quarta-feira, julho 23, 2008

Curva da Amendoeira


Desde menino, acostumei-me a conhecer como «curva da amendoeira» a que une as avenidas Beira Mar e Oswaldo Cruz. Havia até uma revenda de automóveis com esse nome, ali por perto. Outra grande revenda de máquinas, a PROPAC, possuía até oficinas no local.

Curioso que minha busca, na internet, por fotos e referências a ela obteve poucos resultados. No entroncamento ficava o monumento a Cuauthémoc, antes da construção do Aterro do Flamengo (que tem o nome oficial de Parque Brigadeiro Eduardo Gomes, um remanescente do episódio dos "Dezoito do Forte" e criador do Correio Aéreo Nacional).

Na foto inicial pode-se ver o posto de serviço da Texaco e a amendoeira ultrapassando, em altura, o galpão da PROPAC. Nas imagens coloridas, temos uma visão atual da árvore e da placa colocada pela Prefeitura que, sem fazer alusão à sua fama, diz: «AMENDOEIRA - Terminalia catappa L. - Árvore declarada imune ao corte pelo Decreto 22.656 de 18/02/03. Nativa da Ásia e África, também conhecida como "Sete copas" possui copa densa e ampla proporcionando magnífica sombra Além de frutos comestíveis, oferece abrigo e alimentação para a fauna. Ajude a protegê-la.Fundação Parques e Jardins 2221-2374».







quarta-feira, julho 16, 2008

Estábulos em Copacabana


No início do século XX, até, pelo menos os meados da década de 1940, existiam estábulos em Copacabana.

Os do português José Marques, tanto no número 7 da Av. Copacabana, como no 52 da Rua Santa Clara, eram anunciados nos jornais em 1910.

Havia um na Rua Duvivier, esquina de Nª Sª de Copacabana, por volta de 1940. Era possível, do bonde, ver o dorso malhado das holandesas por sobre as meias-paredes que separavam os boxes das vacas. Na porta, uma fila de cidadãos com garrafas, a esperar para entrar no recinto e receber do empregado, de guarda-pó branco, o leite recém-ordenhado.

Ainda na década de 1940, o leiteiro passou a usar uma carrocinha, e ao nascer do dia, trocava os litros vazios colocados à porta das casas por garrafas cheias. A foto mostra um desses leiteiros em sua faina matutina.




quarta-feira, julho 09, 2008

Rua Direita


Uma das primeiras ruas do Rio de Janeiro; em torno dela foi se formando a cidade na planície. Teve vários nomes ao longo do tempo. Caminho de Manoel Brito, Direita do Carmo para São Bento, Direita para Misericórdia, Rua que vai para São José, entre outras designações. Era continuação da Rua da Misericórdia, que levava à Ladeira de mesmo nome, um dos acessos ao Morro do Castelo. Passou a Primeiro de Março em comemoração ao fim da Guerra do Paraguai, ocorrida neste dia de 1870. Foi a principal rua da cidade até a abertura da Av. Central (depois Rio Branco).

A foto é de Marc Ferrez, tomada do Morro do Castelo, em 1885.

Vale um passeio visual tentando identificar alguns pontos e o que ainda permanece no cenário da cidade. As torres da igreja de São José e a já desaparecida passarela para o convento do Carmo; pouco mais além, a torre da antiga Sé e as duas da igreja da Ordem Terceira de NªSª do Carmo. Na atual Praça 15, parte do Paço; o chafariz da pirâmide; o desaparecido Hotel Pharoux; o palacete dos Teles de que resta hoje a fachada e o arco que dá passagem à Travessa do Comércio. O edificio em H que abrigou o Min da Agricultura e o Min da Viação e Obras Públicas até ser demolido em 1935. Mais à distância, a cúpula e as torres da Candelária. Ao longe, à esquerda, o Morro da Conceição; e à direita, as torres da igreja de NªSª do Monte Serrat, o convento de São Bento, a carreira coberta do Arsenal de Marinha, e a Ilha das Cobras, ainda sem a ponte que a liga ao continente.

quarta-feira, julho 02, 2008

Igreja da Urca

A igreja de NªSª do Brasil, na Av. Portugal, 772, Urca, foi construída em terreno doado, em 1929, pela Sociedade Anônima Empresa Urca. O projeto, do arquiteto Frederico Fialho Filho, teve suas linhas inspiradas nas capelas missioneiras da Flórida. A igreja foi inaugurada em 1934, e veio a se tornar, dois anos depois, matriz da paróquia da Urca e Praia Vermelha que inclui as capelas de São Pedro de Alcântara, na antiga reitoria da UFRJ, e de NªSª dos Navegantes, no Iate Clube do Rio de Janeiro. Desde sua fundação, a igreja teve apenas 3 párocos: Pe Solano Dantas, de 1931 a 1936, ano em que a igreja foi elevada a matriz; Pe Emanuel Barbosa, de 1936 a 1981; a partir daí, o Cônego Antonio José de Moraes.

No mar, à sua frente, há uma estátua de bronze de São Pedro, obra de Edgard Duvivier.

Houve tempo em que, a cada 29 de junho, uma procissão promovida pela paróquia percorria as ruas do bairro. Deixou de ser feita a partir de 1981 devido às dificuldades de conciliá-la com o trânsito. A procissão marítima promovida pelos pescadores de Jurujuba, por vezes se estende até a Urca. Neste ano de 2008, depois de dez anos de ausência, com mais de cem barcos participantes, teve a estátua de São Pedro novamente em seu trajeto, onde passou, por volta de meio-dia, saudada pelo pipocar dos fogos de artifício.

A igreja recém-contruída é mostrada na aquarela de autoria de Felisberto Ranzini. Na foto recente, pode-se notar a estátua de São Pedro, no mar, em frente à Igreja.





quarta-feira, junho 25, 2008

Lampadário da Lapa

Obra do escultor Rodolfo Bernardelli por encomenda do prefeito Pereira Passos. Foi inaugurado em 1906, quando da abertura da Av. Mem de Sá. Sua execução ficou a cargo da Fundição Brasileira de Ferro e Bronze Kobler & Cia.

De bronze e granito, em estilo neomanoelino, em uma evocação às grandes navegações portuguesas dos séculos XV e XVI, mostra velas enfunadas, sextantes e animais marinhos. Em seu topo, uma esfera armilar.

A foto do início do séc.XX mostra o Largo da Lapa com o lampadário, vendo-se, ao fundo, o Grande Hotel, edifício hoje ocupado pela Sala Cecília Meirelles. A foto atual mostra o lampadário depois da restauração concluída em janeiro de 2006.




quarta-feira, junho 18, 2008

Cuauhtémoc


O monumento, que se encontra na chamada Praça do Índio, constituído de uma estátua em bronze do último imperador dos astecas sobre um pedestal de granito de 5 metros de altura, foi doado à cidade pelo governo do México quando do centenário de nossa independência. A inauguração ocorreu no dia nacional do México (16 de setembro) em 1922, na confluência da Praia do Flamengo com as avenidas Oswaldo Cruz e Ruy Barbosa. A foto da corrida de automóveis, em 1935, na "Curva da Amendoeira", mostra aquela posição. Quando da conclusão das obras do Aterro do Flamengo, o monumento foi deslocado algumas dezenas de metros até o local onde hoje se encontra.

A estátua é uma réplica da obra de Miguel Noreña em monumento inaugurado na Cidade do México em 1887. Representa o imperador com uma lança em riste; o manto Tiacatecatl, de chefe, sobre os ombros; e o diadema dos guerreiros astecas.

Cuauhtémoc (águia pousada, em náhuatl) assumiu o trono em 1520, sucedendo a Cuaitkáhuac, um ano antes de os espanhóis tomarem a capital do Império, Tenochtitlan (onde hoje se localiza a Cidade do México). Feito prisioneiro e torturado por Cortez que queria saber do destino do tesouro de Montezuma; mesmo tendo os pés queimados por brasas, recusou-se a revelar qualquer informação. É cultuado no México como ícone da bravura e resistência indígenas.

A foto dupla mostra o monumento no Aterro, e uma vista do existente na Cidade do México.


quarta-feira, junho 11, 2008

Forte do Leme

Logo depois das invasões francesas de 1711, foi instalado no topo do morro existente na extremidade Leste da praia de Copacabana, uma estação de vigilância com bandeiras e fogos para anunciar a aproximação de navios. Graças a isso, há quem ainda chame o Morro do Leme de Pedra do Vigía.

O Marquês de Lavradio, então Vice-Rei do Brasil, mandou construir, em substituição ao posto de vigilância, um forte que ficou pronto em 1779. Entretanto, em 1791, o novo Vice-Rei, conde de Resende, por motivo de economia, desativou o forte. Em 1823 foi reativado e recebeu canhões, dos quais restam três, hoje colocados à sua entrada. Em 1831 foi, novamente, desativado.

O presidente Hermes da Fonseca (1910-1914) promoveu a construção de um novo forte no local. O projeto do engenheiro coronel Tasso Fragoso foi enviado à fábrica Krupp, na Alemanha, que fabricou, especialmente para esta fortaleza, quatro obuseiros de 120mm. Durante os trabalhos de instalação das armas ocorreu a entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial, o que acarretou a saída dos tècnicos estrangeiros antes mesmo da conclusão dos trabalhos.

Em 1935, o nome foi alterado para Duque de Caxias. Durante a 2ª Guerra, inexistindo ainda equipamentos eletrônicos de detecção, um dos vigias chegou a confundir com submarinos, algumas baleias, comuns àquela época nas proximidades de Copacabana.

Hoje é ponto turístico. Aos sábados, domingos e feriados, mediante o pagamento de pequena taxa, pode-se subir ao topo do morro por caminho pavimentado de paralelepípedos, que serpenteia na mata existente na encosta, a partir do Centro de Pesquisa de Pessoal do Exército, com acesso pela Praça Alm. Júlio de Noronha, s/nº, de 09 às 17h de sábados, domingos e feriados. Informações podem ser obtidas pelo telefone (21) 2275.3122.

quarta-feira, junho 04, 2008

Sino do Aragão

É como ficou conhecido, a partir de 1825, o sino da torre esquerda da Igreja de São Francisco de Paula. Mede um metro de diâmetro, pesa seiscentos quilos, e foi fundido na oficina do nº.44 da então Rua de São Lourenço (depois Senador Euzébio; hoje, Pres.Vargas).

O apelido foi atribuído pelo povo em conseqüência do toque de recolher instituído, por edital de 3 de janeiro de 1825, pelo Desembargador Francisco Teixeira de Aragão, Intendente-Geral de Polícia.

A Igreja do Largo de São Francisco foi a escolhida para fazer o anúncio, o que passou a fazer com o sino da torre esquerda. É que o sino da torre direita estava alugado aos irmãos da Ordem Terceira da Penitência, porque sua igreja, no Largo da Carioca, era proibida de ter sinos por imposição do vizinho Convento de Santo Antonio.

Segundo o determinado, às 22 horas no verão e às 21 no inverno, o sino da Igreja de São Francisco de Paula devia soar por trinta minutos, ininterruptamente, para avisar aos cariocas que deviam se recolher, e às casas comerciais que precisavam encerrar suas atividades. A medida visava reduzir a quantidade de assaltos e, também, das arruaças provocadas pelos «capoeiras». Essa determinação perdurou válida por 58 anos; até 1878, portanto.

A foto mostra um postal colorizado da igreja; à direita do leitor, a torre que guarda o sino "Aragão".

quarta-feira, maio 28, 2008

Igreja da Ordem 3ª do Carmo

A Ordem Terceira do Carmo foi fundada em 1648, e funcionou na capela que existia nos fundos do convento do Carmo.

A irmandade resolveu, em 1752, erigir sua igreja em um terreno da Rua Direita que havia recebido em doação. As obras, seguindo projeto atribuído ao Mestre Manoel Alves Setúbal, duraram de 1755 a 1770, ficando as torres por construir. O interior seguiu projeto de Frei Xavier Vaz de Carvalho. A porta principal e uma lateral em pedra de Lioz foram encomendadas a canteiros em Portugal, sendo instaladas em 1761. Em 1770 foi a igreja inaugurada com missa.

Trabalharam em seu interior não só mestre Valentim como seu professor, o mestre Luís da Fonseca Rosa, autor do retábulo do altar-mor. Mestre Valentim construiu, em 1772, o altar-mor da Capela do Noviciado; e, em 1773, o altar em estilo rococó de NªSª das Dores.

As torres sineiras só foram construídas de 1847 a 1850, projetadas pelo arquiteto Manoel Joaquim de Melo Corte Real, professor da Academia Imperial das Belas Artes.

A aquarela de Thomas Ender mostra as igrejas vistas da Rua Direita (atual Primeiro de Março) em 1820. É de se notar o Beco dos Barbeiros, na lateral da igreja da Ordem 3ª; a passarela que cruzava do Paço para o Convento do Carmo; e o morro do Castelo, ao fundo. Na foto se vê detalhe do portal trazido deLisboa em 1761; o medalhão representa São Francisco e a Virgem com o menino Jesus.


quarta-feira, maio 21, 2008

Igreja de NªSª do Monte do Carmo (antiga catedral)

Duas igrejas do Carmo, lado a lado, podem causar certa confusão. Ambas na Rua Primeiro de Março; a da esquina com a Rua Sete de Setembro, dos clérigos, é a de NªSª do Monte do Carmo (também chamada antiga Sé); a da esquina do Beco dos Barbeiros é a da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo, de leigos, portanto.

Em terreno onde existia, desde 1570, uma pequena capela, foi construída, a partir de 1761, a igreja dos clérigos, com projeto atribuído a Mestre Manoel Alves Setúbal. Em 1808, passou a ser a Catedral, em substituição à igreja do Rosário, logo após a chegada da família real (ver o post «Igreja do Rosário», de 07/03/2007). Permaneceu como Sé até a inauguração da nova igreja de São Sebastião, em 1979, na Rua Chile.

Dada a proximidade do Paço, era a igreja freqüentada pela família real. Havia uma passarela que ligava o Paço ao convento do Carmo e outro, que ligava o convento à catedral, através da torre sineira, para que os nobres não necessitassem pisar no chão da rua para ir ao templo.

Nesta igreja, foi D.João sagrado rei, e coroados D. Pedro I e D. PedroII. Foi, também, palco do casamento da Princesa Isabel com o Conde D'Eu. Em 1903 recebeu uma urna contendo parte dos restos mortais de Pedro Alvares Cabral que jazem na Igreja de Sta Maria da Graça, em Santarém, Portugal.

A antiga Sé foi inteiramente restaurada para os festejos do segundo centenário da chegada do Príncipe D. João e da família real, e reinaugurada em março deste ano de 2008. É possível, hoje, em seu interior, visitar um sítio arqueológico que exibe sinais da presença humana no local, desde priscas eras.

A foto de Marc Ferrez, do final do séc. XVII, mostra a passarela unindo o convento à igreja. É de se notar que a igreja dos clérigos, que foi capela real e catedral do Rio de Janeiro, é bem mais modesta que a dos leigos da Ordem Terceira do Carmo, maior e mais rica. O quadro de autoria de Debret mostra a coroação de Pedro I e sua sagração como "Imperador Constitucional e Perpétuo Defensor do Brasil" em 1º de dezembro de 1822.


quarta-feira, maio 14, 2008

Igreja de Nª Sª da Pena

Reza a lenda que Nossa Senhora teria surgido no alto da Pedra do Galo para ajudar um escravo ameaçado pelo fazendeiro a encontrar uma vaca perdida. A aparição, testemunhada pelo fazendeiro, motivou a construção de uma capela no alto do morro, além da alforria do escravo.

Em 1664, o padre Manoel Araújo, substituiu a capela por uma igreja. José Rodrigues Aragão doou terras ao santuário em 1771 e promoveu reformas na igreja. Falecido em 1778, seu crânio é mantido em nicho na sacristia. Dentro do templo estão sepultados outros beneméritos, inclusive o Monsenhor Antônio Marques de Oliveira (1826-1901), considerado um dos maiores vigários de Jacarepaguá.

As fotos mostram a fachada da igreja, e o cruzeiro, tendo Jacarepaguá ao fundo.



quarta-feira, maio 07, 2008

Bairro do Leme


Em 1858, duas baleias encalhadas na praia fizeram vir ao Leme o imperador Pedro II que, com a famíla, fez um piquenique nas areias do que hoje é chamado de Praia do Leme. Sem querer atribuir a S.M. o pioneirismo no costume farofeiro, o que ocorreu é que, depois disso, a praia passou a ser destino de passeios e piqueniques das famílias cariocas.

Nessa época, o acesso ao bairro era feito pela Ladeira do Leme, que chega na hoje chamada Praça Cardeal Arcoverde. E de Leme se chamava o território que ia dos morros do Inhangá até a Pedra do Leme, ou morro do Vigia, graças ao posto de vigilância instalado por ordem do marquês do Lavradio após a invasão francesa de 1711.

Com o desmonte de parte do morro do Inhangá, passou-se a chamar Leme ao trecho entre a Praça do Lido e a Pedra do Leme. Com a abertura do Tunel do Leme, criando novo acesso a Copacabana, o chamado bairro do Leme reduziu-se ao recanto entre a Av. Princesa Isabel e a Praça Almirante Júlio de Noronha. É um dos poucos bairros do Rio que não serve de passagem. E isso faz com que tenha características peculiares.

Na foto acima, o atual bairro do Leme como era em 1919. Na foto abaixo, um postal anterior a 1920, com a legenda 'parte do Leme', onde se vê, em primeiro plano, a atual Rua República do Peru, e, ao longe, o morro do Inhangá, ainda intacto, interrompendo a passagem da Av. NªSª de Copacabana.

quarta-feira, abril 30, 2008

Praça José de Alencar


Uma ponte construída por Antonio Salema sobre o rio Carioca, ainda no séc. XVII, transformou-se em ponto de convergência de várias ruas: o Caminho Velho de Botafogo (atual Senador Vergueiro), o Caminho Novo de Botafogo (Marquês de Abrantes), ruas do Catete, Conde de Baependi e Barão do Flamengo. Houve tempo em que se cobrava pedágio para cruzar a ponte, segundo nos conta Vivaldo Coaracy.

O local conhecido inicialmente como Largo do Salema, foi, ao longo do tempo, mudando de nome, Largo da Ponte do Catete, Largo do Catete, Praça Ferreira Viana, até que em 1897, teve seu nome trocado para Praça José de Alencar, com a inauguração do monumento ao romancista, obra de Bernardelli. As pontes eram substituídas por novas até que, no início do séc.XX, Pereira Passos promoveu a canalização do rio Carioca.

Entre as ruas Sen. Vergueiro e Barão do Flamengo ficava o Hotel dos Estrangeiros, em cujo saguão foi apunhalado pelas costas o político gaúcho Pinheiro Machado, em setembro de 1915.

As fotos mostram a estátua de Alencar diante do Hotel escondido atrás das folhagens; e uma vista da Praça desde o alto do Hotel, em 1906.





quarta-feira, abril 23, 2008

Igreja de São Jorge

Na verdade, Igreja de São Gonçalo Garcia e São Jorge. Fica na Rua da Alfândega, 382, junto à Praça da República.

As obras da igreja de São Gonçalo, iniciadas em 1750, em terras doadas por Antônio Lopes Xavier, perduraram até 1780. A inauguração solene ocorreu em 20 de abril de 1781. Em 1850, a então Igreja de São Jorge, na esquina das ruas Luís de Camões (à época, de São Jorge) e a Gonçalves Ledo, estava em lamentável estado de conservação, razão porque a igreja de São Gonçalo deu acolhida à imagem do Santo.

Em 1854, as irmandades se uniram constituindo a Venerável Confraria dos Gloriosos Mártires São Gonçalo Garcia e São Jorge.

Em 1913 a torre sineira, construída em 1818, foi seriamente avariada por um raio; reconstruída, recebeu um coruchéu neogótico. Seu interior também foi todo reformado, perdendo as características anteriores.

São Jorge, que representa Ogum no sincretismo dos seguidores das religiões de origem afro, tem muitos devotos. No dia dedicado ao santo, 23 de abril, é feriado municipal (desde 2002), e estadual (desde fevereiro deste ano de 2008), as missas começam às 0500h e seguem por todo o dia com a igreja sempre lotada.

Embora não mais reconhecido como santo pela Igreja Católica, permanece na devoção do carioca, devoção que vem desde os tempos da colônia. É de se notar que São Jorge é padroeiro da Inglaterra, de Portugal, da Lituânia, da Catalunha, de várias cidades, dos soldados e escoteiros.

Na foto, a fachada da igreja na Rua da Alfândega, junto à Praça da República.

quarta-feira, abril 16, 2008

Rua dos Ourives


Como ia desde a Igreja de Nª.Sª. do Parto (no final da Rua São José) até o morro da Conceição, ficou sendo, desde o séc. XVII, o Caminho do Parto para Conceição. Cortava, de modo oblíquo, as ruas perpendiculares ao litoral, quase como uma continuação da rua da Ajuda. Com o passar do tempo, nela começaram a instalar-se as oficinas dos lapidários e joalheiros, sempre olhados com desconfiança pelas autoridades, por suspeitarem da existência, entre eles, de receptadores do ouro sonegado à vigilância do Fisco nas Minas Gerais. Houve tempo em que foi proibida a profissão de ourives de obras de ouro. Somente depois da chegada de D.João foi a profissão exercida às claras.

Quando da abertura da Av. Central (hoje Rio Branco), foi ela dividida em dois pedaços que ficaram bastante distanciados um do outro. Ao pedaço menor, entre a São José e a Sete de Setembro, foi dado o nome de Rodrigo Silva, permanecendo o trecho maior, entre a Rua do Ouvidor e o Largo de Santa Rita, com a designação de Rua dos Ourives até que, em 1936, teve seu nome alterado para Miguel Couto por nela ter tido consultório o conceituado médico.

A foto mostra a Av. Rio Branco em 1920; à esquerda, vê-se a então ainda Rua dos Ourives na esquina de Ouvidor, note-se a Igreja de Nª.Sª. da Boa Morte, na Rua do Rosário. Á direita, não muito distante, a cúpula da Candelária. O mapa mostra, marcada em carmim, o traçado da rua dos Ourives antes da abertura da Av. Central.



quarta-feira, abril 09, 2008

Rua da Alfândega

Esta rua originou-se de um caminho que ia da orla marítima até a Lagoa da Sentinela (pela guarda atenta a ataques de índios) que existia nas proximidades de onde hoje é a Praça da República. Como outras ruas da cidade, teve diversos nomes ao longo do tempo, e nomes diferentes a cada trecho: Quitanda de Marisco e Mãe dos Homens; dos Ferradores, de Santa Efigênia, do Oratório da Pedra, de São Gonçalo Garcia.

Somente a partir de 1716 é que passou a ter o nome atual, devido à instalação, na praia e diante dela, da repartição da Alfândega.

Ali estabeleceram-se comerciantes ingleses chegados após a abertura dos portos, em 1808. Mais tarde, no trecho além da Rua da Vala (atual Uruguaiana), instalaram-se os sírios e libaneses. O povo os chamava de turcos (pois tanto a Síria quanto o Líbano estiveram sob o domínio turco desde 1568 até 1918). Essa área, conhecida como SAARA (sigla da Sociedade de Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega) tradicionalmente ocupada pelos turcos, vem assistindo, nos últimos tempos, a uma crescente substituição por coreanos e chineses.

A foto de Malta mostra operários em trabalhos no calçamento na Rua da Alfândega, em 14-9-1928. Note-se, na esquina da Av. Passos, a Casa Turuna, ainda hoje em atividade no mesmo local.

OBS: Veja que à direita, na lista de links, há enlace para ÍNDICE (cronológico e alfabético).




quarta-feira, abril 02, 2008

Abastecimento de água

O problema do abastecimento de água no Rio de Janeiro vem do tempo em que os franceses ocupavam a ilha de Villegagnon e os portugueses ainda estavam junto ao Cara de Cão. Se não era a da chuva, tinha que ser obtida na foz do rio Carioca, desde que os Tamoios o permitissem.

Expulsos os franceses e transferida a cidade para o Morro do Castelo, o problema persistiu. O recolhimento da água das chuvas era o recurso utilizado. Ainda hoje existe, no Convento de Santo Antonio, uma cisterna construída no século XVII.

O Governador Rui Vaz Pinto (1617-1620) instituiu uma taxa sobre o vinho para recolher recursos a aplicar em obras de abastecimento de água. Em 1723, foi construído o Aqueduto da Carioca que trazia água do rio Carioca desde o alto de Sta. Teresa até um chafariz onde escravos a recolhiam em barris para levar à casa de seus senhores. A cidade crescia, principalmente após a chegada da família real em 1808. E o governo começou a tomar medidas quanto ao abastecimento de água.

Reservatórios foram construídos na Tijuca (1850); na Quinta da Boa Vista (1867); na Ladeira do Ascurra (1868); e nos morros do Inglês e do Pinto, (1874).

A distribuição era feita usando carroças, ou ainda em barris levados por escravos, quando, em 1876, o eng. Antonio Gabrielli começou a construção de uma rede de distribuição. O problema de medir a quantidade de água fornecida era atendido pela chamada pena d'água, orifício em um diafragma colocado no cano de entrada da água (recurso que limitava o fluxo, em função da pressão da água naquele ponto da rede). Em 1840, a água, antes gratuita, passou a ser cobrada à razão de 100 reis por pena.

Em novembro de 1882, um decreto veio regulamentar as dimensões do orifício, de forma a permitir o fornecimento de 1200 litros de água a cada 24 horas.

O contínuo crescimento da cidade e da população obrigaram o governo a ampliar a rede e procurar mais fontes de abastecimento. Aproveitaram-se as águas das serras de Nova Iguaçu e Duque de Caxias, com as captações de São Pedro (1877), Rio d'Ouro (1880), Tinguá (1893), Xerém (1907), Mantiqueira (1908).

Desde então inúmeras obras vem sendo feitas para garantir o fornecimento de água aos habitantes desta cidade.

Curioso encontrar, no final da Rua Sabóia Lima, nas orilhas do Parque Nacional da Tijuca, e às margens do rio Trapicheiros, as ruínas de uma instalação, mais que centenária, que exibe uma placa onde se lê:

Sendo Presidente da República o Sr. Dr. Francisco de Paula Rodrigues Alves e Ministro da Indústria, Viação e Obras Públicas o Sr. Dr. Lauro Müller, a Inspeção Geral das Obras Públicas assentou este contador Venturi, o primeiro deste gênero instalado para o serviço de abastecimento d'água à Capital Federal. 28- 2- 1904


quarta-feira, março 26, 2008

Rua do Ouvidor


Manuel Aleixo, o Velho, que chegou com Estácio de Sá, foi Juiz Ordinário e Vereador do Conselho, possuía terras que iam desde a orla até além de onde hoje está a Rua Miguel Couto. Nestas terras e junto a um caminho chamado Desvio do Mar, foi o abastado Manuel Aleixo instalar sua chácara.

O Desvio transformou-se em Caminho depois Rua do Aleixo Manuel (1590), Rua Manuel da Costa, do Gadelha (1650) , do Barbalho, de Salvador Correa, da Santa Cruz (quando na esquina da Rua Direita _hoje 1ºde março_ se construiu, sobre as ruínas de um forte, a capela que veio a ser a Igreja da Sta. Cruz dos Militares). Em 1659, era a Rua do Padre Homem da Costa.

Em 1745, a Fazenda Real adquiriu algumas casas na rua para instalar a residência dos Ouvidores. O segundo deles (1748-1750), Francisco Berquó da Silva Pereira, tornou-se conhecido, e a rua passou a ser, desde então, a do Ouvidor.

Com a chegada da corte e da liberdade de comércio, a rua, que era de casas e quintais, transformou-se em centro de moda, escolhida que foi por muitos negociantes estrangeiros para nela instalar seus negócios. Lojas de modas, perfumarias, cabeleireiros, casas de música, cafés, confeitarias, atraiam a sociedade elegante. Os jornais de cidade e várias revistas nela instalaram suas redações.

Em 1829, após novo calçamento, foi proibido o trânsito de carros de boi. Em 1857, foi calçada com paralelepípedos. Em 1861, foi proibido o trânsito de cavaleiros e de quaisquer veículos após as 9 horas da manhã. Exceção, claro, ao Carnaval, quando os préstitos das Grandes Sociedades Carnavalescas desfilavam pela elegante rua.

Em 1897, a Prefeitura resolveu homenagear o comandante da malograda expedição contra os seguidores de Antonio Conselheiro e trocou o nome para Rua Coronel Moreira César. Durante anos permaneceram nas esquinas as placas com o nome do infeliz coronel. O povo, solenemente, desconheceu a nova denominação, obrigando as autoridades a voltar atrás, restituindo à rua seu nome tradicional.

Com a inauguração da Avenida Central _depois Rio Branco_ a Rua do Ouvidor perdeu a posição de destaque em que se manteve por quase um século.

Sobre ela escreveram vários autores: Machado de Assis, Manuel Antônio de Almeida, José França Júnior, e Joaquim Manuel de Macedo, que lhe dedicou um livro: “Memórias da rua do Ouvidor”.

Na foto, um aspecto da Rua do Ouvidor em 1880.


quarta-feira, março 19, 2008

Igreja de Santa Luzia


Era uma capelinha já existente, desde 1592, quando por aqui aportaram os primeiros franciscanos. A igreja foi construída a partir de 1572 em terras espremidas entre o Morro do Castelo e o mar. Há quem atribua a construção da capela a Fernão de Magalhães que teria mandado erguê-la, quando de sua passagem pelo Rio de Janeiro (dez1519) em direção ao sul do continente, para abrigar uma imagem de NªSª dos Navegantes.

Em 1817, D. João mandou alargar o caminho até o Convento da Ajuda, de forma a permitir a passagem de sua carruagem, já que deveria ir à igreja pagar uma promessa, feita à Santa, para curar o neto D. Sebastião de uma doença nos olhos.

Na Rua Santa Luzia tiveram sede os principais clubes de regata da cidade e diversas casas de banho dos freqüentadores da Praia de Sta. Luzia, que lhe ficava em frente.

As fotos mostram a igreja em 1885, já com as duas torres, espremida entre o mar e o morro do Castelo; a Rua Santa Luzia, em foto colorizada, após os primeiros aterros de Pereira Passos em 1910; a igreja, em 1960, tendo aos fundos os prédios construídos em terras ganhas ao morro; e, finalmente, a vista aérea, que mostra quão longe do mar está, hoje, a igreja (assinalada pela seta amarela).


quarta-feira, março 12, 2008

Largo da mãe do Bispo

Entre 1731 e 1805, no encontro das ruas então denominadas dos Barbonos (atual Evaristo da Veiga) e Guarda Velha (hoje, 13 de Maio) viveu D. Ana Teodoro Ramos de Mascarenhas, mãe do Bispo José Joaquim Justino Mascarenhas Castelo Branco.

Personalidade muito influente, respeitada e temida na cidade, D. Ana exercia um papel de autoridade informal, ouvindo queixas da população, decidindo pendências e resolvendo problemas, a ponto de fazer surgir a expressão "vá se queixar à mãe do bispo", que perdurou, por muito tempo, no linguajar carioca.

O Bispo, de volta das freqüentes visitas à mãe, foi alvo de mexericos que insinuavam que ele saía, altas horas da noite, era do Convento da Ajuda, depois de visitas noturnas às freiras. Os rumores foram tantos que ele determinou às igrejas que badalassem os sinos enquanto fazia o trajeto, a pé, da casa da mãe à sua residência.

Tão importante era a figura de D. Ana que o encontro das ruas passou a ser chamado de Largo da Mãe do Bispo, por mais de um século, até que a região fosse remodelada com a construção da Av. Central e da Praça Floriano.

O chafariz existente no Largo desde 1883 foi transferido, em 1904, para Botafogo, estando, hoje, na Praça Nicarágua (entre as avenidas Oswaldo Cruz e Ruy Barbosa).

A foto mostra o chafariz tendo, ao fundo, o prédio da Escola da Freguesia de São José, inaugurada em 1871, para onde se mudou o Conselho da cidade em 1897, no mesmo local onde hoje está a Câmara de Vereadores, em prédio, conhecido como Palácio Pedro Ernesto, inaugurado em 1923.

quarta-feira, março 05, 2008

Uma casa modernista


A casa de William Norchild, revolucionária para a época, foi projetada pelo arquiteto Gregori Warchavchik. Construída na Rua Tonelero, 138, causou grande repercussão na cidade quando inaugurada com uma mostra de arquitetura, em outubro de 1931. A inclinação do terreno propiciou um jogo de interpenetração de volumes até então inusitado.

Warchavchik, nasceu em Odessa, na Ucrânia, estudou arquitetura na cidade natal e em Roma, Itália. Chegou ao Brasil em 1923, fixando-se em São Paulo, onde em 1928, construiu a primeira casa modernista do país, na Vila Mariana. Foi convidado a lecionar no curso de arquitetura da Escola Nacional de Belas Artes por Lúcio Costa, que a dirigiu após a revolução de 1930.

O arquiteto americano Frank Lloyd Wright, em estada na cidade, esteve na casa, em visita e reunião com Lúcio Costa e Gregori Warchavchik (veja foto).

Pelo menos mais duas casas modernistas foram construídas, por Warchavchik em associação com Lúcio Costa, na Rua Tonelero entre a Praça Cardeal Arcoverde e a Rua Siqueira Campos.

A casa Norchild foi demolida na década de 1990 para dar lugar a um edifício de apartamentos.




quarta-feira, fevereiro 27, 2008

A iluminação no Rio de Janeiro (final)

Em fevereiro de 1879 foi feita a primeira experiência com a luz elétrica, na Estação D. Pedro II, repetida, mais tarde, nas oficinas do Jornal do Commercio. Finalmente, em 1887, constituiu-se uma companhia com a finalidade de fornecer luz e força pelo sistema belga idealizado por Edmund Julien.

Somente em 1906 surgiu a iluminação elétrica nas ruas da cidade, iniciando-se na recém-inaugurada Av. Central (hoje Rio Branco), pela empresa Braconnot contratada pela Societé Anonyme du Gaz, responsável pela iluminação da cidade.

As fotos mostram a iluminação da Av. Central. Os postes de calçada possuíam queimadores a gás, enquanto no canteiro central, a iluminação era provida por eletricidade através de arcos voltaicos, precursores das lâmpadas incandescentes.


quarta-feira, fevereiro 20, 2008

A iluminação no Rio de Janeiro (II)

Em 1824, a iluminação pública ainda estava sob a responsabilidade da Intendência Geral de Polícia. Lei de outubro de 1828, que deu nova forma às Câmaras Municipais, lhes passou esta atribuição.

A iluminação a gás foi inaugurada, em 1807, em Londres; em 1816, em Baltimore, nos EUA, seguindo-se Boston e Nova Iorque. Depois de várias tentativas fracassadas empreendidas por alguns empresários, Irineu Evangelista de Souza apresentou proposta em que pedia 27 réis por hora de luz, comprometendo-se a assumir a despesa com a colocação dos lampiões e a estender a iluminação da Lapa até Botafogo. O contrato assinado em 11 de março de 1851, rezava que as obras deveriam estar concluídas em 4 anos, sendo que até 1853 o primeiro terço da área deveria estar pronto.

Para levar a cabo a tarefa, foi criada a Companhia de Iluminação a Gás em 25 de março de 1854. Três anos depois, o gás já chegava a 3.027 lampiões públicos, 3.200 residências e três teatros O movimento, no centro, aumentou como que instantaneamente: cafés, restaurantes, teatros entraram em plena atividade, e a vida na Corte começou a tomar novos ares, os de uma cidade moderna. Em 1865 a concessão passou à empresa inglesa, Rio de Janeiro Gás Company Limited..

A foto, de 1895, mostra um acendedor de lampiões carioca no seu trabalho.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

A iluminação no Rio de Janeiro (I)

Quando o Rio de Janeiro passou a ser capital da colônia, em 1763, as ruas ainda eram iluminadas por candeeiros a óleo de baleia, ou por velas de cera, colocados em lampadários, ou ainda em oratórios em frente aos quais os devotos faziam suas orações. Essa era a única iluminação, além daquela provida pelo luar.

Havia ruas com dois e até três desses oratórios, construídos por particulares em seus prédios, embora o óleo de peixe fosse, muitas vezes, rateado entre os vizinhos.

Sabe-se que, no tempo do Vice-Rei Dom Luiz de Vasconcelos e Souza (1779-1790) havia 73 desses lampadários, distribuídos pelas 4 freguesias em que se dividia a cidade: 22 na da Sé, 12 na de São José, 27 na da Candelária, e 12 na de Santa Rita. E a população do Rio atingia 30.000 habitantes.

No período seguinte, do Vice-Rei Dom José Luiz de Castro, Conde de Rezende (1790-1801) é que a iluminação pública passou à responsabilidade dos cofres públicos. Cem lampiões foram instalados entre a Rua Direita (atual 1º de Março) e o Campo de Santana. Este era o trecho urbano; o que estava além deses limites era sertão. Mesmo assim, a iluminação era péssima.

Com a chegada da família real, foi criado o cargo de Intendente Geral de Polícia (tal como existia em Portugal) e nomeado o desembargador e ouvidor-geral do crime Dom Paulo Fernandes Viana que tratou de dotar a cidade de iluminação condizente com as obrigações da polícia. Circundou de lampiões de azeite o Paço e o Palácio da Quinta da Boa Vista, e povoou a cidade com postes de pedra encimados por lampiões, inclusive o caminho do aterrado (via que levava por rua ganha aos alagados além do Campo de Santana, até ao Quinta da Boa Vista) depois, por isso, caminho das lanternas; mais tarde, Rua Senador Euzébio: hoje, Av Pres. Vargas.

Um desses lampiões a óleo de baleia, retratado por Debret por volta de 1820, é mostrado na figura. Esses lampiões foram utilizados até o advento do gás em 1854. A foto mostra um lampadário que existiu na esquina das ruas da Alfândega e Regente Feijó por cerca de 150 anos, antes de ser demolido em 1906.



quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Coreto na Praça XV

Em 21 de julho de 1903, foi inaugurado um coreto na Praça 15 de Novembro, iniciativa do Prefeito Pereira Passos. Era de ferro sobre uma base de alvenaria, grande o suficiente para abrigar 80 músicos. Ofertou-o à cidade a Companhia Carris Urbanos, mandando construí-lo na Fundação Indígena.

Houve muita controvérsia. Uns acharam ruim a idéia de, naquele local, levantar um pavilhão de música mais apropriado a um parque. Outros , ao contrário, acharam excelente a idéia de instalá-lo ali, em uma praça recém-ajardinada, junto a terminais de várias linhas de bonde e de barcas.

A inauguração, concorridíssima, ocorreu às 4 horas da tarde, com a excelente banda de música do Corpo de Marinheiros Nacionais, conduzida pelo Primeiro-Tenente João Pereira da Silva, executando programa em que constavam: Saldanha, marcha do mesmo João Pereira da Silva; Aída, fantasia de Verdi; Noite no Castelo, fantasia de Carlos Gomes; e Triunfo, ouverture de Suppé; entre outras.

O coreto, ainda na primeira metade do século passado, foi transferido para Sepetiba, onde está até hoje na Praça Washington Luiz.

Na foto da Praça XV pode-se ver o coreto na direção do relógio da Estação das Barcas. E, abaixo, duas vistas do coreto: antes da transferência e, hoje, em Sepetiba.