Elias Antonio Lopes, um bem sucedido comerciante, presenteou ao príncipe D. João, pouco depois de sua chegada ao Rio de Janeiro, com uma casa _tida como a melhor da cidade_ que havia construído em 1803 em sua chácara de São Cristóvão. Tão agradecido ficou o príncipe, que chegou a agradecer o “notório desinteresse e demonstração de fiel vassalagem, que vem de tributar à minha Real Pessoa”. A residência e o jardim foram reformados e o lugar passou a ser chamado de Quinta da Boa Vista, e a casa, Paço de São Cristóvão. Com o intúito de valorizar a área, D. João ofereceu vantagens a quem construisse nos arredores. O bairro tornou-se um dos mais populosos da cidade. Tanto o Paço, quanto os jardins sofreram alterações desde então.
Na verdade, Elias Antonio, que enriquecera com o tráfico de escravos, havia feito um belo investimento. No mesmo ano da doação, recebeu a comenda da Ordem de Cristo, o ofício de Tabelião e Escrivão da Vila de Parati, e dois anos depois foi sagrado cavaleiro da Casa Real, além de outros postos, como o de Deputado da Real Junta de Comércio.
Quando morreu, em 1815, o traficante deixou mais de cem escravos e uma fortuna em palácios, fazendas, ações do Banco do Brasil, e navios negreiros.
Há dúvidas quanto à nacionalidade de Elias. Uns dizem que era português nascido na cidade do Porto; outros que era o libanês Antun Elias Lubbos que teria aportuguesado seu nome ao chegar ao Brasil.
Na foto acima se vê o Paço de São Cristóvão em 1820, em uma pintura de Maria Graham; abaixo, fotos de como está, hoje, o prédio.

1 comentários:
A nossa amiga Vera Dias fez uma postagem muito bonita sobre a Quinta no seu blog As histórias dos monumentos do Rio de Janeiro.
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