igreja de Nossa Senhora da Lampadosa


Muitos pensam que a palavra lampadosa tem alguma relação com lâmpada mas, na verdade, refere-se à ilha de Lampadosa, no Mediterrâneo, entre a Sicilia e o norte da África. Uma imagem de Nª Sª do Rosário, trazida dessa ilha passou a ser conhecida por Nª Sª da Lampadosa e, contagiada pela semelhança, passou a ser, também, Nª Sª das Candeias.

Uma irmandade de homens de cor foi fundada em 1714, sob a designação de Venerável Confraria de Nossa Senhora da Lampadosa, tida como protetora dos escravos. Os confrades, que exerciam sua devoção na Igreja do Rosário, obtiveram, por doação, pequeno lote de terra, onde erigiram uma capela. A Confraria, com o passar dos tempos, veio a construir, em 1747, a igreja que, à época, chegou a dar nome à rua hoje designada Luiz de Camões.

Consta que à sua porta, teria Tiradentes assistido parte da missa, em seu caminho para a fôrca.

A construção que hoje se vê, na Av. Passos 15, data de 1936.

Nª Sª da Lampadosa é representada por uma jovem mãe, tendo à mão direita elevada à altura do ombro um coração, símbolo do amor, e no braço esquerdo sustenta Jesus-menino que, por sua vez, tem à mão direita uma pomba, representativa do Espírito Santo. Tais detalhes já não são vistos na imagem do frontão, que se vê, em detalhe, na foto.






quarta-feira, agosto 04, 2010

Araribóia e o protocolo


Conta-nos, Frei Vicente de Salvador em sua História do Brasil:

«Nomeado governador das capitanias do sul, havia chegado o dr. Antônio Salema ao Rio de Janeiro quando o foram visitar todas as autoridades e pessoas importantes. Entre estas, estava o chefe indígena Martim Afonso de Sousa, o Araribóia, o qual, ao assentar-se na presença do recém-chegado, foi logo pondo uma perna sobre a outra, conforme era seu costume. O dr. Salema estranhou aquela liberdade, e mandou que o intérprete o chamasse à ordem, dizendo-lhe que aquilo não era posição para tomar-se diante do governador, que era representante d' El-Rei.

Martim Afonso pôs-se de pé.

- Se tu souberas - retrucou com arrogância, os olhos fuzilando de cólera, - se tu souberas quão cansadas tenho as pernas das guerras em que servi a El-Rei, não estranharás dar-lhes agora este pequeno descanso; mas, já que me achas pouco cortesão, eu me vou para a minha aldeia,onde não curamos destas pequenas coisas, e não tornarei mais à tua corte! »

quarta-feira, julho 28, 2010

Largo do Guimarães


O Morro do Desterro, chamado de Santa Teresa após o estabelecimento, ali, do Convento das Carmelitas (1750), era formado de chácaras que foram loteadas, a partir de 1828, com o propósito de urbanizar o local.

Pois o Largo do Guimarães, formado em 1857, está onde ficava a chácara pertencente a João Joaquim Marques de Castro, vendida em 1856, para Joaquim Fonseca Guimarães & Cia. Um dos acessos ao bairro era feito pela ladeira do Castro, que ligava a Rua Mata-Cavalos (atual Riachuelo) ao Largo do Guimarães.

Cruzando o morro de Santa Teresa, a pequena trilha que acompanhava os canos do Aqueduto da Carioca tornou-se, mais tarde, a Rua do Aqueduto, atualmente Almirante Alexandrino, uma das ruas que forma o Largo; as outras são Rua Paschoal Carlos Magno, e a citada Ladeira do Castro.

Em suas cercanias há inúmeros bares e restaurantes, além de brechós e lojas de artesanato, o que o tornou o point do bairro.

A linha de bonde que vai da Carioca ao Largo, custa apenas R$0,60 (sessenta centavos de Real), pagos no guichê junto ao prédio da Petrobrás. O regresso, outros 60 centavos pagos, desta vez, ao condutor. (Note que quem conduz o bonde é o motorneiro; o condutor é quem cobra a passagem.)

As fotos mostram as mesmas vistas no início do século passado e hoje. Nota-se que pouca coisa mudou no aspecto do Largo.






quarta-feira, julho 21, 2010

J Carlos




J. Carlos, desenhista e ilustrador, nasceu José Carlos de Brito e Cunha, no bairro de Botafogo, aos 18 de junho de 1884. É considerado um dos maiores chargistas e desenhistas de nossa imprensa. Faleceu em 2 de outubro de 1950, deixando uma vasta obra em mais de cem mil desenhos.

Aos 18 anos, começou sua carreira na revista Tagarela. Em pouco tempo estava em atividade em várias publicações como A Avenida, a Careta, O Malho, e Para Todos. Com um traço característico, representou vários tipos e a vida carioca de forma leve e interessante. Focalizou, de forma genial, os costumes, a moda, as praias, e o humor dos moradores da cidade.

Foi o criador de personagens marcantes como Almofadinha e Melindrosa; além dos personagens infantis para a revista Tico Tico, como Juquinha e Lamparina.

A rua que o homenageia fica no bairro do Jardim Botânico, bem sob o braço direito do Cristo Redentor.










quarta-feira, julho 14, 2010

Escotismo


Criado na Inglaterra em 1907, pelo general britânico Baden-Powell (1857-1941), o Escotismo comemora, neste ano, o seu centenário no Brasil.

Aqui chegou pelas mãos do pessoal de Marinha que foi receber os navios construídos pelos estaleiros ingleses, no início do século passado. Durante a construção, um pequeno grupo de brasileiros, que fiscalizava a construção, ficou morando na Inglaterra.

O Suboficial Amélio de Azevedo Marques era um deles. Matriculou o filho em um grupo de “Boy Scouts”. Este contato veio a interessar outros brasileiros. O resultado é que um grupo embarcado no “Encouraçado Minas Gerais”, comprou uniformes de “Boy Scouts” e os trouxeram para o Brasil.

O navio chegou ao Rio em 17 de abril de 1910, e já no dia 14 de junho, um grupo de Suboficiais embarcados nos navios da Esquadra fundou o Centro dos Boys Scouts do Brasil, no Catumbi, à Rua do Chichorro 13.

O Escotismo foi tão bem recebido que já a 11 de julho de 1917, por Decreto de nº 3297, o Pres. Wenceslau Braz declarou como de utilidade pública todas as associações brasileiras de escoteiros.

Grande escoteiro e iniciador dos Escoteiros do Mar foi Benjamin de Almeida Sodré (1892-1982). Talentoso no futebol, aos 16 anos já era titular do Botafogo de Futebol e Regatas (que veio a presidir em 1941), onde se sagrou campeão em 1910 e 1912. Fez parte de todas as seleções brasileiras de 1910 a 1916 e presidiu o Clube nos anos 1940. Ingressou no Movimento Escoteiro em 1917. Participou, em 1921, da fundação da Federação Brasileira de Escoteiros do Mar. Viria a ser conhecido, pelos escoteiros, como “Velho Lobo”, pseudônimo que adotara para assinar uma coluna sobre Escotismo na revista infantil “Tico-Tico”.

Benjamin Sodré escreveu e fez publicar, em 1925, o Guia Escoteiro. Foi um entusiasta do Escotismo e um importante divulgador da idéia de reunir em uma só organização, o Movimento Escoteiro, resultando daí a criação, em 1924, da União dos Escoteiros do Brasil. Fez brilhante carreira na Marinha, atingindo o Almirantado em 1954.

A foto superior mostra o Gen. Robert Stephenson Smyth Baden-Powell, criador do Escotismo; a inferior, o “Velho Lobo”, Mimi Sodré, com o uniforme do Botafogo.



quarta-feira, julho 07, 2010

Antigo Colégio Jacobina

É certo que o cidadão Joaquim Francisco Guimarães mandou construir, em 1879, na Rua São Clemente, uma casa para moradia sua e da familia. Em 1945, a residência foi ocupada pelo Colégio Jacobina, fundado em 1902, pelas irmãs Francisca e Isabel Jacobina Lacombe.

O Colégio Jacobina funcionou nesse casarão até meados da década de 1980, quando fechou por graves problemas financeiros. A especulação imobiliária chegou a demolir parte do prédio, sendo obstada pela Prefeitura que conseguiu impedir a demolição da fachada, tombando-a em 1987.

Em 1997, a Prefeitura instalou ali o Centro de Arquitetura e Urbanismo (CAU-RJ).

Havia um jardim lateral, hoje ocupado por um acesso ao prédio vizinho.

Do prédio original resta apenas a fachada, que possui belo trabalho em cantaria; o restante foi reconstruído; hoje, o primeiro andar, corrido, é próprio para exposições de arquitetura e urbanismo.

A propósito, este Centro tem por finalidade:

- produzir e/ou apoiar pesquisas e estudos relativos aos planos urbanísticos da Cidade do Rio de Janeiro, por meio de sua história; e

- produzir e/ou apoiar a realização de exposições eventuais e temporárias sobre arquitetura e urbanismo.

quarta-feira, junho 30, 2010

Associação dos Empregados no Comércio



A AEC do Rio de Janeiro foi fundada em março de 1880, na antiga sede do Jockey Clube, em um sobrado da Rua do Ouvidor. António Mathias Pinto Junior e quarenta e três jovens por ele convidados fundaram a Associação.

Em 1882 instalou-se em outro sobrado, na mesma rua. Em 1889, já pode adquirir um terreno na Rua Gonçalves Dias, onde construiu sua primeira sede própria, que ficou pronta em 1900.

Com a abertura da Av. Central (hoje Rio Branco), construiu, nesta via, uma nova sede, inaugurada em 1906. Em 1939 foi demolida para a construção da sede atual, com 15 andares e que aparece na foto em cores.

É de se notar que a primeira foto mostra, na então Av. Central, da direita para a esquerda, a AEC, a Casa Arthur Napoleão, o Clube de Engenharia, e depois da Rua Sete de Setembro o Edifício de O Paíz.








quarta-feira, junho 23, 2010

Clube de Engenharia





Às 13 horas de 14 de fevereiro de 1906, o centro da cidade foi surpreendido pelo fragor da queda do edifício do Clube de Engenharia que estava a ser construído na Av. Central (atual Rio Branco). Os operários, apanhados de surpresa, não tiveram tempo de fugir. Há foto de Malta mostrando como ficou o que era o edifício, cuja obra já atingira o terceiro andar. A Polícia abriu um inquérito mas, dias depois, com o início do Carnaval, o problema foi esquecido pelo público. Parece que a conclusão foi por a culpa em um Mestre-de-Obras.

Concluída a construção pela empresa R.Rebecci & Cia, o Clube projetado pelo Arq. Heitor de Melo, foi inaugurado em 16 de fevereiro de 1910.

O prédio era bastante pequeno, sendo substituído pelo que, atualmente, ocupa o mesmo lugar, na esquina da Av. Rio Branco com a Rua Sete de Setembro

O jornal O GLOBO, de 18 de novembro de 1953 noticiava: ''Na ordem do dia carioca a discussão sobre a nova marquise do Clube de Engenharia. Diz-se que, na ânsia de ser original, o arquiteto compôs um monstro sem originalidade alguma, de bocarra aberta, ameaçando os transeuntes. Para mim, é uma porta de ratoeira, que baixará ao tentar algum rato penetrar no clube.'' (Gabino Duque).

Realmente, a novidade causou verdadeiro frisson na população. Hoje, me parece, o morador do Rio não se importaria tanto com este detalhe, pois a cada dia, mais suja e emporcalha a sua cidade.










quarta-feira, junho 16, 2010

O Paíz



A foto acima nos mostra o prédio do jornal O Paiz, e seu empastelamento quando da Revolução de 1930, movimento que derrubou Washington Luiz da Presidência, e levou Getúlio Vargas ao poder.

Fundado, em 1884, por Quintino Bocaiúva (1836-1912), o jornal vinha defendendo os interesses da política do café com leite (alternância da Presidência da República entre São Paulo e Minas Gerais). Durante o Segundo Império, havia insuflado os militares contra D. Pedro II, até a derrubada da monarquia por Deodoro.

O jornal, inicialmente na Rua do Ouvidor, ocupou a esquina da Avenida com a Rua Sete de Setembro, e sua calçada exibia em pedras portuguesas o nome do jornal, como se vê na foto tirada desde um de seus andares.









quarta-feira, junho 09, 2010

Clube Naval

O anunciado centenário é o da inauguração do prédio de número 180 da Avenida Central, hoje Rio Branco.

Projetado em estilo eclético pelo arquiteto italiano Tommaso Gaudenzio Bezzi (1844,Turim -1915, Rio), e construído por Bezzi e pelo arquiteto Heitor de Mello (1875 -1920), em terreno selecionado quando do traçado da Avenida Central, na esquina da Rua de São Gonçalo, depois Av. Almirante Barroso. Heitor era filho do Almirante Custódio de Melo

O prédio, inicialmente, tinha apenas quatro pisos, como se pode ver na foto acima. Mais dois andares lhe foram acrescentados desde então. O quinto andar foi levantado em 1928 e, o sexto, completado em 1939. Hoje, apresenta-se como mostrado na foto abaixo. É de se notar o crescimento dos oitís plantados na calçada.

No terceiro andar fica o salão nobre, com 150 metros quadrados, e decoração estilo Luis XV. Uma falsa clarabóia recebe iluminação artificial. As paredes apresentam pinturas de Helios Seelinger, e representam desde o céu até o fundo do mar; na superfície, vê-se a evolução de nossa Marinha, da caravela ao encouraçado e, abaixo, o fundo do mar, com sereias, nereidas e ninfas.

Em 1987, o prédio foi tombado pela Prefeitura da cidade.

Fundado, em 12 de abril de 1884, pelo então Capitão-de-Fragata Luiz Philipe de Saldanha da Gama, Oficial que se tornaria personagem de estatura nacional, o Clube Naval tem sido parte ativa e relevante na vida do país, tanto no final do Império quanto nos acontecimentos da República.




quarta-feira, junho 02, 2010

Topiaria

Assim é chamada a arte de podar as plantas de tal modo que formem figuras. Pois já tivemos verdadeiros artistas neste ofício.

Nos meus tempos de garoto, cada vez que ia ao Centro, ansiava chegar à Praça Paris para admirar, mesmo de dentro do ônibus, as esculturas de diversos animais, recortadas nas plantas. Consegui 'capturar' na Rede a foto de uma dessas obras de arte que eu tanto admirava.

Hoje, a Praça é cercada, além de terem desaparecido com aquelas plantas. Talvez por ausência de artistas, talvez porque nestes tempos modernos não haja mais condições de se estar a recortar artisticamente as plantas com uma simples tesoura de jardineiro.

Talvez nos faltem jardineiros, como nos faltam calceteiros.

-----

quarta-feira, maio 26, 2010

Rua Vieira Fazenda

José Vieira Fazenda, autor de Antiquálias e Memórias de Rio de Janeiro, nasceu em 28 de abril de 1847. Era o terceiro de cinco filhos de Antônio Cândido Daniel e dona Rosa Maria Cândido Vieira. Estudou no colégio Vitório, na Rua dos Latoeiros (atual Gonçalves Dias), depois, no Colégio Pedro II, no internato criado em 1857. Bacharelou-se, em 1865, em Belas Letras. Aos 15 de março de 1866, matriculou-se na Escola de Medicina, tendo sido o orador de sua turma, que se formou em 1871.

Médico aos 24 anos de idade, Vieira Fazenda começou a exercer sua clínica na paróquia de São José, onde residia na Rua do Cotovelo (que dava acesso ao alto do Morro do Castelo). Abolicionista desde a juventude, foi membro da Sociedade Emancipadora, contribuindo, também financeiramente, com a entidade. Já na República, foi Intendente Municipal no biênio 1895-1896, um dos mais operosos no antigo Conselho Municipal.

Foi sua a proposta declarando o 20 de janeiro feriado municipal, transformada no Dec 239, de 10 de março de 1896, e sancionado pelo Prefeito Francisco Furquim Werneck de Almeida.

A par de seu trabalho como médico da Santa Casa, e do atendimento que fazia gratuitamente aos pobres na sua clínica da Rua do Cotovelo, foi colaborador do jornal A Notícia, de 1901 a 1913. Sócio efetivo da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro; professor na Academia de Altos Estudos. Veio a falecer em 19 de fevereiro de 1917.

Dá nome à pequena rua, ao lado do Clube Naval, entre a Almirante Barroso e a Rua Manoel de Carvalho que separa o Clube do Teatro Municipal.

quarta-feira, maio 19, 2010

O Primeiro Monumento

D. Pedro, em seguida à Independência, ao saber que seria homenageado com uma estátua, agradeceu e até indicou o local: a Praça da Aclamação (hoje Tiradentes). Porém, o prestígio popular de D.Pedro foi decaindo, e a comissão nomeada acabou por desistir do projeto. Houve outras tentativas: em 1838, a do Marquês de Paranaguá, Francisco Vilela Barbosa; em 1852, a do Vereador Domingos de Azeredo Coutinho; em 1854, a do Deputado João Antonio de Miranda; também o Instituto Histórico, por proposta de Joaquim Norberto, trabalhou para a feitura da homenagem, e foi outro insucesso.

Então, o Secretário da Câmara Municipal, Roberto Jorge Haddock Lobo, tomou a si a tarefa: promoveu campanhas, propôs comissões, solicitou subscrições; não desistiu. Eusébio de Queirós presidiu o grupo que escolheu, dentre os mais de 28 concorrentes, os três envelopes dos merecedores dos prêmios de um conto de réis. O primeiro prêmio foi concedido ao professor de pintura brasileiro João Maximiano Mafra; o segundo, ao alemão L.J. Bapp; e o terceiro, ao francês Louis Rochet, a quem coube a execução do projeto.

Dentre as sugestões apresentadas pelo artista francês, a principal era a retirada do chapéu que estava na mão do Imperador, substituindo-o pelo Manifesto às Nações (que alguns querem ver como a primeira Constituição ou mesmo as cartas que recebeu às margens do Ipiranga).

Quando parecia que tudo estava pronto, marcou-se o dia 12 de outubro de 1859 para a inauguração. As obras na base do monumento atrasaram a prontificação, o que forçou a um adiamento para de 25 de março de 1862, em que se comemorava a outorga da Constituição. No dia, ocorreu uma destas chuvas que o Rio de Janeiro conhece; tudo inundado e o trânsito, paralisado. Resultado: transferiu-se, novamente, a data para o domingo 30 de março.

Finalmente, embora o vento rasgasse o manto de cetim verde e amarelo que cobria a estátua, as famílias segurassem as colchas que pendiam das janelas apinhadas, e o povo se comprimia na praça, a família Imperial aproximou-se, e D.Pedro adiantou-se para o local da solenidade, bradando: “Viva a Independência do Brasil!”, ao mesmo tempo em que o monumento era descerrado sob vivas, salvas de artilharia, músicos e coros entoando hinos religiosos.

A foto nos mostra a Praça no ano da inauguração: 1862.

Em seguida, após passar em revista a tropa formada para a cerimônia, dirigiu-se D. Pedro para o Teatro de São Pedro, onde se protegeu da chuvarada e dos raios.

Mas não cessaram aí os tormentos de tal monumento. Mais tarde, Humberto de Campos, com ironia, zombetearia:

Monumento infeliz, que nos deixa vassalo:

Brasileiros a pé, português a cavalo ! .

“E foi assim que nasceu, extraído a fórcipe das entranhas da indiferença coletiva e injuriado desde o dia em que veio à luz, o primeiro monumento público da cidade.” É como termina esta história contada por Roberto Macedo.

-o0o-